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Broca-do-café: café requer controle racional de eficiente

Por Júlio César de Souza , Rogério Antônio Silva e Paulo Rebelles Reis
postado em 17/02/2011

18 comentários
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Histórico e prejuízos

A broca-do-café Hypothenemus hampei (Ferrari, 1867) (Coleoptera:Scolytidae) é a segunda praga em importância na cafeicultura brasileira (Fig.1). A primeira é o bicho-mineiro Leucoptera coffeella (Guérin-Mèneville & Perrot, 1842 (Lepidoptera:Lyonetiidae). A broca só ataca os frutos do cafeeiro. O inseto foi constatado pela primeira vez no Brasil em 1913, na região de Campinas. Sua origem é o Continente Africano. A partir de Campinas, a broca dispersou-se por toda a cafeicultura brasileira. Jamais será erradicada de nossas lavouras de café.

Figura 1 - Adulto fêmea da broca-do-café



A broca H. Hampei causa prejuízos quantitativos e qualitativos ao café produzido. Os prejuízos quantitativos são a perda de peso de 20% do café beneficiado anteriormente atacado na lavoura, por suas larvas (Fig. 2). Assim, 100% de infestação (máxima), as perdas são de 12 Kg em cada saca de café beneficiado (60 Kg).

Figura 2 - Larva da broca-do-café



Outro prejuízo é no tipo de café produzido, já que 2 a 5 sementes broqueadas constituem um defeito. Assim, quanto mais broca ocorrer no café beneficiado atacado anteriormente na lavoura, maior será o número de defeitos e menor será sua cotação (Fig.3).

Figura 3 - Café beneficiado broqueado pelas larvas da praga



Monitoramento e controle químico

O correto controle do inseto resulta de seu monitoramento talhão por talhão, com a utilização de uma planilha específica, como a da Epamig, que é preenchida na lavoura, sendo uma para cada talhão, em sua "época de trânsito", que inicia-se anualmente no período de novembro a janeiro, 90 dias após a maior florada. O monitoramento da broca deve ser mensal, até março. Os dados da planilha através da observação nos cafeeiros de frutos broqueados e frutos sadios, permitem calcular a porcentagem de frutos broqueados, talhão por talhão. Se o resultado for de  3 a 5% de frutos broqueados, o cafeicultor fará uma única pulverização em cobertura total dos cafeeiros com pulverizador tratorizado, na dosagem de 2,0 L de endosulfan 350 CE /ha para lavouras com estandes de até 3500 plantas/ha.

Para estandes maiores, como por exemplo, 4000 a 5500 plantas/ha, aumentar a dosagem para 2,5 L p.c./ha, numa só pulverização. Em lavouras implantadas em topografia acidentada, pode-se usar o atomizador tipo canhão, que não apresenta muita eficiência já que deposita as gotas por gravidade, porém é o único recurso que o cafeicultor dispõe já que a aplicação de endosulfan com pulverizador costal manual e atomizador costal motorizado está proibida pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento - MAPA. Ainda, o inseticida endosulfan poderá ser utilizado na cafeicultura e em outras culturas para as quais está registrado até julho de 2013. Até lá, um novo inseticida, do grupo das Diamidas Antranílicas, de classe toxicológica III - tarja azul, de baixa toxicidade, ainda em pesquisa será registrado no Brasil para substituir o padrão endosulfan.

Importância do monitoramento da broca

O monitoramento da broca, a cada ano, é muito importante já que sua infestação varia a cada safra. Ex.: Na safra de café de 2010, as infestações da broca nas lavouras, em nível de controle químico, foram maiores, devido a ocorrência de chuvas atípicas na safra de 2009 que a favoreceram em sobrevivência e multiplicação, pela maior umidade dos frutos secos remanescentes (não colhidos). Já na safra de café a ser colhido em 2011, devido a entressafra de 2010 ter sido muito seca, sem chuvas, o que normalmente acontece, a broca pouco sobreviveu e se multiplicou nos frutos secos remanescentes, resultando em insignificantes infestações dela em toda cafeicultura brasileira, praticamente dispensando-se no seu controle químico com endosulfan. Para a safra de 2012, se a entressafra de 2011 for seca, sua infestação nas lavouras será novamente baixa, sendo uma ótima notícia para os cafeicultores brasileiros.

Sintomas do ataque e época de controle da broca nas lavouras

Através da constatação de frutos perfurados por esse inseto na região da coroa, no período de novembro a janeiro (Fig.4).



O correto controle da broca é em sua "época de trânsito", ou seja, quando seus adultos fêmeas abandonam os frutos secos não colhidos, nos cafeeiros e no chão, onde se criaram e se multiplicaram na entressafra, e procuram frutos chumbões verdes para perfurá-los na região da coroa (Fig.5).



Nesses frutos, que apresentam 86,0% de umidade, inclusive suas sementes, a broca fêmea adulta apenas os perfura, sem colocar ovos, portanto, sem causar prejuízos, já que sementes aquosas não são alimento ideal para as suas larvas, só o fazendo posteriormente, quando os frutos apresentam menor umidade, de 70 a 80%, e sementes já com certa consistência, aí sim, alimento ideal para as suas larvas. Assim, os prejuízos são causados pelas larvas da broca, que comem as sementes, danificando-as. Os adultos, não se alimentam, já que dispõem de energia acumulada em seu corpo. Sua única função é reprodutiva.

Após a sua "época de trânsito", a partir do mês de março, as fêmeas adultas da broca perfuram frutos verdes chumbões, verdes cana, cerejas, passas e secos, logo ovipositando neles. Assim, o controle químico da broca deve ser realizado em sua "época de trânsito", visando matá-la nos frutos verdes chumbões aquosos, por ela perfurados, para evitar que ovipositem posteriormente e causem prejuízos pela ocorrência de seus ciclos evolutivos (Fig.6).

Figura 6 - Ciclo evolutivo da broca-do-café com suas fases



Aplicação racional do inseticida endosulfan

O maior erro dos cafeicultores é aplicar o inseticida endosulfan indiscriminadamente, sem nenhum monitoramento, no controle da broca, em toda a lavoura, já que eles tem muito medo dela, sem razão, por não conhecê-la em detalhes. Ainda, aplicam em todas as lavouras já que o preço do endosulfan, atualmente, é muito baixo. Assim, devem os cafeicultores monitorarem a broca todos os anos, até março, a fim de aplicar racionalmente o endosulfan em suas lavouras, onde realmente for preciso, em nível de talhões, para evitar poluição ambiental.

O controle da broca na cafeicultura brasileira é simples e eficiente através do monitoramento. Assim, torna-se importante o produtor conhecê-la em detalhes para controlá-la com eficiência e racionalmente, já que o Brasil é o maior produtor e exportador mundial de café, sendo que os nossos compradores rejeitam cafés broqueados. Ainda, nas lavouras certificadas, o inseticida endosulfan tem restrições de uso, pela sua toxicidade, daí a importância do monitoramento, para aplicá-lo, excepcionalmente, somente onde for necessário.

Saiba mais sobre os autores desse conteúdo

Júlio César de Souza    Belo Horizonte - Minas Gerais

Consultoria/extensão

Rogério Antônio Silva    Niterói - Rio de Janeiro

Pesquisa/ensino

Paulo Rebelles Reis     Atlanta - Santa Catarina

Food service

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Comentários

Leonardo Santa Rosa Pierre

Piracicaba - São Paulo - Pesquisa/ensino
postado em 23/02/2011

Além do monitoramento, que é a principal ferramenta do MIP, devemos adotar outros métodos que possibilitem a manutenção da broca abaixo do nível de controle. O uso de armadilhas para captura massal da broca, também é uma importante ferramenta do MIP. A aplicação do fungo Beauveria bassiana pode ser introduzida nas lavouras e testadas pelos produtores para avaliar a eficiência e aumentar as chances de controle dessa praga. Sem falar da necessidade de remoção da maioria dos frutos na colheita, para diminuir o alimento da praga na entressafra. Muitos dizem que fazem o MIP em suas lavouras, mas apenas monitorar e aplicar inseticida não é MIP. O "I" significa integração de métodos de controle, fazer uso de todas as ferramentas possíveis e viáveis para manejar a praga.

jhonatan guedes de oliveira

Nova Ponte - Minas Gerais - tecnico agricola
postado em 04/04/2011

Um dos grandes problema do uso do endosulfan é a eliminação dos inimigos naturais por este motivo comcordo com a pratica de monitoramento para fazer menas aplicações possiveis deste produto , o controle biologico quando a infestação esta baixa pode ser um grande aliado do produtor nas lavouras certificadas .

Anderson Barbosa Marim

Rio Bananal - Espírito Santo - Téc. Agrícola
postado em 27/06/2011

Agora com a proibição do uso do Endosulfa no Brasil, qual sera nosso produto chefe no combate a essa praga?

ARMANDO MATIELLI

Guapé - Minas Gerais - Produção de café
postado em 13/12/2011

A proibição do Endosulfan deverá preservar o registro na cafeicultura em condição especial de uso. Estou a 35 anos no mercado de defensivos e não me lembro de ocorrência de níveis de resíduo acima da tolerância por nenhum dos países importadores e ou consumidores de café. No meu entendimento, como o endosulfan foi comoditizado, logicamente perdeu a força no lobby para a defesa do produto, pois, a margem de lucro caiu muito e com uma jogada de marketing substituirão o endosulfan por outro produto muito mais caro em detrimento ao cafeicultor. Será que ninguém está vendo isso?

Ou deixarão os cafeicultores, mais uma vez, a mercê do lobby de multinacionais de defensivos sendo que já não chega o oligopólio dos grandes compradores de multinacionais? A cafeicultura está entregue a uma verdadeira panacéia de muitos inexcrupulosos.

Maicon Sala Delarmelinda

Jaguaré - Espírito Santo - Produção de café
postado em 28/09/2012

Para ajudar os produtores ainda mais com a proibição do endosulfan, o hostation e o deltafos também foram extintos do mercado, aqui nos municípios vizinhos já não acham facil esses produtos com seus preços normais. Quem tem tem e quem não tem paga muito caro para ter, lembrando que altacor esta indo no mesmo caminho, produto muito bom para controle de largata e para poucas infestações de broca tambem esta sendo dificil de conseguir devido à fabrica ter produzindo poucas remessas.



luiz fernando de carvalho

Machado - Minas Gerais - Produção de café
postado em 12/10/2012

Ficou alguns pés de café sem fazer a colheita. É necessário fazer o uso do endosulfan.

ou tenho outro tratamento mais simples. É de um bom controle da doença que é a broca.

ok.

Heloísa Fagundes Bovi

Manhuaçu - Minas Gerais - Consultoria/extensão
postado em 15/10/2012

Respodendo ao Anderson Barbosa Marim e ao Luiz Fernando de Carvalho:


Existem vários métodos de controle da broca, entre eles estão:

- o controle com inimigos naturais (maribondos, vespas e um fungo chamado

beauveria bassiana);

- o manejo adequado da lavoura (não deixar resto de café de um ano para o outro

no meio da lavoura e controle do mato);

- existe no mercado um produto muito utilizado para bicho mineiro que também

combate a broca, chamado Lorsban 480 BR.

Maicon Sala Delarmelinda

Jaguaré - Espírito Santo - Produção de café
postado em 17/10/2012

Produto ideal para o controle da broca é o endosulfan, mais como ele foi proibido a fabricação dele um produto que esta em teste e esta tendo sucesso e o Altacor + danimen que esta controlando 97% da infestação na area de teste alem de deixar um rezidual de 90 dias. A broca não esta indo em frente.

Marcio Luis Favalessa

Aracruz - Espírito Santo - Produção de café
postado em 24/10/2012

Gostaria de saber qual o mês ideal para fazer o combate a broca , e na falta do endosulfan

qual produto a utilizar para combatê-la?

luiz fernando de carvalho

Machado - Minas Gerais - Produção de café
postado em 25/10/2012

Valeu Marcio !  muito obrigado ?

Qualquer dúvida volto a falar .

jhonatan guedes de oliveira

Nova Ponte - Minas Gerais - tecnico agricola
postado em 26/10/2012

Marcio, o mês ideal é janeiro a diante, quando o grão está passando de leitoso para pastoso , faz  o levantamento de praga quando a porcentagem estiver em 3% e hora de fazer o controle , um dos produtos pode ser o lorsban 480 br tem outros compensa ver preço na sua região .



Outras dúvidas entre em contato .

Fellipe Martins

Três Pontas - Minas Gerais - Consultoria/extensão
postado em 22/01/2013

Já temos um inseticida pra controle de broca que está sendo muito usado. Azamax!

Tem como princípio ativo AZADIRACTINA, e já tem registro para cultura de café.

Seu nível de controle é igual ao endossulfan, porém ainda pega bicho mineiro e ácaro.

Produto certificado e com baixa toxicidade.

Eu usei, uso e recomendo!

Pedro Bazilli Neto

Caconde - São Paulo - Produção de café
postado em 22/01/2013

Tenho trabalhado com o princípio ativo Azadiractina proveniente do Nim, várias marcas, porém a maioria sem registro. O efeito é bom, porém em lavouras muito abertas, expostas a ensolações excessivas e em regiões com tempereturas elevadas a sua eficiência é comprometida pois o sol degrada a molécula. Ainda não usei o Azamax de forma continua e frequente para verificar realmente sua eficiencia nestes ambientes quentes e ensolarados. No caso do controle biológico com Beuveria bassiana a questão da eficiência á ainda mais prejudicada por estes microclimas (quente e\ou seco). Usei duas vezes o fungo Beuveria bassiana (Boveril) e tive um controle muito eficiente, porém em um talhão de café orgânico, sombreado e em sistema agroflorestal diversificado. Esta aplicação foi em 2001 e curiosamente até hoje temos a atuação do que achamos que é o fungo inoculado no ambiente em 2001. Todos os anos quamdo fazemos o monitoramento, achamos a broca morta no início da perfuração na grande maioria das vezes ainda sem afetar o grão, ou seja, apenas supercifialmente na casca e pergaminho. Gostaríamos de analisar se ainda é a presença do Beuveria ou se é outra doença que está controlando a broca neste talhão que além das características já sitadas, tb está situado em uma grota úmida e sombria. Desta forma finalizo dizendo que mais importante que os produtos utilizados é a formação de um ambiente favorável aos cafeeiros e aos seus agentes de controle biológico (fungos, vespas, etc) e\ou produtos desta forma obtendo cafés saudáveis e biodiversidade para que nãoocorram desequilíbrios nas lavouras e consequentemente o aparecimento das pragas e doenças das culturas. Devemos atuar utilizando o MIP e o simples fato de se fazer roçadas e\ou controles do mato em linhas alternadas, ou seja, linha sim e linha não, já é suficiente na maioria das vezes para se evitar o controle químico e as pulverizações. Parabéns para aqueles que estão utilizando o Azamax e o Beuveria bassiana pois estão no caminho da sustentabilidade e da independência dos produtos químicos que geram diversos problemas ambientais e sociais nas regiões de utilização e produção destes. Espero ter contribuido com a troca de experiência proporcionada pelo cafepoint. Obrigado à todos os envolvidos!!!


Eng. Agrônomo Pedro Bazilli Neto - Consultor, Produtor Rural Orgânico - Verde Vivo - Associação de Produtores Rurais Orgânicos da Mantiqueira  

jose fabio benelli

Sertãozinho - São Paulo - Indústria de café solúvel
postado em 21/03/2013

qual e a opiniao de voces com respeito ao uso do produto com o nome de SABRE para o combate da broca no cafezal

AQUARDO SUAS RESPOSTAS

Ivan Leite Ferreira

Poços de Caldas - Minas Gerais - Cafeicultor
postado em 24/04/2013

JÁ ESTAMOS PERTO DO INÍCIO DA COLHEITA,E VERIFIQUEI QUE EM ALGUNS TALHÃOES EXISTEM BROCAS,SEI QUE JÁ PASSOU O TEMPO DO COMBATE,MAS SERÁ QUE PODERIA AINDA FAZER ALGUM COMBATE PARA EVITAR PERDAS?

Glauco Thiago

Belo Horizonte - Minas Gerais - Estudante
postado em 29/08/2013

Qual o controle mecânico ultilizado para combater broca-do-café

UBIRAJARA

Vitória da Conquista - Bahia - Produção de café
postado em 21/12/2013

PEDRO BAZILLI, tenho visto embalagens de azamax de 100 ml e 1 L, qual a proporção por ha ou por 1000 pés de café a ser utilizado.

UBIRAJARA

Vitória da Conquista - Bahia - Produção de café
postado em 21/12/2013

PEDRO BAZILLI, qual a proporção a ser utilizada no café por Ha ou por 1000 pés. Grato!

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