Os danos causados pela cercosporiose decorrem da perda das folhas das plantas, que chega até a provocar seca de ramos laterais, especialmente em cafeeiros com carga alta. Nos frutos, a doença causa sua queda nos vários estágios de seu crescimento e sua maturação é acelerada, havendo aumento dos grãos chochos e mal granados e perdas no rendimento (coco/beneficiado), no tipo e na bebida do café.
A cercosporiose é, normalmente, considerada uma doença secundária no cafeeiro e sua gravidade está ligada à condição de fraqueza das plantas, por deficiências nutricionais, reais ou induzidas, principalmente de nitrogênio. As situações mais comuns de indução estão ligadas a períodos de stress hídrico, de muito calor, de solo com impedimentos ou em lavouras com sistema radicular deficiente. Cafeeiros com maturação precoce e com carga alta ficam mais sujeitos à cercosporiose.
Para o controle da cercosporiose, além das práticas culturais adequadas, como a adubação e outras, que visam fortalecer as plantas, é indicado o controle químico com aplicações de fungicidas. Existem poucos trabalhos de pesquisa sobre a época dessas pulverizações. Neles, os resultados mostram que as aplicações devem ser mais preventivas. O programa de época que resultou em maior eficiência de controle foi o que abrangeu o período nov/dez a fevereiro, com 2 a 3 aplicações (tabela 1), sabendo-se que a doença evolui a partir do início da granação dos frutos, que ocorre cerca de 80 a 100 dias pós-florada. Isto porque a gravidade da doença aumenta com o deslocamento de reservas, das folhas para os frutos, aumentando a susceptibilidade da folhagem. A ação preventiva dos tratamentos também é necessária porque os fungicidas indicados não têm efeito sistêmico ou curativo contra a cercospora, especialmente quando a doença atinge os frutos.
Como o período de controle da cercosporiose coincide, em boa parte, com a evolução da ferrugem, os programas de aplicação de fungicidas usados atualmente procuram associar ativos para as duas doenças e abrangem aplicações de dezembro ao final de março/início de abril. As formulações mais utilizadas combinam uma estrobilurina e um triazól. A estrobilurina tem ação contra a cercosporiose e sobre a ferrugem, e o triazól apenas contra a ferrugem. A associação de um fungicida cúprico também é indicada, pela sua eficiência contra as duas doenças e sua característica de efeito protetor e largo residual, sua ação tônica e nutricional e sua contribuição para reduzir problemas de resistência dos fungos.
O sistema indicado para o controle da ferrugem prevê de 2 a 3 aplicações foliares de formulação de fungicidas por ciclo. Para a melhor ação contra a cercosporiose, o ideal seria contar com as três aplicações. As duas primeiras devem cobrir o período de dezembro a fevereiro e coincidem bem com a época de controle da cercosporiose. A última aplicação, em final de março ou abril, muito útil contra ferrugem, já fica tardia e pouco adianta para o controle da cercosporiose, especialmente nos frutos. Um ensaio recente mostrou que nessa aplicação mais tardia, para ferrugem, as formulações usuais (triazól + estrobilurina) pouco ajudam no controle da cercosporiose em frutos. A combinação de um fungicida cúprico, pela sua ação protetiva, esta sim contribui para uma redução do ataque da cercosporiose (tabela 2).
Em regiões ou situações de lavouras mais sujeitas a cercosporiose, é importante ter maior cuidado com essa doença. Assim, indica-se, ao menos em uma das aplicações iniciais para o controle simultâneo da ferrugem incluir, também um fungicida cúprico, ou então reforçar com uma dose de estrobilurina.
Tabela 1- Percentagem de infecção de cercosporiose em frutos de cafeeiros por efeito da época de aplicação de fungicida cúprico - Vitória da Conquista (BA), 1980
Tabela 2- Incidência de cercosporiose em frutos de cafeeiros (em %) amostrados na terceira e quarta roseta, por efeito da aplicação final (em março/2021) de combinação de fungicidas - Varginha (MG), 2021
Lesões de cercosporiose em folhas de cafeeiros, as típicas, com halo amarelado e centro mais claro (esq.), as lesões negras, sem halo (centro) e os frutos atacados com lesões mais novas, pequenas e mais velhas e maiores (dir.)