Um dia de cada vez

Marcelo Fraga aponta mais uma semana com o mercado "de lado", com 680 pontos de amplitude no setembro/2021 (máxima 139,45 e mínima 132,20 centavos de dólar por libra-peso)

Publicado por: CaféPoint

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Por Marcelo Fraga Moreira*

A semana (15 a 19/03) começou com o mundo aguardando a “quarta-feira D” (o dia do anúncio da decisão dos juros americanos e dos juros brasileiros). O FED manteve a taxa básica de juros entre 0-0,25% e o Banco Central do Brasil aumentou os juros em +1,50% em 2 etapas (0,75% na quarta-feira e mais 0,75% no próximo mês de maio-21). A inflação no Brasil segue elevada com o IGPM subindo +28,94% nos últimos 12 meses e o índice oficial do governo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) já atingindo +6,22% (a meta da inflação para o Banco Central brasileiro para 2021 era de +3,40%).

Com essas medidas esperava-se uma valorização forte do real frente ao dólar e suporte nas cotações do café na bolsa de Nova York. Infelizmente a valorização do real foi tímida (apenas +3,34% enquanto o café caiu -5,20% - uma perda aproximada de 85 R$/saca). Os juros americanos de 10 anos continuaram subindo, ultrapassando os 1,70% ao ano, fortalecendo o US$ frente às demais moedas globais e, mesmo com 3 leilões do Banco Central Brasileiro, o R$ trabalhou a semana entre 5,49-5,68 R$/US$.

Nos 3 primeiros dias da semana o setembro/2021 beliscou a importante resistência dos 50 dias a 141,40 centavos de dólar por libra-peso, chegando a negociar no high da semana em 139,45 centavos de dólar por libra-peso. O volume médio diário ficou abaixo dos 32 mil lotes negociados (na “quarta-feira D” apenas 21.500 lotes).

Da mesma forma que tivemos notícias positivas, como por exemplo a publicação da Green Coffee Association informando a redução dos estoques em -8,3% para 5,8 milhões de sacas e a redução no ritmo das vendas por parte dos produtores da Indonésia e Vietnã (em função do feriado do Ramadan), do outro lado tivemos o relatório da Somar Meteorologia informando aumento das chuvas no mês de março nas principais regiões produtoras brasileiras em +104% (comparação ao mesmo período do ano passado).

Na quinta-feira (18/03) o mercado “jogou a toalha”. Novamente “beliscou” os 139,25 centavos de dólar por libra-peso e fechou a sexta-feira (19/03) a 132,95 centavos de dólar por libra-peso. Novas notícias de lockdown na França, desaceleração no ritmo da vacinação na Europa, avanço descontrolado da pandemia no Brasil, e petróleo chegando a cair -9% contribuíram para essa queda.

As chuvas trouxeram alívio ao mercado e “ganharam” essa queda de braço. Os fundos seguem comprados em +34.117 lotes (reduziram a posição em apenas -1.442 lotes). O mercado começou a apostar na recuperação das lavouras para a safra 21/22. Já tem gente falando em seca para o período setembro/dezembro em função da La Nina e uma nova quebra para a safra 2022/2023 também.

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Vamos com calma! Um dia de cada vez! Nem começamos a colheita da safra 2021/2022, não atravessamos o inverno no hemisfério sul; e já tem gente apostando em um aumento para a próxima safra em +40% e outros já prevendo uma nova quebra.

A quebra para a safra atual é real, já está precificada? Como falamos semana passada, sem efeito “geadas” estamos trabalhando entre 43-57 milhões de sacas. Como o mercado vai reagir quando os produtores afetados pela quebra de suas lavouras deixarem de performar seus contratos? E se ocorrer alguma geada, ou risco de geadas entre maio e julho? E a produção final for abaixo dos 40 milhões de sacas? E se nada disso acontecer e o período setembro a dezembro for chuvoso? São tantos “Se”, tantas variáveis fora do controle dos agentes do mercado, tanto risco envolvido.

Em função dessas inúmeras variáveis seguimos sugerindo a gestão de riscos ao “pé da letra” tanto para os produtores quanto para a indústria. Setembro/2021 fechou a 132,95, em cima da média móvel dos 50 dias que era de 132,80 centavos de dólar por libra-peso. Rompendo esse importante suporte poderá buscar o próximo suporte entre 129,40 e 124,30 centavos de dólar por libra peso. Próximas resistências 135,40 e 141,40 centavos de dólar por libra-peso.

Setembro/2022 fechou a 138,60, acima das médias móveis dos 50 e 72 dias. Próximos suportes entre 137,10/136,40/132,70 e 128,20 centavos de dólar por libra-peso e as próximas resistências de 140,60 e 144,40 centavos de dólar por libra-peso.

Para o curto prazo, para os produtores e cooperativas com risco em suas safras/recebíveis/posições físicas/ e eventual chamada de margem, seguimos propondo a compra da “Call” strike 160 (custo aproximado de 35 r$/saca) ou da compra da “Call-Spread” fora do dinheiro strikes +160/-200 (custo aproximado de 25 R$/saca)! Sabemos que já tem muito café fixado, vendido/comprometido. Sejam prudentes e não contem com grãos nos armazéns enquanto o inverno, o período do risco de geadas não tiver passado.

Para a safra 2022/2023 seguimos propondo a compra no setembro/2022 da “Put-Spread +135/-110 centavos de dólar por libra peso com um custo ao redor dos 88 R$/saca (garantindo uma remuneração mínima ao redor dos 750 R$/saca desde que o setembro/2022 feche acima dos 110 centavos de dólar por libra-peso) e aguardar para realizar as vendas para entrega futura e/ou a proteção através da venda das “Calls” no setembro/2022 strike 160/170/200 apenas durante o período do inverno. Novamente, se a geada vier, o mercado vai explodir no curto prazo e irá valorizar o setembro/2022. Se isso ocorrer, será uma ótima oportunidade para “rolar a Put-Spread para cima”.

Sejam prudentes! Cuidado com os acumuladores, as estruturas que “aparecem/desaparecem/dobram”.

Uma ótima semana a todos!

*Marcelo Fraga Moreira escreve este relatório sobre café semanalmente como colaborador da Archer Consulting.

________

** “Call” = opção de Compra

** “Put” = opção de Venda

** “Compra Call-Spread” = compra e venda simultânea de 2 Opções de Compra comprando a Opção com preço de exercício mais baixo vendendo a Opção com preço de exercício mais alto);

** “Venda Call-Spread” = venda e compra simultânea 2 Opções de Compra vendendo a Opção com preço de exercício mais alto e comprando a Opção com preço de exercício mais baixo);

** “Compra Put-Spread” = compra e venda simultânea 2 Opções de Venda comprando a Opção com preço de exercício mais alto e vendendo a Opção com preço de exercício mais baixo);

** “Venda Put-Spread” = venda e compra simultânea 2 Opções de Venda vendendo a Opção com preço de exercício mais alto e comprando a Opção com preço de exercício mais baixo);

** “CFTC” = Commodity Futures Trading Commission – agência independente do governo dos Estados Unidos que regula os mercados de futuros e opções das commodities;

As informações são da Archer Consulting.

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