Já na primeira metade da temporada 2012/13 (de julho a dezembro/12), os preços do arábica apresentaram sucessivas quedas e forte retração vendedora, inclusive de produtores de robusta. As cotações desta variedade, porém, conseguiram relativa sustentação nesse período. Estimativa da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) aponta produção de 50,83 milhões de sacas de 60 kg, sendo 38,34 milhões de arábica e 12,48 milhões de robusta. Sobre a temporada passada, os aumentos são de 19% e 10,5%, respectivamente.
No mercado de arábica, a limitação das vendas por parte de produtores ocorre sobretudo devido aos menores preços do grão frente aos observados no mesmo período da safra passada (2011/12). As justificativas para a desvalorização em 2012 são variadas. A principal é a produção mundial recorde; outra reflete o impacto do cenário econômico internacional sobre os mercados futuros de commodities como um todo. No Brasil, pesa também a redução dos lotes de café de boa qualidade. Entre junho e julho/12, época de colheita, chuvas intensas atingiram as principais regiões produtoras do País, prejudicando a qualidade de parte do café.
A postura retraída dos vendedores, porém, não foi suficiente para evitar sucessivas quedas do arábica no mercado doméstico, mantendo-se em linha com a bolsa de Nova York. Em novembro, o Indicador CEPEA/ESALQ chegou a atingir as mínimas desde 2010.
O mercado internacional de arábica foi caracterizado por forte volatilidade de preços, mas com predominância dos recuos. Em julho, a média de todos os contratos na Bolsa de Nova York (ICE Futures) estava em 182,48 centavos de dólar por libra-peso. Já no acumulado de dezembro, essa média havia caído para 149,73 centavos, bem abaixo dos 228,18 centavos de dezembro de 2011.
O Indicador CEPEA/ESALQ do arábica tipo 6 bebida dura para melhor – posto em São Paulo – iniciou a safra (julho) com média de R$ 408,06/saca de 60 kg, mas, em dezembro, sua média esteve a R$ 341,40/saca. Em relação a dezembro de 2011, a atual média é 30,51% inferior. Na parcial da safra (de julho a dezembro), a média do Indicador está em R$ 375,12/saca, 22,75% abaixo do verificado no mesmo período da temporada 2011/12.
A consequência das quedas dos preços foi redução da liquidez no físico brasileiro. Colaboradores do Cepea comentaram que o volume de café negociado na safra 2012/13 esteve consideravelmenteinferior ao observado no mesmo período da temporada 2011/12.
Em relação ao robusta, a safra no Brasil começou – oficialmente em julho – com preços elevados e tem havido relativa sustentação ao longo da temporada, apesar de a produção também recorde na atual safra. O principal suporte tem sido a forte retração dos vendedores brasileiros num contexto de demanda firme principalmente por parte das torrefadoras nacionais.
Na parcial da temporada (de julho a dezembro), o Indicador CEPEA/ESALQ do robusta tipo 6 peneira 13 acima – a retirar no Espírito Santo – teve média de R$ 274,69/saca, 11,3% superior ao mesmo período da safra 2011/12.
T&M e Solúvel
O consumo de café torrado, moído e solúvel no Brasil segue crescente. Dados da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) indicam que no período de maio/11 a abril/12, o consumo doméstico do grão (considerando-se cafés torrado/moído e solúvel) já estava em 20 kg per capita.
Em âmbito mundial, a produção de café (arábica e robusta), estimada para ser recorde, tende a ser bem próxima da demanda. Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), devem ser produzidas 151,28 milhões de sacas na temporada, e o consumo pode chegar ao também recorde de 141,37 milhões de sacas, mostrando que a produção deve seguir ajustada à demanda.
Quanto às exportações mundiais de café, o USDA aponta outro recorde em 2012/13: pouco mais de 116 milhões de sacas. Porém, por enquanto, os embarques do Brasil, maior produtor de café, estão bastante reduzidos frente às safras anteriores. De acordo com a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), no acumulado da temporada (julho a dezembro/12), foram exportadas 13,8 milhões de sacas de café verde, volume 8% menor que o do mesmo período de 2011. Apesar de a safra 2012/13 brasileira ter totalizado produção recorde, esse é o menor volume exportado para o período desde a safra 2007/08.
Evolução do Indicador do Café Arábica CEPEA/ESALQ
Análise do mercado cafeeiro elaborada pelo Cepea. Equipe: Dra. Margarete Boteon, Caroline Lorenzi, Marta Campos e Mayra Viana
A matéria é do Cepea, adaptada pelo CaféPoint.
