Alcides Carvalho: Homenagem a 15 anos de falecimento

Alcides Carvalho dedicou 52 anos de sua carreira de Engenheiro Agrônomo ao estudo da genética e do melhoramento do cafeeiro, cujos resultados estão espalhados em variedades que ocupam 90% das lavouras nacionais e das principais regiões produtoras do mundo.

Publicado por: CaféPoint

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Quem visita o Centro de Café do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), no hall de entrada próximo ao cafezinho, logo vê emoldurada a fotografia de Alcides Carvalho, que empresta o nome ao Centro, bem como à sede do Instituto. No dia 18 de abril se completam 15 anos desde a morte do notável da cafeicultura. Foram 52 anos dedicados ao estudo da genética e do melhoramento do cafeeiro, cujos resultados estão espalhados em variedades que ocupam 90% das lavouras nacionais e das principais regiões produtoras do mundo.

Incontestavelmente, foi ele o líder que colocou o Brasil em situação de destaque, com o desenvolvimento de cultivares mais competitivas e resistentes e com a formação de um dos bancos de germoplasma mais completos do mundo.

Recém formado pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), em 1934, Alcides Carvalho foi convidado a integrar a equipe de Carlos Arnaldo Krug, na antiga Seção de Genética do IAC. Os estudos sobre os mecanismos de reprodução, análises genéticas e citológicas, bem como pesquisas relacionadas à fisiologia e à química do café, o fizeram merecedor de cada prêmio recebido. Entre os títulos e homenagens, foi agraciado com o título de doutor honoris causa pela Esalq e o Prêmio Nacional de Ciência e Tecnologia (1982).

Também foi pelo reconhecimento à sua paixão pela pesquisa cafeeira que foi considerado, por ocasião de sua aposentadoria compulsória em 1983, servidor emérito do Estado, o que permitiu que continuasse por mais 10 anos os estudos e a formação de novos pesquisadores.

Visionário de uma nova época de bonança para a cafeicultura, Alcides Carvalho trabalhava na busca de cultivares com maior potencial de produção contrapondo-se ao contexto onde a problemática era o grande volume de café armazenado. No início da década de 30, milhares de sacas de café eram queimadas ou jogadas ao mar, enquanto o sábio pesquisador desenvolvia um árduo trabalho de melhoramento do cafeeiro. O resultado chegou na década de 50 com o Mundo Novo, na década de 60 o Acaiá, e na década de 70 o Catuaí Vermelho e Catuaí Amarelo, cultivares de porte baixo, rusticidade e alta produtividade, que conquistaram os cafeicultores.

Quando a ferrugem do cafeeiro chegou ao Brasil em 1970, a equipe de Alcides Carvalho estava preparada para o desafio, já que desde 1953 os estudos focalizavam o desenvolvimento de material com resistência ao fungo. O programa de combate à ferrugem contou com material selecionado para diversas regiões produtoras. Os estudos continuaram e, em 1992, um ano antes de sua morte, participou do lançamento de cultivares de porte alto resistentes à ferrugem (Icatu vermelho, Icatu Amarelo e Icatu Precoce).

Se Alcides Carvalho desenvolveu tanto conhecimento numa época em que a tecnologia dava seus primeiros passos, imagina o que o notável pesquisador faria com o genoma do cafeeiro e as modernidades da biotecnologia em suas mãos.

Chão Fecundo

Uma passagem do livro "Chão Fecundo: 100 anos de História do Instituto Agronômico de Campinas" (Carmo e Alvim, 1987), ilustra com mestria o reconhecimento ao mestre maior da cafeicultura brasileira, por ocasião da solenidade de comemoração do centenário do Instituto.
Segue a passagem:

"O velho pesquisador ponderou que preferia ficar na platéia, assistindo à sessão ao lado da mulher...Carvalho foi um dos últimos a ser chamados. Quando Antônio Roque Dechen pronunciou seu nome, ele o fez acompanhar de um qualificativo - "Alcides Carvalho, símbolo do trabalho científico em prol da agricultura". Os aplausos começaram neste instante, mas podiam ser apenas uma manifestação semelhante à que acolhia com gentileza formal todos os integrantes da mesa. Então o mestre de cerimônias acrescentou: Na pessoa de dr. Alcides Carvalho homenageamos toda a comunidade científica do Instituto Agronômico. Foi como uma senha que tivesse o efeito de abrir uma surpresa. Alguém que aplaudia na platéia colocou-se de pé, e logo foi imitado pelos mais próximos. Enquanto o ruído das palmas continuava, novos grupos de pessoas foram-se levantando. Alas e alas repetiram o gesto, até que toda a platéia constituía uma única coreografia de homens e mulheres em pé, aplaudindo com emoção. Alcides Carvalho, no palco, inclinava repetidamente a cabeça, em agradecimento..."

Saudades eternas da comunidade cafeeira.

Assina Cibele Aguiar, da Embrapa Café

Figura 1

Foto: Arquivo IAC
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