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Boa resposta à irrigação em cafeeiros na Mogiana Paulista e diferencial entre variedades

POR JOSÉ BRAZ MATIELLO

FOLHA PROCAFÉ

EM 11/01/2022

3 MIN DE LEITURA

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Em pesquisas conduzidas nos últimos anos na região da Alta Mogiana Paulista, verificou-se uma resposta muito positiva da irrigação no aumento da produtividade dos cafeeiros, sendo que o diferencial produtivo pela irrigação se mostra maior para a cultivar mundo novo, em comparação com a catuaí.

A região da Alta Mogiana no estado de São Paulo, cujo polo é a cidade de Franca, possui uma área de cerca de 60 mil hectares de lavouras de café, conduzidas com bons níveis de tecnologia e, por isso, os cafezais apresentam, em condições normais, bom potencial produtivo. Porém, nos últimos anos, a ocorrência de déficits hídricos mais acentuados tem trazido perdas significativas na produtividade dos cafeeiros.

Na figura 1 podem ser observadas as curvas de déficit hídrico dos últimos 5 anos, em área da Fazenda Experimental da Fundação Procafé, em Franca, a cerca de 1.000 m de altitude. Verifica-se que, na curva da média normal, registrada entre 2014 e 2020 (linha vermelha), ocorrem deficiências de água no solo de julho até novembro, chegando a acumular quase 150 mm de déficit. Nas curvas dos últimos 5 anos, observa-se que, em todos os anos, a condição de disponibilidade de água no solo esteve inadequada, ora atingindo o déficit muito cedo, como em 2018, ora com menor período de déficit, porém superando 150 mm (2017), ora com período de déficit estendido (2019) , e, principalmente, com déficit muito severo, atingindo mais de 300 mm (2020 e 2021).

No ensaio com 18 materiais genéticos ou cultivares diferentes de cafeeiros, comparados com e sem irrigação, estão disponíveis resultados de 5 safras. Verificou-se que na média de todos os materiais e das 5 colheitas, o aumento produtivo pela irrigação foi de 20 scs/ha, correspondente a um acréscimo de 60%. Na comparação da média de produtividade de três cultivares de cafeeiros mundo novo em relação a três de catuaí, verificou-se que o diferencial pela irrigação foi de 93% a mais no mundo novo e somente 44% a mais para o catuaí, indicando a maior tolerância do catuaí aos estresses hídricos. Entre os novos materiais ensaiados, o acauã novo foi o menos responsivo à irrigação, com somente 21% a mais na produtividade na área irrigada.

Em ensaio mais recente, na Fazenda Experimental de Franca, com estudo em andamento de diferentes lâminas de irrigação, verificou-se que, em função dos déficits hídricos severos dos dois últimos anos, e se tratando de cafeeiros nas primeiras safras, as parcelas das plantas testemunha, não irrigadas, tiveram a folhagem quase totalmente queimada. Nas parcelas com lâmina de 50% (de reposição da evapo-transpiração), houve uma desfolha em nível maior, porém as plantas resistiram, sem queimas, e na reposição de 100% as plantas se mostraram bem enfolhadas e com boa perspectiva de produção na próxima safra. Como este ensaio compreende duas cultivares (catuaí amarelo IAC 62 e MN IAC 379/19), foi possível observar, inicialmente, que o catuaí se comportou melhor, mesmo com lâminas menores. As fotos nas figuras 2 e 3 ilustram as parcelas desse ensaio.

Pode-se concluir que existe boa resposta à irrigação em cafeeiros nas condições da região da Mogiana Paulista, função da ocorrência de déficits hídricos significativos. Logicamente, as respostas podem variar a cada ano, dependendo do regime de chuvas. Verifica-se, ainda, que existem diferenças no comportamento de cultivares em relação a essa resposta, ou seja, alguns apresentam mais tolerância ao déficit.


Figura 1- Curvas de disponibilidade de água no solo, em Franca (SP), a cerca de 1.000 m de altitude, nos últimos 5 anos. Fonte: Estações de Aviso, Fundação Procafé


Figura 2- Parcelas de cafeeiros da cultivar MN IAC 379/19 do ensaio de lâminas de irrigação, na Fazenda Experimental de Franca. Da esquerda para direita: a parcela testemunha, a da lâmina de 50% e a de 100%


Figura 3- Parcelas de cafeeiros da cultivar catuaí amarelo IAC 62, do ensaio de lâminas de irrigação, na Fazenda Experimental de Franca. Da esquerda para direita: a parcela testemunha, a da lâmina de 50% e a de 100%

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