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Ocupação do solo: seremos capazes de apresentar uma alternativa para o futuro?

POR SYLVIA SAES

E BRUNO VARELLA MIRANDA

BRUNO VARELLA MIRANDA

EM 20/01/2011

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Em nosso primeiro artigo do ano passado, abordamos a questão do uso do solo no Brasil, chamando a atenção para a falta de planejamento. Infelizmente, a pauta segue atual; pior, tememos que assim sigam as coisas pelos próximos anos. É triste ver a sucessão de erros, descaso e mortes que vem sacudido diversos pontos do território brasileiro. Pior é termos a sensação de que provavelmente levará muito tempo até que essa pauta perca a dramaticidade dos dias atuais.

Se avançarmos alguns meses na retrospectiva 2010 do CaféPoint, encontraremos outro texto de nossa autoria, dessa vez publicado em dezembro. Em nosso último artigo do ano, abordamos as declarações da senadora Katia Abreu, para quem a reserva legal seria um "corpo estranho" na propriedade rural. Tendo em mente a tragédia na região serrana do Rio de Janeiro e as inquietações de alguns de nossos leitores, queremos chamar a atenção para a relação entre os eventos na "cidade" e o debate no "campo".

Cenas como as filmadas na tragédia no Rio demonstram claramente que não há razão para uma comparação entre o "urbano" e o "rural" no debate acerca da reforma do Código Florestal. A razão é simples: nossas cidades não servem de exemplo para projeto algum de ocupação do solo! Ao longo das últimas décadas, o caos nos guiou; milhões de brasileiros, seja por falta de opção ou informação, foram tomando decisões equivocadas em um processo que só piorou com o crescimento populacional. Para completar, os governos insistiram em um modelo de urbanização em que a impermeabilização era a glória, como se pudessem controlar os desígnios da natureza.

Se o rio Tietê, um dos símbolos de São Paulo, é hoje asfixiando por dezenas de pistas, isso não significa uma permissão implícita para a adoção de práticas semelhantes em todos os cursos de água do Brasil. Pelo contrário, quem observa um rio "reto", literalmente encaixotado em uma camada de concreto, só pode sentir uma ponta de tristeza. Mais, sentirá enorme frustração quando perceber que as águas de março, fevereiro ou janeiro são capazes de transformar a "locomotiva da nação" em um verdadeiro caos de alagamentos e stress.

Por isso, queremos reforçar o apelo. Tragédias como a que afetou a região serrana do Rio de Janeiro são mostras claras de que a ocupação urbana no Brasil seguiu um modelo equivocado. Ou pior, não seguiu modelo algum! Os milhões de agricultores brasileiros, nesse sentido, têm a chance de dar um exemplo de sua capacidade de organização de acordo com os limites impostos pelo entorno, e não pelas conveniências e distorções do sistema político. Recomenda-se fortemente não perder essa chance, sob risco de efeitos colaterais que atingiram a todos, mas, sobretudo, os que tomaram as decisões equivocadas.

Não podemos deixar que a frustração de curto prazo se converta em erosão, queda da produtividade, fechamento desnecessário de mercados. A agropecuária brasileira tem totais condições de estabelecer um plano realista e efetivo para o uso do solo, bastando unicamente a concretização de parcerias. Temos muito conhecimento útil disperso, e que precisa ser integrado: produtores com sua experiência diária, acadêmicos com seus estudos e propostas, políticos e seu conhecimento das instituições. Usando-o de maneira inteligente, podemos dar um exemplo aos milhões de brasileiros da cidade de como gerir o patrimônio nacional.

Finalmente, um pequeno comentário acerca da aversão às ONGs e instituições estrangeiras que tanto insistem em nos apontar o dedo. Ao invés de trocarmos acusações, devemos apresentar evidências e ações concretas. Para quem não acredita na viabilidade dessa estratégia, gostaríamos de lembrar que os produtos agropecuários brasileiros seguem sofrendo com barreiras protecionistas. Para conseguirmos entrar em igualdade de condições nesses mercados de forma rápida e segura, temos que convencer os eleitores de lá de que estamos fazendo a coisa certa. Mais um motivo para pensarmos - e trabalharmos - todos juntos!

SYLVIA SAES

Professora do Departamento de Administração da USP e coordenadora do Center for Organization Studies (CORS)

BRUNO VARELLA MIRANDA

Professor Assistente do Insper e Doutor em Economia Aplicada pela Universidade de Missouri

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JOSÉ ANTONIO PADIAL POSSO

MONTE CARMELO - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 26/01/2011

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Tamanha é a nossa responsabilidade que, se continuarmos falhando na coexistência harmoniosa com as forças da natureza e com as demais espécies vegetais e animais, toda supremacia conquistada pela espécie humana tende a ser transformada progressivamente em submissão total a essas forças.
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