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Irrigação do cafeeiro: como viabilizar economicamente

ESPAÇO ABERTO

EM 18/03/2019

4 MIN DE LEITURA

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Por Walter Coelho da Rocha Neto

A irrigação tem sido uma importante ferramenta para garantir a produção, o aumento da produtividade das lavouras e, consequentemente, aumento na eficiência do uso da terra, pois o sistema proporciona, na grande maioria das vezes, uma maior renda bruta na mesma unidade de área. Na cafeicultura não é diferente, pois a irrigação garante que não haverá estresse hídrico nas três principais fases do cafeeiro durante a safra, que é o florescimento - fase que se define a produção da safra; enchimento dos grãos - fase que define o tamanho do grão e a qualidade da bebida; e o bom crescimento vegetativo - fase que vai garantir as safras subsequentes.

A grande maioria dos produtores tomam como verdade absoluta que o sistema de irrigação na cultura do café é sinônimo de sucesso de produtividade e financeiro. O fato não é uma verdade absoluta, e se mal planejado, o investimento no sistema de irrigação pode demorar muitos anos para retorno e até mesmo inviabilizar economicamente a empresa rural, uma vez que este sistema proporciona um aumento, em média, de 15% no custo total, devido ao maior gasto com energia elétrica, manutenção e a depreciação do equipamento.

Antes de realizar o investimento devemos analisar o histórico de pluviosidade da propriedade. Por exemplo, a região Sul de Minas Gerais possui histórico de pluviosidade próximo a 1.400 mm anuais, ao qual não se caracteriza por déficit hídricos prejudiciais a produção de café. Sendo assim, não se torna economicamente viável a aquisição do sistema. Outro fator a ser analisado são as lavouras as quais serão instalados o sistema. Se a lavoura já está implantada, devemos ter o histórico de produtividade para analisar se o sistema irá contribuir em maior produtividade e consequentemente proporcionar payback mais rápido do investimento, ou seja, quanto tempo se obtém o retorno do capital empregado. A tendência é que lavouras que já foram implantadas e ainda estão jovens respondam melhor ao sistema de irrigação, mas o ideal é que ela seja implantada juntamente com o sistema.

Em 2018 foi estudado pela equipe Labor Rural e apresentado no 44° Congresso Brasileiro de Pesquisas Cafeeiras o comportamento do lucro por área plantada de lavouras irrigadas e de sequeiro nas safras 13/14, 14/15, 15/16 e 16/17 na Região do Cerrado Mineiro. A análise teve como amostra total 3.383 talhões de propriedades cafeeiras de Minas Gerais os quais foram estratificados por idade. A conclusão que se teve, como podemos observar na tabela a seguir, é que a irrigação proporcionou diferença estatística nas lavouras com menos de 4 anos de plantio, 8 a 11 anos, 11 a 15 anos e acima de 18 anos de plantio. Ou seja, durante a fase produtiva do cafeeiro, o sistema de irrigação não influencia no aumento do lucro na totalidade do tempo analisado, sendo cada vez mais importante a análise técnica e econômica antes da realização do investimento.

Tabela 1 – Análise da diferença do lucro por hectare dos sistemas de produção irrigado e sequeiro por idade de lavoura na cultura do café do Cerrado Mineiro


Fonte: anais do 44º Congresso Brasileiro de Pesquisas Cafeeiras

Sabendo de todos estes fatores uma fazenda situada na Região Cerrado Mineiro, que possui consultoria técnica e gerencial, realizou planejamento de implantação de sistema de irrigação em suas lavouras.

Em 2014 investiu em sistema de irrigação nas lavouras já implantadas e em produção. O planejamento técnico e econômico também continha o aumento de seu parque cafeeiro com um investimento inicial de sistema de irrigação.

Tabela 2 – Indicadores técnicos e econômicos de fazenda do Cerrado Mineiro que implantou o sistema de irrigação


Fonte: Labor Rural; dados corrigidos pelo IGP-DI de janeiro de 2019

Podemos observar que a propriedade alcançou melhores resultados após o investimento no sistema de irrigação mesmo com o aumento de 14,6% no custo total por área, quando comparado os biênios 2013/2015, que ainda era no sistema de sequeiro, e o biênio 2014/2016, primeiro biênio ao qual a propriedade estava com todas as suas lavouras em produção no sistema irrigado. A produtividade de 10,7 sacas a mais por hectare, entre o último biênio no sistema de sequeiro para o primeiro biênio, utilizando a técnica da irrigação, proporcionou um aumento no lucro por área de R$ 4.297,60.

Com o incremento no lucro por área das lavouras em produção, citado anteriormente, conseguimos calcular qual foi o payback alcançado, ou seja, quanto tempo o investimento no sistema de irrigação, que custou R$ 9.500,00 por hectare, retornou ao produtor. O resultado dos cálculos é um payback de 2,2 anos.

A propriedade alcançou como bons resultados mais que um retorno rápido do investimento. Como podemos observar na tabela a produtividade nos biênios seguintes é muito constante e uma média acima da regional, garantindo ao empresário rural um risco menor de sua atividade, mesmo com o aumento considerável de seu custo de produção.

Todo o sucesso alcançado pela propriedade do nosso estudo foi em função do excelente planejamento que o produtor fez com seu consultor gerencial. Foram traçadas metas desafiadoras, mas com o empenho e muita seriedade foram alcançadas.

***Walter Coelho da Rocha Neto é Consultor técnico da Labor Rural.

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