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BrexiTrumPT e café

Por Carlos Henrique Jorge Brando
postado em 20/12/2016

3 comentários
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Referendos e eleições que aconteceram em 2016 podem marcar este ano como um ponto de inflexão ou divisor de águas na história recente. Iniciado com o Brexit no Reino Unido, continuando com o referendo sobre a paz na Colômbia e as recentes eleições municipais brasileiras, e terminando com a recente vitória de Donald Trump nas eleições americanas, os resultados permitiram ver um pano de fundo comum que ultrapassa fronteiras e o próprio caráter dos referendos. Embora se tenha escrito muito sobre os paralelos entre o Brexit e a eleição de Trump, nenhuma análise mais ampla envolvendo os quatro processos eleitorais mencionados acima ou associando-os ao café foi feita.

O pano de fundo por trás dos quatro referendos pode ser resumido em três pontos: grandes contingentes da população descontentes com a situação, a dificuldade das pesquisas e imprensa de avaliar adequada e antecipadamente tal situação e seu potencial de prevalecer nos referendos, e a impossibilidade dos governos de entender e/ou responder aos anseios destas minorias que se transformaram em maiorias eleitorais não mais silenciosas. Se os pontos comuns são mais fáceis de identificar nos casos Brexit e Trump e assim foi feito até em demasia, as analogias são menos evidentes entre eles e os casos colombiano e brasileiro.

Os resultados inesperados das votações no Reino Unido e Estados Unidos ocorreram por situações análogas: segmentos populacionais relevantes cuja renda, bem estar, acesso a serviços públicos e mesmo valores foram corroídos pela globalização, incluindo a transferência de produção e trabalho para além-fronteiras e a imigração, sem as demandadas compensações pelos respectivos governos e seus programas. A deterioração da renda e do bem-estar, esperada ou real, esteve também por trás dos resultados dos referendos no Colômbia e Brasil.

Na Colômbia, a reintegração iminente dos guerrilheiros às economias regionais significará concorrência por empregos e serviços e mesmo pelo mercado atendido por pequenos negócios. Já no caso do Brasil houve por um lado um sentimento de “anti-política”, com eleitores que não aceitam mais o discurso político tradicional, a exemplo dos americanos e britânicos que se sentem manipulados pelos partidos que se alternam no poder. Por outro lado e de novo na mesma linha dos Estados Unidos e Reino Unido, os eleitores brasileiros mais pobres e que decidem as eleições são aqueles que estão sentindo no bolso a crise econômica e querem soluções para seus problemas cotidianos como a inflação, a queda de renda e o acesso e a qualidade dos serviços de saúde e educação. É estranho que a grande imprensa parece ter ignorado este paralelo entre o que ocorreu no Brasil e nos demais países afetados pelo que ensaia para ser um fenômeno mundial. Se no início deste século o PT e a centro-esquerda pareceram a melhor opção para atender estas demandas da população mais pobre, houve uma clara guinada para a centro-direita nas eleições municipais deste Brasil pós-impeachment e da operação Lava Jato, mudança esta muito menos ideológica e mais prática, com os eleitores buscando soluções para seus problemas.

O que tudo isto significa para o mercado de café? Sinais diferentes e às vezes conflitantes como comentado a seguir.

A administração entrante de Trump, que deverá se concentrar nos problemas domésticos, assim como as crescentes tendências xenofóbicas na Europa Ocidental podem comprometer o financiamento de ajuda externa, por exemplo, com um papel cada vez menor de importantes projetos da agência estadunidense USAID na América Latina, África e Ásia. Por outro lado, o controle da imigração ilegal e o regresso dos imigrantes ilegais a seus países de origem podem aliviar a escassez de mão de obra no México e América Central ainda que com eventual aumento da violência e do tráfico de drogas.

Na Colômbia, existem planos de absorver os ex-guerrilheiros na produção de café em várias regiões, com uma clara tendência de aumentar a produção acima do incremento que resultará da produtividade média crescente devido à renovação e tecnologia.

No Brasil, as políticas de austeridade já implementadas e aquelas planejadas já provocaram aumento dos juros para os produtores e condições menos favoráveis para o financiamento da colheita, renovação e mudança tecnológica. Ainda é cedo para avaliar se isto reduzirá o crescimento da produção mas uma retração imediata vem sendo observada na venda de equipamentos, principalmente a pequenos produtores, e de insumos – fertilizantes e pesticidas – na maioria dos segmentos do negócio.

Menos ajuda externa e a resiliência dos grandes países produtores Brasil, Vietnã e Colômbia podem acelerar a concentração da oferta, com Honduras e Peru suportando melhor que outros países produtores uma possível redução de ajuda estrangeira.

Se crise e preocupação levam ao crescimento do consumo de café, como muitos pensam, isto pode pelo menos ser um grande resultado positivo do que chamo BrexiTrumPT – a saída do Reino Unido da União Europeia, a eleição de Trump e uma redução grande de peso do Partido dos Trabalhadores (PT) no Brasil. O consumo está realmente crescendo mais rápido no Brasil e as medidas de austeridade podem, a médio prazo, criar um ambiente para maior expansão da produção, em especial se um Dólar mais forte combinado com a crise econômica e política brasileira enfraquecerem o Real frente às moedas dos outros países produtores e fizerem do Brasil um produtor mais competitivo. 

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Comentários

Ivan Franco Caixeta

Machado - Minas Gerais - Pesquisa/ensino
postado em 21/12/2016

Parabéns, Caro amigo Brando, seus comentário sempre claros e objetivos, trazem nitidez e expectativas para pormos em pratica como cafeicultores, mestres e pesquisadores o belo pensamento proposto para hoje no cafepoint: "Paciência e perseverança tem efeito mágico de fazer as dificuldades desaparecerem e os obstáculos sumirem"  J. Q. Adams
Abraços
Prof. Ivan F. Caixeta

Huigor Fernando

OUTRA - OUTRO - OUTRA
postado em 22/12/2016

"Referendos e eleições que aconteceram em 2017 podem marcar..."
Nao seria 2016?

Equipe CaféPoint

São Paulo - São Paulo - Mídia especializada/imprensa
CaféPoint - postado em 03/01/2017

Prezado Huigor,

Você está certo. Já corrigimos a data!

Um abraço,
Equipe CaféPoint.

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