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À espera da florada o café faz correção técnica

Por Rodrigo Correa da Costa
postado em 09/10/2017

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As duas últimas semanas foram marcadas, entre outras coisas, pelas eleições da Alemanha, um referendo na Catalunha e pelo estarrecedor assassinato em massa por um infeliz/doente em Las Vegas. A chanceler alemã Angela Merkel ganhou a eleição em seu país, mas não com o mesmo apoio que esperava, vendo a extrema-direita entrando no parlamento em mais um sinal do movimento crescente de eleitores contrários a abertura de suas fronteiras e da economia – como aconteceu com o Brexit, Trump, etc.

Foto: Alexia Santi/Agência Ophelia
                                    Foto: Alexia Santi/Agência Ophelia

Na Espanha, os catalães votaram pela independência do país, em uma consulta popular marcada por violência e a ausência de eleitores que, em sua maioria, poderiam ter mudado o resultado do pleito. Nada, entretanto, ficou na frente do apetite de compra dos investidores e as bolsas de ações nos Estados Unidos, Europa, Brasil e México (entre outras) fizeram novas altas históricas.

O CRB também começou o último trimestre do ano subindo, inicialmente dando de ombros até mesmo à firmeza do índice do dólar, que perdeu um pouco de força na sexta-feira (06) com a primeira queda em sete anos da criação de postos de trabalhos nos Estados Unidos.

O café em Nova Iorque negociou no mais baixo patamar desde 23 de julho, para então subir seis centavos enquanto a indústria cafeeira se reunia em Genebra, no sempre bem organizado Coffee Dinner. O contrato do conilon  ficou mais estável, dado que parte da pressão vendedora no arábica foi relacionada ao excelente volume de chuvas que caíram no cinturão produtor brasileiro, rapidamente dissipando as preocupações sobre a seca.

Nas reuniões feitas antes e durante o evento, que reuniu mais de 1.000 pessoas na Suíça, foi praticamente impossível encontrar alguém acreditando em uma subida sustentável do terminal. Este, na verdade, era talvez um único motivo “altista”: a unanimidade de traders e torradores estarem baixistas, muito embora poucos se atreveram a dizer que venderiam o mercado a descoberto nos atuais patamares.

Os fundos de sistema, por outro lado, pressionaram a mola, voltando a ficar vendidos em 31 mil lotes até a última terça-feira (03) e, provavelmente, vendendo outros cinco mil contratos até sexta-feira (06).  As casas comerciais aproveitaram a oportunidade para colocar algumas fixações em seus livros, decisão que me parece acertada diante de um quadro onde uma nova baixa (abaixo de 115.00 centavos por libra) eventualmente só deve ocorrer após a abertura de uma florada grande e a continuação de um clima ideal para então “confirmar” a percepção de uma safra volumosa.

A disponibilidade de café brasileiro no mercado spot diminuiu bastante na Europa, enquanto nos Estados Unidos já foi bem mais confortável. Se os embarques do Brasil não recuperarem em um ano onde muitos participantes se machucaram em estar vendido a descoberto em diferenciais, agravado pelo fato do mercado não ter tido uma janela de barateamento do basis, tanto para o que sai no imediato como para negócios a termo, teremos então um nivelamento entre exportadores e multinacionais, teoricamente fazendo as ofertas na exportação refletirem a reposição.

Isto significa dizer que o comprador lá de fora não terá alternativa, a não ser pagar os atuais historicamente “caros” diferenciais brasileiros, pelo menos até provavelmente a entrada da safra nova ou caso o Real desvalorize fortemente com os investidores internacionais se assustando com uma eventual candidatura de Lula para a presidência no ano que vem.

Na verdade, dizer que os torradores “não têm alternativa” talvez seja enganoso, pois cafés baratos de outras origens têm roubado temporariamente um pedacinho do Brasil nos blends. Nada preocupante, pois o preço, este sim o solucionador de excessos ou faltas de mercadorias/produtos, sempre trata de ajustar e manter todos “honestos” na cadeia. E uma vez barateando devolverá a participação do Brasil.

Uma palestra entre alguns CEOs de trading-companies em Genebra provocou a questão da concentração de agentes no café, mas sabemos ser impossível domar o instinto humano em querer ser melhor, maior, mais rico e mais esperto do que os outros. O excesso de liquidez mundial criou ajuda na consolidação, acirrando a competitividade. O painel na verdade serviu para alertar sobre os riscos de prazos de pagamentos dilatados, um assunto que hoje preocupa, pois o café até pode cair um pouco mais, mas o risco mesmo está em uma movimentação acentuada para cima, causando um prejuízo em cafés vendidos e fixados nos atuais patamares.

Nova Iorque fez uma reversão técnica no curto-prazo e manteve os ganhos tendo um potencial de subir um pouco mais depois de termos visto os fundos mais vendidos no relatório do CFTC. Sustentar os ganhos é que será o desafio, e muito provavelmente veremos novas vendas aparecer após o fechamento do gap que está entre 133.70 e 134.05 centavos por libra. Uma queda abaixo de 129.15 coloca em risco o teste dos níveis de 126.75 e 124.30.

Uma ótima semana e bons negócios a todos,

Rodrigo Costa*

*Rodrigo Corrêa da Costa escreve este relatório sobre café semanalmente como colaborador da Archer Consulting

Saiba mais sobre o autor desse conteúdo

Rodrigo Correa da Costa    Nova Iorque - Nova Iorque - Estados Unidos

Consultoria/extensão rural

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