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Armando Matielli fala sobre situação e medidas para cafeicultura

postado em 16/03/2010

5 comentários
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Armando Matielli é engenheiro agrônomo, com MBA na Fundação Getúlio Vargas (FGV), cafeicultor há 25 anos e presidente da SINCAL (Associação Nacional dos Sindicatos Rurais da Regiões Produtores de Café e Leite).

Em entrevista ao CaféPoint Armando Matielli falou um pouco sobre sua experiência e atuação no mercado de café e tratou também dos últimos acontecimentos da cadeia do café, mostrando-se decepcionado com as políticas da cafeicultura e com a falta de gestão pública e privada.

Ouça abaixo a entrevista na íntegra.

Parte 1










Clique aqui para fazer o download da 1ª Parte.

"A Sincal foi constituída para que possamos fazer reivindicações dentro das necessidades que a cafeicultura requer. Estamos muito aborrecidos, extremamente irritados e sendo massacrados pela política econômica, e não nos conformamos com isso."

"A Sincal é uma entidade sem partido político, sem ideologia religiosa. O nosso partido é o cafeicultor. Todos os trabalhadores da Sincal trabalham sem nenhuma remuneração e sem verbas com arrecadação de impostos."

"A filiação da Sincal é feita por meio dos Sindicatos dos Produtores Rurais, que passam a fazer parte reintegrante das nossas reivindicações e dos direito que conquistamos."

"O principal ponto que atravanca a cafeicultura é a falta de preço. Essa falta de preço vem de uma conjuntura por falta de gestão pública e privada. O CDPC ( Conselho deliberativo da política cafeeira) julgamos não ter nenhuma representatividade perante os cafeicultores, sendo que o elo mais forte da cadeia é o cafeicultor."

"Não existe gestão, não existe direcionamento e nem representatividade para os cafeicultores. As federações que deveria representar os cafeicultores são representações apáticas, politicas, muitas vezes cabide de emprego e que não tem lutado pela classe dos cafeicultores."

"A Sincal enfrenta muitos desafios. Estamos sendo processados. Estão tentando calar a Sincal. Não temos recebido nenhum respaldo pelo lado governamental. Temos procurado ministros e a Vice-Presidência da República para tentar resolver essa situação da cafeicultura."

"O ponto principal é que estamos exportando café abaixo dos preços de Nova York. Os nossos principais países concorrentes de arábica estiverem vendendo acima dos preços de Nova York, e nós estamos vendendo o café mais barato em R$200,00/saca."

"O cafeicultor está a mercê de uma carnificina econômica, através do CDPC, o qual defino como Conselho Deliberativo de Política de Conloio em detrimento ao produtor."

"Os custos de produção nas diferentes regiões produtoras estão variando na faixa de R$ 320,00 a R$ 340,00 e o governo estabeleceu um preço mínimo de R$ 261,00."

"Temos razões suficientes para entrarmos na justiça e brigar."

Parte 2










Clique aqui para fazer o download da 2ª Parte.

"Uma saca de café verde tem 60 quilos. Ele torrado e moído são 48 quilos. Uma xícara de café pesa de 6 a 7 gramas, portanto, um quilo de café temos cerca de 150 cafezinhos. Ou seja, 8 kg, 'vezes' 150 cafezinhos dá 7200 xícaras de café. Na Europa vende-se uma xícara de café por volta de R$9,00. Então, uma saca de café na Europa, hoje, na boca do consumidor, vale por volta de R$65.000 e estamos vendendo a R$ 300,00, ficando com 0,35%, enquanto o mercado está com 99,65%."

"A falta de gestão está nos dando indigestão."

"Nossas lideranças estão praticamente mortas. Temos que urgentemente mudar nossa lideranças."

"Nunca na história do Brasil e da cafeicultura tivemos tanta injustiça, um Ministério da Agricultura tão inoperante, de gente ineficiente, sem nenhuma aptidão técnica e comercial."

"Os produtores de café apoiam a Sincal e juntos vamos reverter essa situação."

"Em relação as opções, as cooperativas não estão interessadas em colocar seus cafés nos estoques da Conab. Não temos estoques nenhum. Se tivermos uma geada o Brasil nem café para beber tem."

"As opções foram um insucesso, pois o governo não conseguiu tirar do mercado a quantidade prometida. O volume retirado foi muito abaixo da pretensão inicial."

"O produtor não tem que vender terra pra pagar dívidas. Pagar quem? Ele tem que entrar na justiça e tentar ressarcir os R$ 100,00 que pagou por saca, e com isso pagar suas dívidas."

"Os números de previsão de safra é uma lástima. Para que serve uma previsão sem saber as posições reais dos estoques? Para se ter um planejamento econômico e estratégia para cafeicultura, nós temos que saber o real estoque 'mais' a previsão. Em cima disso que vamos traçar as políticas públicas."

Parte 3










Clique aqui para fazer o download da 3ª Parte.

"A Sincal propôs diversas medidas que foram encaminhadas à lideranças, aos deputados, ao Ministério da Agricultura, mas não tivemos resposta nenhuma."

"A Sincal apontou nove principais desafios para 2010. O governo tem que cumprir o que falou e continuar fazendo as opções."

"As verbas do governo tem que sair na época certa, em abril/maio, não depois da colheita. Tem que ser feito também EGF (estoque do governo federal)."

"Outro desafio é mudar o preço mínimo, urgentemente, pois R$ 261,00 não cobre o custo de produção. Dentro do preço mínimo tem que ter uma margem para o produtor trabalhar com tranquilidade."

"Temos que cuidar do endividamento e parar com as CPRs e trocas de mercadorias."

Equipe CaféPoint

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Comentários

Eliane de Andrade C. Nogueira

São Sebastião da Grama - São Paulo - Produção de café
postado em 16/03/2010

Cafeicultores de todo o Brasil, vamos apoiar a SINCAL , que hoje é a única entidade que defende o cafeicutorNão podemos mais ser omissos , estamos sem uma política para o nosso setor , com lideranças velhas , sem comprometimento , largados a mercê de exporatadores ,cooperativas etc..Como podemos aceitar vender (doar) nosso café em torno , hoje, 200,00 abaixo dos nossos concorrentes?Isto é falta de política, vontade e gestão . Enquanto isso , os cafeicultores cada vez mais endividados , sem perspectiva de melhora. A SINCAL é o único caminho , não podemos depender do governo pois, esse já disse a que veio.Os políticos do alto escalão do governo nem sabem e não tem interese de resolver oproblema.Cafeicultor , deixe de ser acomodado , precisamos urgentemente de uma política para a cafeiculturae claro fazer pararalelamente a nossa parte , produzindo sócioambientalmente corretos para competir com os nossos concorrentes.A SINCAL tem propostas para alavancar o setor , mas , precisa de apoio.Como podemos comandar o mercado com 50% das exporatações mundiais e sermos meros coadjuvantes?A resposta é :INCONPETÊNCIA E FALTA DE GESTÃO.

amador jose alves

Três Pontas - Minas Gerais - atividade sindical
postado em 16/03/2010

Matielli tem toda razão nos seus pontas de vista. Há quantos anos a cafeicultura vem mostrando sua necessidade de politicas agricolas VERDADEIRAS , como creditos na hora certa, tanto para custeio como para colheita, AGF, opções, etc.? E NADA TEM ACONTECIDO. Em levantamento feito pela SINCAL, ficou demonstrado uma perda de BILHÕES de dolares para nossos cafeicultores nestes ultimos treze anos, resultado de uma apatia enorme, de uma omissão covarde diante de um quadro, que para mim é uma mistura de falta de PATRIOTISMO com INCOMPETENCIA, de politicos ou lideranças com nenhum compromisso com o nosso setor. Quando nos vemos com uma dívida gigantesca, de díficil solução, basta olhar para esses dados para saber a razão desta situação. E o que dizer então das exigencias tanto trabalhistas quanto ambientais? É facil, todo onus para o produtor....E ainda as certificações, com suas exigencias ambientais. trabalhistas.etc, com quais retornos para o produtor? Ora, tenham a paciencia, queremos preservar o meio ambiente, queremos melhor pagar nossos empregados, mas queremos tambem, que seja valorizado nosso produto da mesma maneira que o é, em outros paises, que nunca vi nem ouvi alguem cobrar o que é cobrado dos cafeicultores brasileiros. Será que QUEM PRODUZ, QUE GERA RIQUEZAS, QUE LUTA POR UM MERCADO MAIS DIGNO, JUSTO, NÃO VALE NADA? Só seremos reconhecidos se deixarmos de produzir??? Não parece uma grande incoerência, sermos lembrados pela falta, se não o fomos quando havia uma grande fartura, empregos, enfim tudo quanto nossa atividade gera à sua volta?????? A CAFEICULTURA PRECISA E MERECE SER TRATADA COM DIGNIDADE. Amador Jose Alves - Pres. Sindicato Produtores Rurais de Tres Pontas-MG -Diretor Executivo SINCAL

Helio Silveira

Serra Negra - São Paulo - Produção de café
postado em 16/03/2010

Filho e neto de cafeicultor hoje esperando a renegociação do bb ,desanimado querendo sair da atividade quero saber como entraremos na justiça pelo menos para não perdermos nosso patrimonio. A sincal ira promover uma açao conjunta estou interessado em saber como sera. Aos 55 anos nunca paguei sequer uma conta vencida fico decepcionado em não ter condições mesmo querendo de honrar meus comprpmissos

rodolfor rodrigues silva

Porto Seguro - Bahia - produtor
postado em 17/03/2010

Filho e neto de cafeicultor , vejo a situação em que se encontra meu pai e a grande maioria dos produtores. Gostaria tambem de receber informacão sobre a ação conjunta da SINCAL. Sem palavras para descrever a atual situação.

Henrique de Souza Dias

Serra do Salitre - Minas Gerais - Produção de café
postado em 24/03/2010

Parabéns meu caro Matielli, você lembra meu pai, Linneu Carlos Souza Dias, que lutava com o mesmo ardor em defesa do café.

Gostei também dos comentários de nossos companheiros, especialmente de D.Eliane.Vamos lutar!

Esses eternos usufrutuários de nossa atividade só vão se incomodar se conseguirmos reter café e para isso precisamos de financiamentos para estocagem, com valor condizente com o nosso custo de produção, como você bem disse.

Continue nosso portavoz com todo o nosso apoio!

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