CEPEA: análise do mercado cafeeiro nacional em 2012

O CEPEA - Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada - ESALQ/USP, elaborou uma análise da retrospectiva 2012 do cenário cafeeiro do Brasil. Resumo enfatiza em sua abordagem os diferenciais de preços em diferentes períodos do ano, mas discorre igualmente de exportações e consumo nacional.

Publicado por: CaféPoint

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A safra brasileira 2011/12, encerrada em junho/12, teve preços recordes para o arábica e cotações elevadas para o robusta. No período, o Indicador CEPEA/ESALQ ( Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) do arábica tipo 6 bebida dura para melhor – posto em São Paulo – teve média de R$ 446,03/saca e o Indicador CEPEA/ESALQ do robusta tipo 6, peneira 13 acima, chegou a bater os R$ 300,00/saca na segunda metade da temporada. Com valores elevados, as negociações tiveram boa liquidez.

Já na primeira metade da temporada 2012/13 (de julho a dezembro/12), os preços do arábica apresentaram sucessivas quedas e forte retração vendedora, inclusive de produtores de robusta. As cotações desta variedade, porém, conseguiram relativa sustentação nesse período. Estimativa da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) aponta produção de 50,83 milhões de sacas de 60 kg, sendo 38,34 milhões de arábica e 12,48 milhões de robusta. Sobre a temporada passada, os aumentos são de 19% e 10,5%, respectivamente.

No mercado de arábica, a limitação das vendas por parte de produtores ocorre sobretudo devido aos menores preços do grão frente aos observados no mesmo período da safra passada (2011/12). As justificativas para a desvalorização em 2012 são variadas. A principal é a produção mundial recorde; outra reflete o impacto do cenário econômico internacional sobre os mercados futuros de commodities como um todo. No Brasil, pesa também a redução dos lotes de café de boa qualidade. Entre junho e julho/12, época de colheita, chuvas intensas atingiram as principais regiões produtoras do País, prejudicando a qualidade de parte do café.

A postura retraída dos vendedores, porém, não foi suficiente para evitar sucessivas quedas do arábica no mercado doméstico, mantendo-se em linha com a bolsa de Nova York. Em novembro, o Indicador CEPEA/ESALQ chegou a atingir as mínimas desde 2010.

O mercado internacional de arábica foi caracterizado por forte volatilidade de preços, mas com predominância dos recuos. Em julho, a média de todos os contratos na Bolsa de Nova York (ICE Futures) estava em 182,48 centavos de dólar por libra-peso. Já no acumulado de dezembro, essa média havia caído para 149,73 centavos, bem abaixo dos 228,18 centavos de dezembro de 2011.

O Indicador CEPEA/ESALQ do arábica tipo 6 bebida dura para melhor – posto em São Paulo – iniciou a safra (julho) com média de R$ 408,06/saca de 60 kg, mas, em dezembro, sua média esteve a R$ 341,40/saca. Em relação a dezembro de 2011, a atual média é 30,51% inferior. Na parcial da safra (de julho a dezembro), a média do Indicador está em R$ 375,12/saca, 22,75% abaixo do verificado no mesmo período da temporada 2011/12.

A consequência das quedas dos preços foi redução da liquidez no físico brasileiro. Colaboradores do Cepea comentaram que o volume de café negociado na safra 2012/13 esteve consideravelmenteinferior ao observado no mesmo período da temporada 2011/12.

Em relação ao robusta, a safra no Brasil começou – oficialmente em julho – com preços elevados e tem havido relativa sustentação ao longo da temporada, apesar de a produção também recorde na atual safra. O principal suporte tem sido a forte retração dos vendedores brasileiros num contexto de demanda firme principalmente por parte das torrefadoras nacionais.

Na parcial da temporada (de julho a dezembro), o Indicador CEPEA/ESALQ do robusta tipo 6 peneira 13 acima – a retirar no Espírito Santo – teve média de R$ 274,69/saca, 11,3% superior ao mesmo período da safra 2011/12.

T&M e Solúvel

O consumo de café torrado, moído e solúvel no Brasil segue crescente. Dados da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) indicam que no período de maio/11 a abril/12, o consumo doméstico do grão (considerando-se cafés torrado/moído e solúvel) já estava em 20 kg per capita.

Em âmbito mundial, a produção de café (arábica e robusta), estimada para ser recorde, tende a ser bem próxima da demanda. Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), devem ser produzidas 151,28 milhões de sacas na temporada, e o consumo pode chegar ao também recorde de 141,37 milhões de sacas, mostrando que a produção deve seguir ajustada à demanda.

Quanto às exportações mundiais de café, o USDA aponta outro recorde em 2012/13: pouco mais de 116 milhões de sacas. Porém, por enquanto, os embarques do Brasil, maior produtor de café, estão bastante reduzidos frente às safras anteriores. De acordo com a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), no acumulado da temporada (julho a dezembro/12), foram exportadas 13,8 milhões de sacas de café verde, volume 8% menor que o do mesmo período de 2011. Apesar de a safra 2012/13 brasileira ter totalizado produção recorde, esse é o menor volume exportado para o período desde a safra 2007/08.

Evolução do Indicador do Café Arábica CEPEA/ESALQ



Análise do mercado cafeeiro elaborada pelo Cepea. Equipe: Dra. Margarete Boteon, Caroline Lorenzi, Marta Campos e Mayra Viana

A matéria é do Cepea, adaptada pelo CaféPoint.
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charles garcia
CHARLES GARCIA

IRUPI - ESPÍRITO SANTO - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 09/01/2013

Sr Edson, realmente estavamos vendo muita gente que não era do setor achando que o café é uma mina de ouro. Por causa dos preço nesses ultimos 2 anos, mais acho que eram muito mal informado, pois anos anteriores estava dificil de fechar o caixa. Achavam que café de 550.00 era uma maravilha, pois a soja custava 40.00 na época, milho a 23.00, feijão 110.00, achavam que nós cafeicultores estavam nadando em nota de 100.00. Hoje estão vendo a coisa diferente estão vendo o que nós do setor estamos acustumado a ver, altos preços em pouco tempo e baixo preço por longo tempo. Com esse cenário de hoje não vejo mellhora pro futuro. Coitado de nós e mais coitado ainda de gente que se enganaram com a realidade do setor.
Eduardo Cesar Silva
EDUARDO CESAR SILVA

LAVRAS - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 09/01/2013

Prezado Edson Koshiba,



Você fez ótimas considerações. Infelizmente o cenário ainda não é otimista, sendo necessária muita cautela.

Vamos aguardar novidades ao longo de 2013.

Abraços.

Edson Seidi Koshiba - Pleno Corretora - Patrocinio
EDSON SEIDI KOSHIBA - PLENO CORRETORA - PATROCINIO

PATROCÍNIO - MINAS GERAIS - TRADER

EM 09/01/2013

Primeiramente quero parabenizá-la pela sua análise do mercado. Há algumas pessoas do setor cafeeiro dizendo que o ano de 2013 será melhor do que 2012, porém fica a dúvida se essas pessoas estão sendo somente otimista em relação ao novo ano que está apenas começando, ou se realmente têm observado alguns fatores fundamentais para tais perspectivas. A previsão de uma boa safra para 2013/14, os altos estoques dos armazéns e a crise financeira internacional, são alguns fatores que deixam dúvidas para que o ano de 2013 seja melhor do que 2012.


Por tudo que está acontecendo no mercado cafeeiro nos últimos meses, aparentemente estamos em um ciclo de preços baixos, visto que atingimos em NY (Ice Futures US) o patamar de 300,00 cts/lb em 2011, sem geadas, estiagem ou furacões.


Um sábio produtor aqui do cerrado mineiro costuma dizer que, para sairmos de um ciclo de preços baixos para o café, somente com preços baixos. Os altos preços praticados nos últimos meses desde 2010, estimularam o plantio de novas mudas em várias regiões brasileiras e também houve um grande avanço para aumentar a produtividade. Muitas pessoas que não são do ramo/setor cafeeiro comprou terras para plantar cafés. Houve também um grande número de pessoar que fizeram arrendamentos de terra para plantar cafés. Será que somente no Brasil é que houve novos plantios ou estímulo para aumentar a produtividade ?? Com certeza não.


Eu sou corretor de café há exatamente 31 anos e para mim quanto mais caro eu vender os cafés, com certeza a minha comissão será maior. O meu ganho caiu quase pela metade nos últimos 2 anos pois o meu ganho é sobre o valor da negociação. Se eu vendia cafés finos em 2011 a R$ 550,00 e hoje os preços praticados estão na faixa de R$ 340,00 a minha comissão desvalorizou quase 40%. A  minha torcida é que os preços voltem para 550,00 e que pare de cair, porém o mercado não trabalha conforme a minha intenção e muito menos conforme os meus desejos.


Não podemos ser demasiadamente otimista ou pessimista pois senão estaremos enganando a nós mesmo. Ser realista é a melhor opção para fazer as análises do mercado cafeeiro. O meu desejo é que os preços melhorem, porém o futuro a Deus pertence. Um grande abraço a todos que acessam esse importante portal do agronegócio. Desejo a todos um ótimo 2013 com muita saúde, realizações e prosperidade. Edson Seidi Koshiba - Pleno Corretora