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Boa recuperação de lavouras novas de café no pós-geada

POR JOSÉ BRAZ MATIELLO

FOLHA PROCAFÉ

EM 11/05/2022

3 MIN DE LEITURA

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As lavouras de café no pós-geada, em geral, tiveram boa recuperação, mesmo as áreas afetadas com cafeeiros ainda jovens.

As geadas que atingiram as regiões cafeeiras em julho de 2021 foram bastante extensas. Na região Sul de Minas, levantamentos efetuados mostraram que cerca de 20-25% do parque cafeeiro foi afetado. O fenômeno atingiu as plantas em diferentes graus, conforme a sua situação em relação ao relevo. Também atingiu cafeeiros de diferentes idades em lavouras novas e adultas.

As lavouras jovens de café, em formação, ficam mais sujeitas aos efeitos de queima pelo frio das geadas. Isso porque as plantas novas se desenvolvem próximas ao chão, onde o ar frio se acumula, portanto, com temperaturas mais baixas nessa região. Também, por não contarem com a proteção da folhagem e ramagem da sua copa, inexistente ou ainda pequena, a ação do frio tem mais facilidade de atingir o tronco dessas plantas novas. Assim, os cafeeiros jovens atingidos de forma severa precisam emitir brotos saídos do tronco para recompor a copa, sendo que pode ocorrer morte de plantas.

Na situação em que áreas de cafeeiros novos foram atingidas por geada, os produtores ficam preocupados com os prejuízos e, no primeiro momento, consideram a alternativa de passar o trator sobre a lavoura e plantar tudo novamente. No entanto, a experiência acumulada mostra que é preciso esperar, por cerca de dois meses, para que as plantas mostrem sua capacidade de rebrota. Com os brotos saindo na parte baixa do tronco, inicialmente eles devem ser mantidos, e, então, quando estiverem com cerca de 10-15 cm de altura, faz-se a desbrota, conduzindo o número desejado de brotos por planta. As plantas que não apresentarem brotação, pois morreram, devem receber replantio o quanto antes possível para que haja maior uniformidade no crescimento das plantas na lavoura.

Um exemplo de lavoura jovem atingida por geada é aqui mostrado através das fotos em seguida. Trata-se de uma área no Sul de Minas, com plantio das variedades catucaí 24/137 e catuaí, cujos cafeeiros se encontravam com oito meses de campo, por ocasião da geada de 2021. Pode-se observar que as plantas ficaram completamente queimadas (figura 1A). Dois meses depois, grande parte dessas plantas já iniciou a brotar (figura 1B e C). As brotações foram conduzidas deixando um só broto por planta, reformando a lavoura, que pode ser observada com a nova copa formada, em março/22, na figura 2. As plantas que morreram foram replantadas (figura 3). Resta, agora, um problema de amarelecimento de algumas plantas que foram menos atingidas por geada e que passaram a apresentar um amarelecimento geral e, ao se cortar o tronco, bem próximo ao solo, verifica-se uma coloração escura nos lenhos, problema diferente da canela de geada, pois nesse caso a casca do tronco fica verde e a morte de tecidos ocorre apenas internamente (figura 4).

O exemplo apresentado deixa três lições: a primeira é que é possível recuperar plantas jovens atingidas por geada aproveitando suas brotações, combinando com replantio de folhas; a segunda é que plantas menos atingidas podem apresentar sequelas do frio por queima parcial interna de tecidos; a terceira se resume na constatação - a proteção por chegada de terra junto ao tronco dá maior chance de proteção de gemas, na parte baixa do tronco, de plantas jovens de café.


Figura 1- Plantas de café queimadas pela geada quando tinham 8 meses de idade (A). Dois meses depois, a grande maioria das plantas já emitiu brotações baixas saídas do tronco (B e C) - Divisa Nova (MG)


Figura 2- Lavoura reformada a partir da condução de brotos que saíram do tronco após as plantas serem atingidas por geada - Divisa Nova (MG), março/22


Figura 3- Pode-se observar plantas rebrotadas e algumas replantas já bem crescidas (esq.). À direita, pode-se observar planta amarelada ao lado de planta normal


Figura 4- Arrancando as plantas amareladas e, ao examinar o caule, verifica-se queima parcial na região dos vasos que, agora, provoca má translocação da seiva e consequente amarelecimento e até morte das plantas. Esse problema parece estar relacionado com uma sequela da geada, diferente do que é conhecido como “canela de geada”, que chega a apresentar queima da casca, roletando todo o tronco da planta

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