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Especialistas traçam perspectivas para o mercado de café

POR NATÁLIA SAMPAIO FERNANDES

MERCADO

EM 07/06/2011

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Durante o evento "Perspectivas para o Agribusiness em 2011 e 2012", realizado pela BM&FBovespa e o MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) no dia 26 de maio, em São Paulo/SP, estiveram presentes para falar sobre as perspectivas do mercado de café, Rodrigo Correa da Newedge (palestrante), Celso Vegro do IEA (moderador) e Octávio Pires, da Louis Dreyfus Commodities Brasil (debatedor).

Celso Vegro acredita que a cafeicultura vem passando por um momento formidável, com cotações em altos patamares, estoques baixos, consumo indo muito bem e qualidade do café melhorando.

Apresentando o cenário do mercado de café de 2010 para cá, Rodrigo Correa aponta que as cotações do café subiram significativamente e os diferenciais foram e estão sendo negociados a níveis bem acima da média histórica. Além disso, ele pondera que os estoques em bolsa estão descendentes e há certa dúvida em relação a recuperação da crise mundial.

"Em 2011 as cotações tiveram a maior alta em 14 anos, sendo que o contrato de segundo vencimento teve a maior alta desde 1977, o que proporcionou aos produtores remuneração mais satisfatória, permitindo que investissem mais em suas lavouras, resultando em recuperação da produção de cafés suaves."

Segundo ele, o efeito do aumento de preços também deve gerar leve aumento da área plantada, uso de estoques, cobertura da indústria aquém do ideial e aperto do fluxo de caixa.

Análise conjuntural

Traçando uma análise do que vem acontecendo neste mercado, Rodrigo afirma que a demanda por robusta aumentou e seu diferencial subiu significativamente, devido à escasses do árabica e alta dos preços desse tipo de café.

Em função disso, foi visto uma substituição gradativa de café da Colômbia e Guatemala, por exemplo.

"A safra grande do Brasil teve menos impacto do que se imaginava porque teve pouco café fino", afirma Rodrigo.

Outra análise feita por Rodrigo é em relação aos consumidores que começaram a ter nova percepção e mudaram o hábito de consumo, bebendo mais café em casa, pagando menos pelo produto.

Para 2011/12, Rodrigo acredita numa tendência de que aumente a porcentagem de robusta nos blends, em função da falta de arábica seu preço valorizado.

"Precisamos de uma safra brasileira maior", exclama ele, explicando que se somados os volumes de venda de café para exportação, com consumo e estoques, sobra muito pouco café em estoque. Além do que os níveis dos estoques, tanto em países produtores como em consumidores, é muito baixo.

Perspectivas futuras

Seguem abaixo os possíveis acontecimento que influenciariam o mercado daqui para frente, positiva ou negativamente.

Pontos positivos

- fundos reduzindo posições compradas e podendo ficar vendidos;
- expectativa otimista em relação a produção mundial;
- com o passar dos anos o período de entressafra tem diminuído;
- demora em mudança política de juros americanos;
- clima favorável.

Pontos negativos

- fundos entrarem fortemente vendidos;
- apreciação do dólar;
- composição dos estoques em bolsa. Como a qualidade não é mais tão boa, as cotações futuras podem não subir tanto;
- Consumo estabilizar ou diminuir;
- subida de juros;
- mudança nos blends, com maior composição de robusta, pode ter afeito negativo para os preços do arábica.

A safra brasileira 2011/12 será menor pelo bianualidade baixa, porém não tanto. Rodrigo destaca que há possibilidade de outras origens recuperarem suas produções, o que elevaria a oferta da commoditie.

Resumindo, ele acredita que o mercado já se ajustou. "Os diferencias caíram e os preços em bolsa aumentaram". "Teremos bons preços, talvez não ótimos", afirma.

Contrato "C"

O fato inédito de o Brasil poder entregar seu café na Bolsa de Nova York, causou certo receio das outras origens, que temem que o Brasil inunde o mercado com seu café, o que causaria queda de preços.

Contudo, Rodrigo deixa claro que apenas serão aceitos na Bolsa os cafés não naturais, ou seja, o volume não é tão elevado assim ao ponto de inundar o mercado.

Até o momento, o diferencial aprovado para entrega do café brasileiro não é atrativo, pois o custo para preparar este café e carregá-lo até lá são maiores, não compensando a entrega.

Como solução para isso, Rodrigo sugere que a BM&FBovespa certifique armazéns nos destinos, colocando armazéns para o Brasil entregar café fora do país.

Visão de Octávio Pires

Complementando o que foi apresentado por Rodrigo Correa, Octávio Pires define a situação como vunerável, devido ao desabastecimento momentâneo de café.

Conforme cita Octávio, com apenas uma florada e meia nas lavouras brasileiras, a maturação está muito uniforme, o que vai contra a estrutura de preparação de CD (cereja descascado).

"É muita carga para a estrutura de preparo de CD."

Para Octávio, os brasileiros tem que se preocupar agora com preço e qualidade.

Diante da atual conjuntura de preços altos, o produtor está em dúvida se com aumento de renda ele aumenta a área de produção, faz mais cereja descascado, diversifica sua produção, entre outras ações.

Octávio acredita que tudo isso irá acontecer.

NATÁLIA SAMPAIO FERNANDES

Engenheira Agrônoma, atuante no mercado de café há 6 anos.
Atualmente, Coordenadora da Área de Produção Agrícola da CNA, contribuindo para o desenvolvimento de Políticas Públicas e do agronegócio.
Blog: https://natadanatalia.wordpress.com/

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FERNANDO KAMENSEK

BATATAIS - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 30/06/2011

Bom dia!! tenho uma negociacao em andamento ,ela pode ser em R$ ou sc de cafe fino, ate 2014 oque vc acha ? qual a melhor opcao com menor risco? obrigado