Governo colombiano aguarda término da greve para iniciar diálogo com cafeicultores
Ministros e Presidente do país se reuniram nesta quarta-feira (27/02) na tentativa resolver o impasse da greve dos cafeicultores, que se estende há 4 dias. "Quando os bloqueios forem retirados", o Governo "sentará" para dialogar, afirmou um dos ministros. Enquanto isto, trabalhadores da indústria do transporte e do cacau se juntam ao protesto, que já conta com pelo menos 5.000 agricultores.
Publicado por: CaféPoint
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A informação veio pelo ministro do Interior, Fernando Carrillo, que enfatizou que o Governo executivo não apoia as medidas tomadas para pressionar uma negociação. Ele disse que “quando os bloqueios forem retirados”, o Governo “sentará” para dialogar com os cafeicultores.
Na reunião do Palácio, estiveram também presentes os ministros da Agricultura, Juan Camilo Restrepo; da Fazenda, Mauricio Cárdenas; e do Trabalho, Rafael Pardo.
O ministro da Agricultura insistiu que têm-se mantido diálogos com representantes dos cafeicultores para buscar soluções e lembrou que esse é o objetivo da denominada constituinte cafeeira. “Estão sendo feitas reuniões com os cafeicultores e esperamos que esse diálogo não feche, mas sim, que se abra mais”, disse Restrepo.
Trabalhadores do transporte e do cacau se unem à greve
Os trabalhadores da indústria do transporte e do cacau se uniram na quarta-feira ao protesto iniciado na segunda-feira pelos cafeicultores da Colômbia em busca de reinvindicações sociais, preços justos por seu trabalho e melhoras em sua qualidade de vida.
Assim, diferentes setores do campo agrícola colombiano se somaram à mobilização e pelo menos 5.000 agricultores iniciaram protestos que se generalizaram em todos os departamentos do país.
Apesar de o Governo dizer que garante o direito ao protesto, há vários manifestantes que denunciaram agressões por parte das forças policiais. A polícia está coibindo todos os agricultores que tentam se mobilizar.
Os cafeicultores exigem medidas rápidas e que beneficiem os trabalhadores, pois consideram que o Governo deve desenvolver politicas econômicas a serviço dos povos e não de interesse de empresas multinacionais. A lista de demandas também inclui o refinanciamento da dívida cafeeira, com um período de graça de quatro anos, além de um subsídio para os custos dos insumos agrícolas.
Confira imagens de protestos em vídeo abaixo:
Cafeicultores independentes da Federação Nacional dos Cafeicultores da Colômbia
Em uma entrevista com um dos líderes da greve, Óscar Gutiérrez, para o jornal El Tiempo, ele falou sobre a Federação Nacional dos Cafeicultores da Colômbia (FNC), que não apoia a paralisação.
“O diálogo com eles tem sido difícil e o Governo deve entender que há outros cafeicultores, membros de comitês municipais e departamentais, que têm leituras da realidade diferentes das que tem a Federação”, disse ele.
Questionado sobre a solução no preço de compra, ele disse que “um preço de 850.000 pesos (US$ 468,4) por carga (125kgs), que poderia ser negociado, permite aos cafeicultores uma renda que cubra os custos de produção e deixe lucros”.
Sobre o anúncio do Governo colombiano de ampliar o prazo dos créditos, ele disse que por enquanto, foi só isso que aconteceu. “Os bancos não foram notificados sobre o período de graça de quatro anos nem sobre o milhão de pesos adicionais que emprestarão por hectare. Além disso, estamos esperando medidas para os que estão em cobrança judicial e para os que tiveram que se endividar com crédito diferente ao agropecuário”.
Sobre os insumos, os cafeicultores querem controle dos preços, que subiram muito. Quanto às importações, ele disse que os cafeicultores se opõem. “Se o preço internacional está baixo, o que é melhor do que os colombianos tomarem o nosso café e que paguemos alto por ele. Assim, apoiamos a cafeicultura”.
Panorama comercial desfavorável: café colombiano perdeu 50% de participação no mercado internacional
O presidente da Associação Nacional de Exportadores de Café da Colômbia (Asoexport), Carlos Ignacio Rojas, disse que, apesar de o café colombiano seguir bem posicionado no mundo devido à sua qualidade, perdeu uma grande participação, de quase 50%, no mercado internacional nos últimos 15 anos.
“Há cinco anos, a Colômbia produzia 12 e inclusive 13 milhões de sacas por ano e, agora, produz somente 8 milhões”, disse ele. “Isso levou a uma queda de 25% nas exportações nacionais do grão nesse mesmo período de tempo, fator que também se converteu em uma grande preocupação para os produtores e cafeicultores hoje”.
Segundo Rojas, o principal problema é a rentabilidade do negócio, já que os produtores perceberam que seus rendimentos não conseguem cobrir os custos de produção e muitos decidiram produzir outros produtos.
As informações são de Portafolio.co, Librered.net, El Tiempo e Radionacionaldecolombia.gov.co, traduzidas e adaptadas pelo CaféPoint.
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EM 27/02/2013