ENTRAR COM FACEBOOK ESQUECI MINHA SENHA SOU UM NOVO USUÁRIO

Colômbia - uma questão de ponto de referência

POR VANUSIA NOGUEIRA

CAFÉS ESPECIAIS - VANUSIA NOGUEIRA

EM 09/09/2014

2
0
Foto: Café Editora
Foto: Café Editora

Apesar de ter praticamente nascido debaixo de um pé de café, somente há 12 anos comecei a ter um olhar estratégico ou questionador para este agronegócio. Em 2002, quando decidi investigar e entender os posicionamentos do Brasil e de nossos concorrentes, fui sinalizada de que nosso maior competidor era a Colômbia, tanto em qualidade de produto, quanto em posicionamento competitivo.
 
Em 2006, tive a oportunidade de conversar longamente com Néstor Osorio, um colombiano então diretor executivo da Organização Internacional do Café (OIC). E tive uma grande surpresa quando ele me disse que a referência para o programa Café de Colômbia teria sido o programa Café do Brasil. Refleti que tínhamos aí um exemplo clássico que aprendemos na administração de um líder que se acomodou e foi ultrapassado por seus seguidores.

Se quisermos nos posicionar novamente como líderes, não apenas em quantidade, mas em qualidade, sustentabilidade e tecnologia, precisamos nos mexer e mostrar que estamos nos movendo. Com as limitações e complexidades quando se trata de promoção de um produto brasileiro, criamos alguns objetivos e passamos a tê-los como nossas metas, conscientes de que não tínhamos os mesmos recursos financeiros do Café de Colômbia, mas muita criatividade e a mesma paixão.

Há poucas semanas, tive a honra de visitar na Colômbia o departamento (estado) de Huila, a convite do governo local e da universidade Surcolombiana. Huila é considerada uma das regiões de mais alta qualidade do café e principal ganhadora dos concursos de qualidade Cup of Excellence, considerado a maior referência de qualidade do mercado de cafés especiais.

Para preparar mais produtores para qualidade e para ascensão direta ao mercado, um grupo de empresários e a universidade decidiram criar um concurso de qualidade regional. Para a cerimônia de premiação, foi organizada uma conferência, tendo como tema ou país convidado o Brasil. Três palestrantes brasileiros foram convidados para o evento.

Em um primeiro momento, considerei, no mínimo, curioso o convite. Aquele nosso concorrente que consideramos a referência de marketing do segmento nos considera a referência? Como assim?

Neste momento, lembrei-me de uma propaganda que aqueles nascidos entre os anos 50 e 70 se recordarão: o que você quer ser quando crescer? Somos considerados como a salsicha por eles. Consideram que temos conseguido mostrar ao mundo a qualidade de nossos produtos, que temos conseguido ser muito mais sustentáveis. Que temos tecnologia e ciência em café como ninguém mais, que sabemos separar e trabalhar de forma diferenciada os cafés comerciais e os cafés especiais. Que surpresa! Nosso concorrente, a quem considerávamos o benchmark do nosso mercado, considera-nos a referência.

Com uma audiência atenta e com mais de 300 pessoas presentes, entre produtores, pesquisadores e estudantes, além do governador, o prefeito, o reitor da universidade e alguns deputados, conversei sobre a experiência de criação da Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) e sua trajetória. Respondemos a inúmeras perguntas de pessoas muito curiosas em saber o que temos feito, como estamos organizados, o que deu certo e o que não deu. Interessante... Afinal, quem é referência de quem? Quem é benchmark de quem? Será que temos nos considerado piores do que realmente somos? Será novamente nosso complexo de vira-latas?

Podem ficar tranquilos que nada que pudesse "dar munição" a nossos principais concorrentes foi dito ou apresentado. Mas fica aqui a mensagem de que, com nosso esforço, temos alcançado nossos objetivos e temos o mercado nos fazendo deferências novamente.

Não nos tornaremos arrogantes, pois isso não é de nosso perfil, dos brasileiros, mas poderemos tratar o tema de cabeça erguida, de igual para igual em nossos futuros negócios. Vocês podem me perguntar se o que vivi na Colômbia já pode ser considerado uma regra de como o mercado tem nos visto ou percebido, mas, talvez, ainda não, já que os preços pagos por nossos produtores continuam aquém de alguns de nossos concorrentes, mas já e um excelente início.


Vanusia Nogueira
BSCA – Executive Director 

2

COMENTÁRIOS SEGUIR COMENTÁRIOS

5000 caracteres restantes
ANEXAR IMAGEM
ANEXAR IMAGEM

Selecione a imagem

INSERIR VÍDEO
INSERIR VÍDEO

Copie o endereço (URL) do vídeo, direto da barra de endereços de seu navegador, e cole-a abaixo:

Seu comentário será exibido, assim que aprovado, para todos os usuários que acessarem este material.

Seu comentário não será publicado e apenas os moderadores do portal poderão visualizá-lo.

Todos os comentários são moderados pela equipe CaféPoint, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração. Obrigado.

SEU COMENTÁRIO FOI ENVIADO COM SUCESSO!

Você pode fazer mais comentários se desejar. Eles serão publicados após a analise da nossa equipe.

JOSÉ ELEUTÉRIO ALVES NETO

SINOP - MATO GROSSO - INDÚSTRIA DE CAFÉ

EM 11/09/2014

SE TEM UMA REFERENCIA NO MERCADO DE CAFÉS, A SER ANALISADO, E TENTAR FAZER ANALOGIAS.

ESSA REFERENCIA ESTA DENTRO DE CASA, É O SETOR DE CAFÉ CONILON BRASILEIRO.

ALGUÉM SE RECORDA QUE NO ESPAÇO CAFÉ BRASIL DO ANO PASSADO EM BH TEVE UMA AMOSTRA DE CONILON, MELHOR COLOCADA ENTRE OS  CAFÉS ARABICOS DISPOSTOS A APRECIAÇÃO.

E A PRODUTIVIDADE BRASILEIRA DE CONILON COM OS CLONES, AONDE CHEGOU.

PARABÉNS AO TRABALHO DO INCAPER, AGRICULTORES, E DEMAIS ENVOLVIDOS NO SETOR.

ABRAÇOS
ARTUR QUEIROZ DE SOUSA

CAMBUQUIRA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 10/09/2014

Parabéns! Belo texto, digno de uma líder do segmento.