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Tecnologia é grande aliada na evolução da cafeicultura de Mato Grosso

POR EQUIPE CAFÉPOINT

GIRO DE NOTÍCIAS

EM 05/06/2020

3 MIN DE LEITURA

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A Embrapa Rondônia desenvolveu ações de cultivares clonais de café para os cafeicultores de Mato Grosso, que agora colhem os frutos dos investimentos realizados com a adoção de tecnologias e capacitações voltadas para o desenvolvimento da cadeia. Por meio do programa de revitalização da cafeicultura do Governo de Mato Grosso.

As ações envolveram a introdução de cultivares clonais de café desenvolvidas pela Embrapa, mais produtivo e com melhor resposta aos tratos culturais – antes o plantio era, em sua maioria, por sementes –, foram incentivadas a adoção de técnicas adequadas de manejo de poda, irrigação, adubação e boas práticas de colheita e pós-colheita. Foram disponibilizadas mais de 130 mil estacas de cultivares de café canéfora (robusta e conilon), para a produção de mudas e implantação de unidades demonstrativas e jardins clonais. Isso proporcionou aos produtores a obtenção de materiais genéticos de maior qualidade. Além disso, está sendo realizada a capacitação continuada de técnicos da cadeia do café, que têm multiplicado esses conhecimentos aos produtores no campo.

Para Frederico Botelho, chefe de Transferência de Tecnologia da Embrapa, a capacitação dos técnicos foi o ponto chave da revitalização da cafeicultura no Mato Grosso. “Com foco no processo de atualização do conhecimento dos técnicos para a adoção de tecnologias, eles levaram aos produtores tecnologias e boas práticas que foram adotadas e, com isso, foi possível contribuir com evolução produtiva que estamos vivenciando na cafeicultura do estado hoje”, explica.

Foram capacitados 100 técnicos para atender, atualmente, 50 municípios e mais de 700 produtores são atendidos diretamente pelo programa no estado, ou seja, quase 30% dos cafeicultores do Mato Grosso fazem parte desta ação. Segundo dados do Censo Agropecuário de 2017, o estado conta com 2.600 produtores de café. A espécie cultivada no estado é a canéfora, com as variedades conilon e robustas, assim como plantas híbridas destas duas variedades botânicas.

De acordo com George Luiz de Lima, superintendente de Agricultura Familiar do Mato Grosso (SEAF), o impacto na cadeia produtiva do café já pode ser observado. “Os resultados deste trabalho já podem ser vistos nos dados que mostram tanto a expansão da cultura como o aumento da produção e produtividade. A contribuição da Embrapa com os Robustas Amazônicos em Rondônia foi referência para o Mato Grosso e queremos trilhar este caminho”, afirma George de Lima.

No período de 2015 a 2020, a produção de café no estado aumentou em 34%, chegando a uma estimativa de 168,8 mil sacas para a safra 2020. A produtividade aumentou 171%, saindo de 6,29 sacas por hectare na safra 2015, para uma expectativa de 17,05 sacas por hectares na safra 2020, segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

O produtor rural Lucas Miiller, é um dos pioneiros na cafeicultura no município de Nova Bandeirantes (MT). Há 20 anos ele trabalha com o café, mas conta que só nos últimos anos conseguiu colher os frutos de tanta dedicação. Ele apostou no uso de tecnologias e boas práticas de manejo e o salto foi grande.

Em 2005, a média de produtividade de sua lavoura era de 12 a 15 sacas por hectare e ele tinha, à época, oito hectares com café em produção, de onde ele obteve renda de R$1.800 na colheita. Em 2019, com metade da área em produção – quatro hectares – o produtor atingiu a média de 120 sacas por hectare e obteve mais de R$ 60 mil na colheita. Ele conta o segredo. “É a tecnologia! Eu troquei a lavoura de sementes por clones, comecei a fazer as podas, adubação e irrigação conforme o técnico me passava e deu nisso aí, conhecimento é sempre boa coisa pra gente. Estou conseguindo custear os estudos dos filhos, consegui comprar um carrinho e agora quero dobrar minha área de produção, para oito hectares”, comemora Miiller.

Atuação da pesquisa e transferência de tecnologias

Desde sua criação, em 2015, este programa conta com a parceria da Embrapa, por meio de duas unidades descentralizadas: Embrapa Rondônia e Embrapa Agrossilvipastoril, no Mato Grosso. A partir do Acordo de Cooperação Técnica com a Secretaria de Estado de Agricultura Familiar e Assuntos Fundiários do Mato Grosso (SEAF), têm sido realizadas atividades de pesquisa e validação das cultivares de café desenvolvidas pela Embrapa Rondônia e a implantação de jardins clonais para que os produtores possam ter acesso a mudas com qualidade. O Acordo também tem viabilizado as capacitações de técnicos da Empaer-MT e das secretarias municipais participantes do programa, que atuam na assistência técnica dos cafeicultores. Já foram realizados quatro módulos de capacitação, abrangendo todas as etapas do sistema de produção de café.

As informações são da Embrapa Rondônia (por Renata Silva).

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