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Liquidação técnica empurra café para US$ 130 centavos

As principais bolsas de ações encerraram a semana em alta na Europa e em baixa nos Estados Unidos, no último em função da crise política que Trump criou dentro do seu governo e que não para de causar a troca de seus auxiliares.

Foto: Érico Hiller/ Café Editora
                                     Foto: Érico Hiller/Café Editora

O triste atentado terrorista em Barcelona atraiu pontualmente compras de ativos mais “seguros”, como o dólar americano e os metais preciosos, mas o nervosismo dos mercados não durou tanto e a apreciação do Euro apagou a leve recuperação do índice do dólar (DXY).

O CRB teve uma semana negativa, abrindo na terça-feira (15) com um intervalo (gap) de baixa, dia inclusive que o café, não por coincidência, teve uma queda acentuada. O mesmo índice de commodities na sexta-feira (18) fechou o gap ajudado principalmente pelo ganho de 3% do petróleo, mas nos últimos cinco dias somente o suco de laranja, o alumínio e o açúcar subiram mais de 1%. Entre os perdedores, a queda de 21.88% do suíno magro foi a maior, seguida pelas perdas de 8.74% do café arábica e 5.29% do trigo.

O contrato “C” da ICE testou os US$ 130.00 centavos, uma desvalorização de mais US$ 15.95 centavos por libra-peso em uma semana, aparentemente encontrando suporte em função da forte alta do conilon na sexta-feira, após o contrato de Londres voltar acima da média-móvel de cem dias.

Precipitações em algumas regiões produtoras no Brasil e fotos de floradas do conilon podem ter causado alguma liquidação de posições especulativas que se precipitaram em comprar notícias de seca há mais de dez dias, mas considerando o interesse de compra dos comerciais na baixa, tudo indica que, por ora, a queda pode ser estancada.

A Cooxupé divulgou dados interessantes sobre a redução da estimativa de produção da safra 2017/2018, cortando em 3 milhões de sacas a colheita no Sul de Minas e diminuindo sua expectativa de recebimento de café dos cooperados de 5.6 milhões para 4.9 milhões de sacas.

Uma outra dificuldade no mercado doméstico brasileiro tem sido a indústria local com o problema da broca, que embora possa inicialmente não ter recebido atenção do mercado internacional, gera uma procura por cafés usualmente comprados por exportadores – não permitindo o alargamento do basis.

A queda do terminal encareceu os diferenciais de forma geral e se estava difícil encontrar interesse de compra de importadores com a bolsa negociando acima de US$ 140.00 centavos, agora a tarefa ficou ainda mais árdua. O estreitamento da arbitragem do mercado Londrino com o Nova Iorquino é um fator de curto-prazo também positivo, assumindo que o conilon mantém a firmeza que tem demonstrado.

Os estoques de cafés nos Estados Unidos subiram 183,637 sacas em julho, mês que as exportações brasileiras foram bem baixas, e o inventário total está em 7,4 milhões de sacas. O contraponto para o acúmulo é que outras origens têm tido embarques volumosos, como Honduras, Colômbia e Vietnã, temporariamente suprindo uma parte da queda da participação brasileira.

No relatório dos comitentes, o COT divulgado pelo CFTC, os fundos liquidaram uma parte da posição bruta comprada e venda, estando vendidos ainda em 4 mil lotes líquido. Entre quarta (16) e sexta-feira (18) os especuladores provavelmente devem ter vendido outros 3 mil lotes, estando com uma posição ao redor de 7 mil lotes vendidos.

Tecnicamente o rompimento do nível de US$ 129.40 (base dezembro) pode atrair os fundos que seguem tendências, no caso seria de baixa, e afundar ainda mais as cotações. Uma alta acima de US$ 137.90 centavos pode afugentar temporariamente o tom negativo, devolvendo alguma esperança para os altistas.

As chuvas que causaram floradas em algumas áreas do arábica agora precisam continuar para não terem o efeito perverso de abortamento, portanto acho prematuro um posicionamento de baixa descontrolado. Por outro lado, os produtores têm de ir aproveitando as puxadas dos preços e vender café, pois mesmo que possam discordar dos fundos eventualmente ficarem agressivos em uma aposta de baixa, o fato é que eles podem sim se antecipar e tentar vender na frente um potencial de safra grande, o que causaria um grande estrago para as cotações.

Em resumo: o mercado no curto prazo pode recuperar, mas a sustentação pode ser fraca deixando os preços vulneráveis no médio e longo-prazo.
Uma ótima semana e bons negócios a todos,

Rodrigo Costa*
*Rodrigo Corrêa da Costa escreve este relatório sobre café semanalmente como colaborador da Archer Consulting 

RODRIGO CORREA DA COSTA

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