FAZER LOGIN COM O FACEBOOK ESQUECI MINHA SENHA SOU UM NOVO USUÁRIO

EDUCAR PARA O CONSUMO

Com a reestruturação da atividade agropecuária, passando da estrutura unidivisional para a sistêmica, é necessário, também, repensar a forma de entendimento e coordenação. A agropecuária precisa ser vista como negócio (agronegócio) no qual as atividades são conduzidas segundo uma finalidade, considerando aspectos técnicos, econômicos, sociais, ambientais, políticos e legais. Para ser entendida como agronegócio, a agropecuária precisa ser conduzida; visar uma finalidade (subsistência, lucro, lazer, etc.) e considerar esses aspectos que foram mencionados. Não importa a forma de condução (familiar ou não familiar), o volume de negócio (pequeno, médio ou grande) ou a finalidade a que se destina.

Não se pode continuar conceituando agronegócio como a sequência que vai da produção de insumo até o consumo, como têm tratado alguns autores que utilizam como conceito de agronegócio a caracterização da estrutura do setor agropecuário. Isto não é correto, tendo em vista que a estrutura e a dinâmica do agronegócio variam de acordo com a região, com o volume de negócio e, mesmo, com a finalidade. Consequentemente, a definição de políticas, bem como de ações a serem implementadas visando incentivo e controle, não pode deixar de se alinhar às características da estrutura e dinâmica do agronegócio.

Outro aspecto a se levar em conta, considerando o conceito, a estrutura e a dinâmica do agronegócio, é o modelo de coordenação. Com a reestruturação do setor, ele passou a exigir um modelo de coordenação focado no consumo e não na produção, como é realizado. O consumo é que deve puxar a produção, e não esta empurrar o produto para consumidor. A escassez de recursos, assim como os altos custos de produzir, nos diz que não se pode perder tempo e nem recursos produzindo além do que é demandado. Nesse sentido, a educação para o consumo, no Brasil, requer um trabalho árduo, por parte das autoridades governamentais. Tarefa que, acredito, seja o principal papel do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), nos próximos anos.

Atualmente, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) é responsável pela gestão das políticas públicas de estímulo à agropecuária, pelo fomento do agronegócio e pela regulação e normatização de serviços vinculados ao setor. O MAPA busca integrar sob sua gestão os aspectos mercadológico, tecnológico, científico, ambiental e organizacional do setor produtivo e também dos setores de abastecimento, armazenagem e transporte de safras, além da gestão da política econômica e financeira para o agronegócio. Com a integração do desenvolvimento sustentável e da competitividade, o MAPA visa à garantia da segurança alimentar da população brasileira e à produção de excedentes para exportação, fortalecendo o setor produtivo nacional e favorecendo a inserção do Brasil no mercado internacional.

Para atingir seus objetivos, o MAPA conta com uma estrutura fixa de cinco secretarias, 27 superintendências estaduais e suas respectivas unidades, uma rede de seis laboratórios, além do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), que abrigam cerca de 11 mil servidores espalhados por todo o Brasil.

Acontece que a forma de coordenação continua focada na produção, o que gera dificuldades operacionais e administrativas em face de, muitas vezes, não existir alinhamento entre os agentes da produção com o consumo. Isso é prejudicial a todos. Com a coordenação via consumo, principalmente pela educação, a população passará a ser um grande aliado do MAPA na execução das políticas voltadas par a segurança, a preservação ambiental e o desenvolvimento social. O consumidor será o principal fiscal da qualidade, da segurança e da responsabilidade dos agentes, cabendo aos profissionais do Ministério a tarefa de coordenação, agindo, assim, como maestro de um agronegócio brasileiro com qualidade e segurança.


Antonio Carlos dos Santos
Engenheiro Agrônomo, mestre e doutor em administração, graduando em direito, professor do Departamento de Administração e Economia da UFLA
Coordenador do GECAP - Grupo de estudos em Gestão de Cadeias Produtivas
Contato: acsantos@dae.ufla.br




4

DEIXE SUA OPINIÃO SOBRE ESSE ARTIGO! SEGUIR COMENTÁRIOS

5000 caracteres restantes
ANEXAR IMAGEM
ANEXAR IMAGEM

Selecione a imagem

INSERIR VÍDEO
INSERIR VÍDEO

Copie o endereço (URL) do vídeo, direto da barra de endereços de seu navegador, e cole-a abaixo:

Todos os comentários são moderados pela equipe CaféPoint, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração. Obrigado.

SEU COMENTÁRIO FOI ENVIADO COM SUCESSO!

Você pode fazer mais comentários se desejar. Eles serão publicados após a analise da nossa equipe.

ROSELI G. CONDE VASCO DE TOLEDO

AMPARO - SÃO PAULO

EM 28/08/2013

Muito bom seu artigo. Realmente o produtor tem que ficar atento às tendências do mercado consumidor e buscar oportunidades. O que percebemos é que as instituições de apoio técnico e pesquisa estão dispersas, não há comunicação horizontal nem entre os elos da cadeia, portanto difícil estabelecer políticas coerentes e convergentes.
Não podemos esquecer a preponderancia da agricultura de pequeno porte onde o principal gargalo é comercialização nesse rearranjo de mercado e ferramentas de proteção de risco. Como nos transformarmos de produtores em administradores?
MARA FREITAS

LAVRAS - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 23/08/2013

Gostei do texto, mas o senhor não escreveu sobre barreiras fitossanitárias e laboratórios, os dois principais gargalos para o bom êxito das cadeias agroindustriais brasileiras.

Bom ler suas escrituras (raras), fora da academia.
MARKETING E COMPORTAMENTO DO CONSUMIDOR

LAVRAS - MINAS GERAIS

EM 21/08/2013

Nome: Helga Andrade
Email: helga.barista@gmail.com
Telefone: (31) 9921-2111
Mensagem:

Texto muito interessante, professor!

Acredito que o alinhamento entre as extremidades da cadeia pode ser muito favorecido pela parceria entre pesquisadores, propondo discussões transversais como esta.

E tão importante quanto, é despertar a atenção dos envolvidos no agronegócio para a reflexão e reivindicação quanto à forma como as políticas são estabelecidas.

Abraço,

Helga Andrade
Turismóloga e Barista
Participante do GECOM e do GECAP
MARKETING E COMPORTAMENTO DO CONSUMIDOR

LAVRAS - MINAS GERAIS

EM 21/08/2013

Nome: paulo césar de souza
Email: ecommerce.cafedafeira@hotmail.com
Telefone: (34) 9139-3431
Mensagem:

Um bom entendimento da cadeia de agronegócio , em especial produção voltada para o consumo, resultara em maior eficiencia em todas as etapas produtivas do agronegócio.