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Reforma agrária além das simplificações

POR SYLVIA SAES

E BRUNO VARELLA MIRANDA

BRUNO VARELLA MIRANDA

EM 30/06/2010

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Poucos temas acirram tanto os ânimos quanto o processo de reforma agrária no Brasil. Sua natureza polêmica deriva não apenas das implicações redistributivas que traria para nossa sociedade, como também das práticas empregadas por cada lado do debate. Entre os defensores da ação do Movimento dos Sem Terra (MST), as críticas direcionadas aos ruralistas são constantes; entre os produtores rurais, é evidente a repulsa quanto às invasões empreendidas pelos militantes do MST.

Como ficará claro a seguir, não constitui objeto desse artigo a enumeração dos argumentos apresentados pelas partes. Seria impossível sintetizar um debate tão complexo em alguns poucos parágrafos sem correr o risco de cometer alguma injustiça. O que desejamos demonstrar é que, em grande medida, perde-se tempo precioso rotulando o outro lado, quando na verdade produtores rurais e militantes poderiam dialogar de forma menos conflituosa.

Na verdade, gostaríamos de atentar para o fato de que, não raramente, a exposição de opiniões acerca da reforma agrária assume uma divisão do "nós" contra "eles". Obviamente, cada um dos lados escolherá seus vilões e vítimas; a lógica do discurso, porém, é semelhante. Com isso, muito da heterogeneidade existente no interior de cada um desses grupos - o "nós" e o "eles", dependendo do ponto de vista - é esquecida. De fato, dois proprietários rurais podem ser bastante diferentes entre si, assim como aqueles que lutam por um pedaço de terra também o são.

A apreensão da heterogeneidade no interior de cada um desses grupos é fundamental pois permite o entendimento dos problemas enfrentados pelos agentes que os compõem. A argumentação padrão, assentada em uma simplificação exagerada que aproxima o tema de uma espécie de "luta de classes", impede a identificação desses gargalos. Da mesma forma, enaltece os desvios de conduta de uma parcela do outro grupo, injustiçando milhares de pessoas que discordam dessas práticas.

Um debate maduro somente prosperará quando ficar claro que são as práticas, e não as "classes", o elemento aproximador entre os agentes. Um grileiro, por exemplo, é tão nocivo para produtores rurais honestos do que um invasor incorrigível de terras. Igualmente, o militante que impõe sua ideologia e impede a livre iniciativa dos companheiros prejudica o progresso do grupo. Enfim, resumir a discussão da reforma agrária a um embate entre "nós" e "eles" legitima, ainda que implicitamente, ações condenáveis daqueles que defendem o mesmo lado.

Por isso, antes de equivaler o tema da reforma agrária ao embate de dois grupos antagônicos, vale a pena questionar quem se beneficia dessa lógica. Enquanto o padrão predominante persistir, tendem a ganhar os que vivem de "subsídios ideológicos" e, claro, os que se apropriaram daquilo que não lhes era de direito. Pior para quem faz a lição de casa, e acaba ameaçado de todos os lados.

SYLVIA SAES

Professora do Departamento de Administração da USP e coordenadora do Center for Organization Studies (CORS)

BRUNO VARELLA MIRANDA

Professor Assistente do Insper e Doutor em Economia Aplicada pela Universidade de Missouri

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BRUNO MANOEL REZENDE DE MELO

GUAXUPÉ - MINAS GERAIS - INSTITUIÇÕES GOVERNAMENTAIS

EM 01/07/2010

Interessante o artigo. Este reflete bem não só o problema da reforma agrária como também, segundo meu ponto de vista, os debates em torno no novo "Código Florestal". Falta diálogo entre as partes. Todos muitas vezes sempre muito radicais, e estes se esquecem de quem tem que sair ganhando é o coletivo, e não um ou outro grupo de interessados.