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Primeira onda fria gera compra

ESPAÇO ABERTO

EM 27/05/2019

3 MIN DE LEITURA

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Por Rodrigo Costa*

Indicadores econômicos negativos dos Estados Unidos, a crescente tensão comercial com a China e o envio de tropas americanas para o oriente médio pressionaram os mercados acionários nos últimos cinco dias úteis – exceção ao Bovespa.

O índice do dólar fez uma nova alta no ano para então escorregar frente aos dados de manufaturados abaixo do esperado, da redução na venda de imóveis e da queda do pedido de bens duráveis americanos.

O real foi a R$ 4.1211 na semana, maior nível desde os R$ 4.2133 que vimos em 30 de agosto de 2018 e ainda um pouco distante do recorde de R$ 4.2475 negociados em 24 de setembro de 2015.

O CRB tomou uma surra com a derrocada do petróleo e da gasolina, commodities cujos estoques estão subindo nas últimas semanas, justamente quando historicamente deveriam estar caindo, dado o aumento da demanda no começo da temporada de viagens – proximidade do verão do hemisfério norte.

Fora isso o risco de diminuição do crescimento mundial pesa nas matérias-primas, não poupando nem mesmo as energéticas, as quais poderiam estar construindo algum prêmio em função de um eventual conflito no oriente-médio – agravado com as ameaças de ataque ao Irã.

O café foi o grande ganhador da semana, subindo 6.75% em Nova Iorque e 4.5% em Londres, movimento desencadeado pela chegada de uma frente fria no Brasil e pelo rompimento de níveis técnicos no gráfico.

Muito embora as chances de gear nos cafezais brasileiros tenham diminuído muito hoje em dia, os fundos entraram na ponta comprada, de acordo com o relatório divulgado pelo CFTC, e curiosamente os vendidos em nada diminuíram suas posições.

A recuperação dos preços se deu também após a pressão vendedora ter diminuído no contrato de arábica, que tem conseguido manter acima de US$ 90.00 centavos por algumas semanas, e por Londres ter atraído interesse de compra dos comerciais.

Os diferenciais pouco alteraram, mesmo com o enfraquecimento de moedas dos países produtores. Entretanto o fluxo de negócios melhorou.

O USDA começou a soltar suas estimativas de safra de café para o ciclo de 2019/2020 e entre os relatórios das origens divulgados repetiu os mesmos 14.3 milhões produzidos na Colômbia em 18/19. As alterações foram pequenas para o Vietnã (30.5 milhões), a Indonésia (10.7 milhões), o Peru (4.5 milhões) e a Guatemala (3.39 milhões de sacas).

Para a Índia, a entidade espera um acréscimo de 300 mil sacas de robusta, ou um total de 5,48 milhões de sacas a serem colhidos entre as duas variedades. No Brasil, a colheita esperada pelo órgão é de 59,3 milhões de sacas, divididas entre 41 milhões de arábica e 18,3 milhões de conilon. Para a safra 18/19 brasileira, os analistas revisaram para 64,8 milhões de sacas – o número anterior era de 63,4 milhões de sacas. O consumo interno considerado pelo Departamento de Agricultura foi de 23,53 milhões de sacas, ou seja, o excedente exportável não é tão diferente do que o mercado acredita.

A European Coffee Federation informou que os estoques de café verde na maior parte dos portos europeus totalizavam 6.229.217 sacas no fim de março, ou 170.849 sacas a menos do que em fevereiro. Há exato um ano o volume do inventário era de 5,4 milhões de sacas e de outubro para cá, quando começaram a chegar mais cafés do Brasil por lá, a variação foi de 57 mil sacas para mais – quase nada se consideramos o volume embarcado no período.

O fechamento do contrato “C” não foi ruim, mas pode gerar uma tomada de lucro de curto-prazo após o feriado prolongado (segunda-feira é Memorial Day nos Estados Unidos), principalmente se as temperaturas no cinturão do café não forem menores do que as 6 graus esperados.

Espero encontrá-los no sempre prazeroso e bem organizado Coffee Dinner na lindíssima Estação Júlio Prestes.

Uma ótima semana e bons negócios a todos.

*Rodrigo Corrêa da Costa escreve este relatório sobre café semanalmente como colaborador da Archer Consulting

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