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Blends, robustas e arábicas: Uma questão de posicionamento

POR LUCIO CALDEIRA

LUCIO CALDEIRA - CAFÉ E ESTRATÉGIA

EM 30/07/2013

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Tudo indica que o artifício do blend (mistura) tenha surgido como o whisky. Inicialmente, o whisky era vendido como single malte e era feito com malte de uma única destilaria. Entretanto, em 1853, uma das principais produtoras vendeu volume superior à sua capacidade de produção e para cumprir o acordo, comprou malte de vizinhos e os misturou ao seu. Essa foi a primeira de muitas experiências que resultaram na criação dos blends. Atualmente, os Blended Scotch Whisky, que são o resultado da mistura de malte whisky e whisky de grão, respondem por algo próximo a 90 % das vendas mundiais da bebida.

No caso do café, é necessário lembrar que até 1865, o consumidor europeu e norte americano adquiria grãos verdes de origens diversas e as torrava em casa. Após esse período, o café passou a ser vendido torrado e em pacotes. Essa mudança propiciou o aumento do consumo e permitiu a formação dos blends. O café, assim como o whisky, passou a ser vendido sob a forma de misturas.

O blend, do ponto de vista do torrefador, sempre foi um grande trunfo. Primeiro porque a mistura de diferentes tipos de cafés sempre foi comunicada como uma espécie de alquimia. Vendeu-se a ideia de que os blends são feitos para proporcionar uma experiência de sabor e qualidade única. Dessa forma, o blend era uma espécie de segredo guardado a sete chaves. Havia na mistura a mística necessária para se vender café com glamour; e durante anos, a propaganda dos grandes torrefadores tinha por objetivo convencer o consumidor de que o seu blend era superior. Além disso, havia o argumento de que os blends são a garantia de padronização do produto. As misturas seriam feitas de modo a evitar mudanças que pudessem ocorrer em função de alterações nas condições climáticas, comuns no caso dos vinhos, que por essa razão são vendidos e precificados em função de suas safras. Por tudo isso, o blend era visto como melhor e mais completo pois combinava sabores, aromas, acidez e corpo de forma a produzir o café perfeito.

Porém, o que ocorre de fato é que os blends são a ferramenta ou instrumento de um grande negócio. Os 'alquimistas' do café misturam grãos melhores com grãos inferiores com o objetivo de reduzir seus custos. Por sua vez, custos menores representam maiores lucros e cabe aos 'alquimistas' controlar para que a qualidade caia até níveis aceitáveis e/ou imperceptíveis. Associado a tudo isso, existe o trabalho dos homens de marketing. A propaganda, a embalagem, os slogans e as marcas são trabalhadas a fim de agregar valor ao produto. Essa é a fórmula do lucro: os 'alquimistas' reduzem custos via blends e os marketeiros aumentam o preço via propaganda e construção de marca.

Por fim, o blend significa flexibilidade. A mística fez com que fosse guardado a sete chaves e por isso o consumidor não sabe o que está consumindo. Esse fato encobre um outro aspecto dos blends. As misturas são modificadas segundo alguns critérios – 'segredos dos magos', e isso reduz a dependência do torrador em relação a um determinado tipo de café ou origem.

Em síntese, o blend foi o grande achado do mercado de café. Ele garantiu, durante anos, o lucro de poucos e a dependência de muitos. Os poucos são os torrefadores e os muitos são os produtores, que ficam 'presos' dentro da estrutura do mercado.

Mais recentemente, a situação agravou-se ainda mais. Entre os anos de 2006 a 2012 a participação de cafés robustas cresceu 10% nas importações globais dos países importadores. Passou de 32% para 42% do total de café importado. Isso significa que o torrefador internacional substituiu cafés arábicas (de melhor qualidade) por cafés robustas (inferiores com custo bem mais baixo). O resultado foi aumento de lucro do setor industrial e redução de preços e, automaticamente margens, dos produtores de cafés arábicas.

Essa mudança estrutural foi profunda e creio que o caminho para os produtores de cafés arábicas é criar uma propaganda educativa em nível mundial no sentido de criar o conhecimento real sobre os blends. O consumidor mundial de café precisa conhecer sobre café. Precisa saber a diferença entre um blend composto por arábicas e robustas e um café 100% arábica. Sem esse conhecimento, não há como ocorrer uma mudança de comportamento em favor do 100% arábica.

A pergunta que fica é: a responsabilidade por divulgar o 100% arábica é dos países produtores de cafés arábicas (de qualidade superior) ou dos torrefadores internacionais, que ganham com o artifício dos blends entre arábicas e robustas?

O presente artigo compõe o recém lançado livro Revoluções no Café, de autoria do colunista Lúcio Caldeira.

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LUCIO CALDEIRA

Mestre em Estratégia, prof. de Mkt e Planejamento Estratégico do Unis-MG e escritor. Comentarista na TV da Alterosa/SBT - Café com TV. Doutorando em Administração na Ufla, participante do Gecom e consultor de Mkt pela Foco Soluções Empresariais.

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ROSIMEIRI APARECIDA BUZZETI

JACAREZINHO - PARANÁ - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 28/11/2013

É só implementar a rotulação do cafe, que acaba esta briga (Arábica X conilon). Eu  só não sei porque o produtor de conilon tem medo de rotular o café torrado e moído!!!  Seria muito bom pra cafeicultura a ROTULAÇÃO DO CAFE!!!
MARCO A. CAMPOS

PERDÕES - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE INSUMOS PARA A PRODUÇÃO

EM 13/08/2013

Senhores... O Estado não tem mais espaço para controlar preços! E cuidado quando interfere, nem sempre traz bons resultados.

Quando começa essa discussão, os oportunistas adoram.



Temos que ter cuidado, não é interessante para ninguém qualquer um da cadeia perder rentabilidade, produtor, exportador, indústria. Todos são muito importantes na cadeia de consumo.



Precisamos de todos fortes, para não perdermos espaço para os produtos substitutos, sucos, achocolatados, leites com sabores, etc.

A perda de rentabilidade do produtor de arábico é um fato preocupante! Precisamos achar a solução, sem destruir uns aos outros, conillon x arábica.



Lembre...  existem blends fantásticos de cafés arábicos, como também existe com o conillon.



Não podemos esquecer, que, quem defini o que vai consumir, é o próprio consumidor.



Precisamos achar, é, a solução para reduzir o custo da produção do café arábico.



Essa será a solução para que a paz volte ao "campo".
AYLTON PIONA COUTINHO JUNIOR

JOÃO NEIVA - ESPÍRITO SANTO - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 13/08/2013

Srs.,

Colegas produtores de conillon...o Incaper já informou a constituição clonal das variedades diamante, jequitibá e centenária.

Teoricamente não precisaremos esperar até meados de 2015 para termos estas variedades em nossas lavouras .

procure o escritório do Incaper de sua região e converse com seu técnico regional.

Sds.,


CARLOS ALBERTO DE CARVALHO COSTA

MUQUI - ESPÍRITO SANTO - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 13/08/2013

Boa Sr. Adriano Rabello, eu concordo totalmente com vc e o mais importante de tudo é que estou gostando muito da união dos  produtores de conilon, coisa que até pouco tempo atrás a gente nem pensava em conseguir. O pessoal para alavancar o preço do arábica, metia o pau no nosso conilon e com isso o tiro seiu pela culatra, pois agora estamos mais unidos que nunca
ADRIANO RABELLO

COLATINA - ESPÍRITO SANTO

EM 13/08/2013

CAFÉ ARÁBICA 70%. CONILON 30%.

EM POUCO TEMPO. CAFÉ ARÁBICA 30%. CONILON 70%.
AYLTON PIONA COUTINHO JUNIOR

JOÃO NEIVA - ESPÍRITO SANTO - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 10/08/2013

Srs.,

O momento da cafeicultura é para união...embora estejamos caminhando para uma produção de conillon de altíssima qualidade - ATESTADA PELO INCAPER-ES com estas novas variedades descritas com todo o mérito pelos Srs.carlos Alberto e Bento Venturim ,; atestam também estas novas variedades a NESTLÉ e  laboratórios.internacionais.



Temos também níveis altíssimos de produção por hectare (até 200 sc/pilados hectare)até hoje impraticados para a produção do arábica, bem como nosso custo de produção é ligeiramente menor.



Ou seja não será a solução do problema jogarmos pedras uns nos outros... Acredito que o mercado continuará com possibilidades para todos, necessitamos de políticas claras, apoio e um excelente trabalho de marketing para criarmos mais espaço para nossos produtos, seja o melhor arábica ou o melhor conillon.
SEBASTIÃO RODRIGUES BARBOSA DE CASTRO

JUNDIAÍ - SÃO PAULO - PROVA/ESPECIALISTA EM QUALIDADE DE CAFÉ

EM 09/08/2013

Entra no meu face e vamos conversar por lá, terei o maior prazer em receber suas amostras e degustá-las.

https://www.facebook.com/sebastiao.castro.12
BENTO VENTURIM

SÃO GABRIEL DA PALHA - ESPÍRITO SANTO - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 09/08/2013

Melhorou bem e já podemos conversar.  Se  quizer, favor me dizer o endereço e vou lhe mandar  amostras de café para você provar e publicar os laudos com notas  reconhecidas internacionalmente. Bom dia.
SEBASTIÃO RODRIGUES BARBOSA DE CASTRO

JUNDIAÍ - SÃO PAULO - PROVA/ESPECIALISTA EM QUALIDADE DE CAFÉ

EM 08/08/2013

Bom creio que os senhores estejam certos sobre a SUPREMACIA  do conilon!

Marketing serve pra isso mesmo, tentar resaltar ao publico o que há de melhor no produto."desde que isso sejá realmente reconhecido pelo publico"



Já provei e continuo provando cafés de varias partes do Brasil e do mundo, e venho a vocês senhores Bento e Carlos dizer que tambem sou um grande defensor dos nossos conilons, e sim sei que muitos produtores prezam pela qualidade e integridade de seus cafés, e que com certeza a qualidade do conilon está melhorando muito, mas apelar para dizer que um café lembra frutas vermelhar, e ainda lembra notas carameladas, isso senhores é puro marketing, marketing que o arábica exagerou muito.

Concordo que um café tenha notas adocicadas, acidez e fermentações que podem "lembrar" sabores frutados.



"A necessidade básica do coração humano durante uma grande crise é uma boa xícara de café quente."  (Alexander King)








CARLOS ALBERTO DE CARVALHO COSTA

MUQUI - ESPÍRITO SANTO - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 07/08/2013

Boa Bento Venturim, mata a cobra e mostra o pau
BENTO VENTURIM

SÃO GABRIEL DA PALHA - ESPÍRITO SANTO - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 06/08/2013

Para pensar

"Nós somos o que repetimos. Excelência não é um ato, é um hábito." Aristóteles



(este deve ser a proposta  do Sebastião)
BENTO VENTURIM

SÃO GABRIEL DA PALHA - ESPÍRITO SANTO - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 06/08/2013

Então durma ....  INCLUSIVE, CARAMELADO.



Penso até que um provador de café, escrever um comentário destes, precisa revisar seus conceitos... e quem o contrata para tal mistér, abra o olho.  Atualize-se Sebastião Castro.



Obs:  quem se propõe a cortar coisas suas fora, deve  estar sem utilidade....
SEBASTIÃO RODRIGUES BARBOSA DE CASTRO

JUNDIAÍ - SÃO PAULO - PROVA/ESPECIALISTA EM QUALIDADE DE CAFÉ

EM 05/08/2013

O dia que vocês conseguirem produzir um café conilon, com aroma e sabor superior a um arabica corto o meu fora...

Isso de café conilon com sabor achocolatado, com retro gosto adocicado, toques de frutas vermelhas e frutado é conversa pra boi dormir....
CARLOS ALBERTO DE CARVALHO COSTA

MUQUI - ESPÍRITO SANTO - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 05/08/2013

Senhores produtores de café arábica. Eu acho que os senhores deveriam parar com essa discussão de Arábica X conilon , pois isso não chegará a nada. O pior para o produtor de arábica é que no estado do Espirito Santo já estão sendo lançadas novas variedades de café conilon (Diamante, Jequitibá, Centenária) que além da altíssima produtividade produz uma qualidade superior de bebida, apresentando as características de sabor e aroma que remete ao chocolate-cacau, retrogosto adocicado, toque de frutas vermelhas e frutado. Devemos nos unir para brigarmos juntos por preços melhores, pois a INCAPER do ES está a mil anos na frente de todos e não é bom para ninguém essa picuinha ridícula, pois dessa maneira poderemos em um curto espaço de tempo produzir um café conilon melhor do que o arábica.
JAENE ANANIAS

DIVINOLÂNDIA - SÃO PAULO - COMÉRCIO DE CAFÉ (B2B)

EM 01/08/2013

Bom dia a todos.

Se a cafeicultura for esperar alguma coisa dos GOVERNANTES nos estamos todos mortos. Senhores amigos produtores precisamos é parar de oculpar capãozinho de terra perdido em planta de café deixa formar pasto.O mercado é nada mais do que oferta e procura. E que DEUS nos ajuda.
EDUARDO HERON SANTOS

SÃO PAULO - SÃO PAULO

EM 31/07/2013

Prezado Lucio Caldeira,



É inegável o crescimento do robusta no mundo, porém, falta em sua análise a informação dos mercados que aumentaram a demanda pelo robusta. Segundo os dados preliminares contidos no relatório "Coffee Market Report June, 2013", publicado pela Organização Internacional do Café (OIC), a taxa média de crescimento do consumo foi estimada  em 1% nos países tradicionais, 5,6% nos mercados emergentes e 3% nos países produtores, no período de 2009 a 2012. Cabe destacar que nos mercados que mais apresentaram crescimento, os emergentes e produtores, é sabido que o solúvel  foi (e continua sendo) um dos gandes responsáveis por este aumento e que, portanto, justifica em partes, o incremento do consumo de café robusta nos ultimos anos, pois esta variedade é a principal matéria prima dos cafés industrializados solúveis. Acredito sim, que houve uma mudança na formação dos blends, mas acho importante analisar nos relatórios que a OIC divulgará em agosto do corrente, para tentar entender com mais clareza esta questão.



Sds,
JULIANA PARRA

JAÚ - SÃO PAULO - MÍDIA ESPECIALIZADA/IMPRENSA

EM 31/07/2013

Parabéns pelo artigo. Acho que que aos consumidores precisam saber, sim, o que estão tomando. E aí fica a critério dele, ou seja, se quiser continuar tomando café robusta, que assim o faça. Se preferir o 100% arábica, tem todo o direito!
BENTO VENTURIM

SÃO GABRIEL DA PALHA - ESPÍRITO SANTO - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 31/07/2013

Edivan, o "mestre"  Lucio Caldeira é professor de  MKT e , pelos artigos que escreve, que nem mesmo os seus conterraneos e produtores de  arábica concordam com ele, não  quer entender o CONSUMIDOR.  Penso que nós da produção, precisamos exigir de nossas cooperativas e industria que não deixem nosso produto sair do pais sem valor agregado,  sem ser industrializado.  E quanto às misturas, precisamos entender que hoje bebemos café conilon puro com notas entre 8 e 9 (na xicara). Podemos até misturar  arábica em 10  ou 20% . Não precisa ser na proporção de 70% como você mencionou.  O professor Lucio, não deve saber  o que está acontecendo  fora de Varginha  embora saiba tudo de whisky  e suas misturas.  Quem sabe ele dá a dica de qual ele gosta mais?
ARLINDO DUARTE

VIAMÃO - RIO GRANDE DO SUL

EM 31/07/2013

É ISSO MESMO SR. CALDEIRA  SE NÃO SE CONHECE O CAFÉ COMO VAI PEDIR UM,

SE CHEGA A UMA CAFETERIA E EXPRESSO POR FAVOR ELES COLOCÃO QUALQUER COISA E DIZ  ISTO É CAFÉ TAL, COMO VOU SABER SE NÃO CONHEÇO NÃO TENHO CONECIMENTO DO PALADAR DO CAFÉ QUE ESTA ME SERVINDO,



O CAFEICULTOR TEM QUE INVESTIR NESTA ASSISTÊNCIA AO CONSUMIDOR, SOMOS UM DOS PAISES QUE MAIS PRODUS CAFÉ
EDIVAN F. MORGAN

VILA VALÉRIO - ESPÍRITO SANTO - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 30/07/2013

Parabéns ao Sr. Jonas Torres pelo seu comentário inteligente e certeiro!

Caro Lucio Caldeira, o seu café é para poucos. O povo mundial toma café com  açúcar e pão, café com creme, etc. Aquela xícarazinha  com arábica puro é intragável.



Um copo duplo de café com leite é delicioso, só que o café tem que ser misturado! 70% de arábica e 30% de conilon. Ë o que o povão gosta.