O império contra-ataca
O avanço de tarifas, sanções e pressões diplomáticas dos EUA reacende o debate sobre soberania, hegemonia e os impactos da disputa geopolítica sobre o café brasileiro
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O avanço de tarifas, sanções e pressões diplomáticas dos EUA reacende o debate sobre soberania, hegemonia e os impactos da disputa geopolítica sobre o café brasileiro
Pelo menos US$ 15 bilhões teriam deixado de entrar no Brasil desde agosto do ano passado, quando a Advocacia Geral da União (AGU) emitiu parecer restringindo a venda de terras a empresas estrangeiras. A avaliação, ainda preliminar, foi divulgada nesta segunda-feira, 18, em um estudo encomendado pela Associação Brasileira de Marketing Rural e Agronegócios (ABMR&A) às consultorias MBAgro e Agroconsult. Para os autores do estudo, a aquisição de terras por estrangeiros no País não afeta a soberania nacional e sua restrição vai prejudicar a velocidade do crescimento do agronegócio no ritmo exigido pela crescente demanda mundial por alimentos.
Nos últimos dias, texto defendendo a independência do Rio de Janeiro vem circulando pela Internet. Assinado pelo "Movimento Rio Independente", argumenta, com base em uma série de informações e muita ironia, que a soberania seria a solução para o impasse dos royalties do petróleo. Parafraseando a pergunta que norteia o artigo, por que limitar as reclamações aos 52,5% dos royalties que querem tirar do Rio? Não seria melhor lutar pelos 100%?
Pouco discutido no Brasil atualmente, o "offshore farming", ou aluguel de terras agricultáveis para estrangeiros, é um tema polêmico, pois envolve questões de soberania e também afeta diretamente as empresas do setor, que respondem por boa parte do PIB (Produto Interno Bruto) nacional. Mas esse tipo de operação poderá ter frutos bastante positivos para o país se o governo se apressar a debatê-la, defende Dung Nguyen, professor da Universidade de Pittsburgh e especialista no assunto.
Se o Brasil mantiver o ritmo de crescimento de consumo de café, a perspectiva é de que, em 2012, se torne o maior consumidor do mundo, deixando para trás os EUA, que ocupam o posto desde o final do século 19. Para que as estimativas da ABIC (Associação Brasileira da Indústria de Café) se confirmem, é preciso, ainda, que o consumo da bebida nos EUA permaneça (quase) estagnado, como tem estado.
O ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, disse ontem (18) que a compra de terras por grupos estrangeiros no Brasil e em todos os países do Mercosul é uma "ameaça real" e pode gerar problemas de segurança alimentar.
A China terá papel "importante" na exploração das reservas de petróleo do pré-sal, mas os investimentos do país asiático na compra de terra e no setor de mineração no Brasil "não fazem muito sentido", afirmou na última sexta-feira (29) o embaixador do Brasil em Pequim, Clodoaldo Hugueney.
Propagação clonal e cuidado no manejo ajudaram a transformar as características sensoriais da espécie no Brasil
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Evento reuniu 60 cafeicultores para aprender mais sobre práticas agrícolas no manejo da lavoura cafeeira
Conselho Nacional do Café (CNC) e a Confederação Nacional da Agricultura (CNA) publicaram Nota de Repúdio ao texto, que consideram que "denigre a cafeicultura brasileira perante o mundo".
A subcomissão que analisa o processo de aquisição de áreas rurais por estrangeiros aprovou na terça-feira (22) o parecer do deputado Marcos Montes (PSD-MG) sobre o tema. O texto aprovado, apresentado inicialmente como um voto em separado, propõe a apresentação de um projeto de lei para disciplinar a aquisição, o arrendamento e o cadastro de imóvel rural por pessoas físicas estrangeiras e por empresas com sede fora do Brasil.
Um levantamento realizado recentemente pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) aponta que para atender a população global de forma satisfatória, a oferta mundial de alimentos obrigatoriamente deve crescer 20% até 2020.
Artigo lança mão de polêmica em torno de suposta manipulação de dados oficiais da inflação argentina para argumentar que fenômenos típicos de mercado.
Além de aspectos econômicos e socioambientais, capazes, por si, de mobilizar milhões de brasileiros, o texto do novo Código Florestal também tem envolvido intensa batalha ideológica pelos jornais, pela internet, no Congresso e mesmo no âmbito do governo. Na mesa, além das regras relacionadas à proteção das florestas, está o modelo de desenvolvimento a ser adotado pelo Brasil. Enquanto os produtores rurais levantam a bandeira da produção de alimentos, os ambientalistas afirmam que, sem preservação dos recursos naturais e proteção firme às florestas brasileiras, não há como garantir produção sustentável.
Diplomatas e ministros de 193 países aprovaram na última sexta-feira (29) uma série de medidas para a conservação e o uso sustentável da biodiversidade do planeta. O pacote inclui um plano estratégico de metas para 2020, um mecanismo financeiro de apoio à conservação e um protocolo internacional de combate à biopirataria.
Não é mais necessário haver tanta guerra entre o ambientalismo e os produtores rurais. Isso parece uma daquelas loucuras. Fazemos hoje o que era preciso fazer nos anos 80. Ninguém mais pode discutir a integração natureza-agricultura-ser humano.
Nos últimos sete anos o agronegócio brasileiro tem passado por um profundo processo de "estrangeirização". Um estudo inédito do Banco Central revela que de 2002 a 2008, as atividades ligadas ao campo receberam US$ 46,9 bilhões em investimentos diretos estrangeiros (IED). A maior parte do investimento foi empregada na ampliação das operações da agroindústria fornecedora de insumos agropecuários.
Segundo Federica Carraro, da importadora espanhola Sodepaz, estão sendo aplicadas ao comércio justo as regras do mercado neoliberal. Em seu livro, define o comércio justo como um oximoro, ou seja, uma figura de retórica que ocorre quando se unem duas palavras de significado oposto, como em "um silêncio estrondoso", portanto, uma contradição. Mas ao unir as duas palavras, diz o dicionário, pode-se criar um novo significado.
País essencialmente agrícola no passado, emergente na indústria, na tecnologia e no comércio, o Brasil passa, na atualidade, por uma interessante transformação, na qual o Agronegócio se impõe como uma solução para a renda nacional, assim como para a resposta ao mundo, enquanto produtor e exportador de alimentos.