A ruína das altas cotações
Com preços recordes e alta volatilidade, o mercado de café enfrenta tensões entre produtores e exportadores, revelando fragilidades na gestão de risco e nos mecanismos financeiros do setor
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Com preços recordes e alta volatilidade, o mercado de café enfrenta tensões entre produtores e exportadores, revelando fragilidades na gestão de risco e nos mecanismos financeiros do setor
O atual episódio de "imprevistos" atrasos nos pagamentos aos cafeicultores aderentes ao programa de opções públicas denota a precariedade com que as decisões são implementadas, que não raras vezes lançam os crédulos, os cidadãos (no caso os cafeicultores) para sobre verdadeiro solo pantanoso onde seu caminhar é claudicante e os tropeços uma certeza.
Devido à ferrugem, o país está importando cerca de 70% da demanda de café para consumo doméstico.
O governo autorizou há dois meses plantar este tipo de café na região do Pacífico, mas sem abandonar a variante dominante, arábica.
Dificuldades climáticas, falta de seguro agrícola e ineficácia de políticas governamentais levam a dívida dos produtores rurais a se acumular ano após ano. Estimativas apontam que o montante do endividamento já chegou a R$ 140 bilhões.
A recente decisão da Bolsa de Nova York (ICE Futures US Inc.), em maio passado, de retomar o exame sobre a inclusão do despolpado brasileiro no Contrato "C", suscitou mais uma vez forte reação de entidades de países como Colômbia, México e Guatemala sob o costumeiro argumento de que o Brasil, uma vez incluído no contrato, se tornaria um grande produtor desses cafés, o que acarretaria em queda dos preços negociados na Bolsa. Devido a isso, segundo essas entidades, os seus pequenos produtores seriam levados à ruína e, consequentemente, conduzidos ao cultivo de drogas.
O colaborador do CaféPoint Roberto Ticoulat, presidente da Três Marias Exportação e Importação, de São Paulo/SP, enviou um comentário ao artigo "A megalomania da gestão pública e a ruína dos cafeicultores". Ele comenta a falta de planejamento para o setor e aponta o aumento de demanda de café no exterior como ponto importante para a cadeia . Abaixo leia a carta na íntegra.
O avanço de tarifas, sanções e pressões diplomáticas dos EUA reacende o debate sobre soberania, hegemonia e os impactos da disputa geopolítica sobre o café brasileiro
Mais de um século após o Convênio de Taubaté, tarifas dos EUA para o Brasil podem repetir efeitos de valorização, mas com impactos incertos na economia global
O ciclo econômico é um fenômeno reconhecido e estudado por economistas e cientistas sociais já há algumas décadas. Entretanto, poucos são aqueles que conhecem a origem dessa teoria. Foi por meio do acompanhamento sistemático dos preços do café que a hipótese dos ciclos econômicos foi formulada.
Nos últimos anos, os brasileiros se acostumaram com o otimismo de Luiz Inácio Lula da Silva. Inúmeras vezes, nosso ex-presidente utilizou o exemplo da crise de 2008 para salientar o futuro promissor dos países emergentes. Como parte dessa equação, os preços das <i>commodities</i>. Pois bem: relatório da consultoria Oliver Wyman Group aponta os países emergentes, entre os quais o Brasil, como o epicentro da próxima crise econômica global.
A Equipe CaféPoint selecionou os 20 artigos mais lidos do mês de dezembro, proporcionando ao leitor atualização e acompanhamento sobre os principais fatos ocorridos no período. Acesse as matérias e confira!
Esgrimir os dogmas pertence ao ofício do autêntico cientista. Discutir, portanto, a legitimidade da condição inelástica da demanda do café é um assunto por excelência, especialmente, por se tratar de uma caríssima premissa para os pseudoconhecedores desse mercado. A contração observada no mercado de trabalho em escala sem precedente traduzir-se-á em um encolhimento monumental da renda. Sim, há o reconhecimento generalizado de que o consumo de café sofrerá impactos da crise econômica.