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Uso de água por transpiração em plantas de braquiária usadas na rua de cafezal

POR JOSÉ BRAZ MATIELLO

TÉCNICAS DE PRODUÇÃO

EM 02/10/2019

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O plantio de braquiária nas ruas de cafezal tem sido uma prática bastante usada nos últimos anos, com o objetivo de proteção do solo e melhoria no desenvolvimento dos cafeeiros, através de sua roçada e a chegada da palhada junto às linhas de cafeeiros.

O manejo do mato na lavoura de café deve considerar o seu controle adequado para evitar competição das ervas com os cafeeiros em relação à água, nutrientes e luz. Trabalhos de pesquisa mostram a vantagem de conduzir os cafeeiros mais no limpo. Quanto aos nutrientes, pesquisa do primeiro autor, feita no Sul de Minas, mostrou que em três cortes de braquiária foram retirados do solo cerca de 280 kg de N e 320 kg de K2O por há, além de outros nutrientes.

Foi efetuado um teste sobre a capacidade de retirada de água pela erva braquiária. Ele foi conduzido na Fda Experimental de Franca (SP), a 1000 m de altitude, no período de abril de 2019. Foi arrancada no campo, na rua de cafezal, uma pequena touceira de braquiária ruziziensis, contendo suas raízes e cerca de 15 perfilhos na parte aérea. Em seguida, foi colocada com as raízes dentro de um recipiente de vidro de boca larga e exposta ao sol, em condições normais. Um outro vidro, idêntico, foi colocado ao lado, mas sem a braquiária dentro. Ambos foram preenchidos com três litros de água. Dez dias depois, foi feita uma avaliação, medindo-se a quantidade de água presente (remanescente) nos dois recipientes, com e sem a braquiária. No mês de abril, a evapotranspiração potencial aferida na Estação Meteorológica indicou um total de 91 mm.

Os resultados da avaliação do volume de água remanescente nos recipientes de vidro mostraram que naquele com a braquiária restaram apenas 0,4 litros, ou seja, foram consumidos 2,6 litros em 10 dias por conta da transpiração da erva. Naquele sem a braquiária permaneceram os mesmos 3 litros, ou seja, não houve perda, nesse caso seria por simples evaporação.

Fazendo-se o cálculo do volume transpirado, em relação à área da boca do recipiente, chegou-se a uma perda equivalente a 25 mm por dia/ha, evidenciando a alta capacidade de retirada de água pela braquiária. Logicamente, este número bastante elevado dá uma ideia do potencial de transpiração da erva em condições de fácil disponibilidade de água. No solo, com a retenção da água oferecida pelo mesmo, é provável que a retirada e transpiração pela braquiária sejam menores, na medida em que a umidade vai sendo reduzida, mas, mesmo assim, essa perda seria muito significativa.


Nas fotos acima, a condição inicial (à esquerda) de dois vidros, um com braquiária e um sem, ambos completados com 3 litros de água. À direita, a condição final, 10 dias depois, com o vidro da braquiária com 0, 4 litros de água e aquele sem a braquiária permanecendo com os 3 litros iniciais

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LUIS JUNIOR

FRANCA - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 11/11/2019

Mais qual a conclusão? é bom ou ruim a braquiária? deve ou não utiliza-la?
LEONARDO GONÇALVES VARGAS

ALEGRE - ESPÍRITO SANTO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 12/11/2019

É importante antes de tudo, entender que um solo deve ser sempre protegido.
O uso de braquiária trás inumeros benefícios em relação à proteção do solo e da materia organica, porém, é uma cultura de grande relação c/n e que compete sim com o cafezal. Pode-se optar por outras culturas nas ruasdo cafeeiro, como leguminosas, que aportam N atmosférico e degradam rapidamente, nutrindo o solo com MO também, competindo muito menos que o café.

Mas, ainda existe a possibilidade do uso da braquiaria como proteção do solo, mas tem q entender q ela precisa ser manejada constantemente, sempre mantendo-a muito baixa, somente a nível e cobertura do solo.
Demanda mão de obra, mas a longo prazo, o seu solo terá altos níveis de MO, que é o componente principal para adorção de nutrientes no solo, e água.

O café solteiro vai muito bem, mas tenha em mente que um solo descoberto a MO é degradada mais rapidamente por elevação da temperatura, e por ação de bactérias aeróbicas. Isso resulta em a cada ano que passa, maior investimento em adubação, maior perda de nutrientes por lixiviação e volatização, o que resulta em maior investimento.

Tudo se ajusta, e tudo tem seu ônus e bônus, e as vezes, a pressa do produtor é incompatível com a dinâmica que ocorre no solo.

Um abraço!
LEONARDO GONÇALVES VARGAS

ALEGRE - ESPÍRITO SANTO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 08/10/2019

Caro professor, muito interessante a reportagem e o artigo. Mas tenho algumas dúvidas.
O uso do solo protegido nas ruas dos cafezais, podem ser substituir por espécies que contenham a relação c/n mais baixa, e sendo assim, diminui se a eto da cultura e a competição com a lavoura.
Outro ponto, é a importância de mitigar a incidência do sol no solo, protegendo as argilas e a agregação, fundamentais na CTC dos nossos solos. Apesar de eto elevada, a gramínea ainda pode contribuir muito na manutenção de T* mais baixas e auxiliar no microclima abaixo da camada protegida, com menor volatização da umidade presente no solo.
Importante tbm, seria o uso da palha seca e estabilizada de gramínea, que com sua alta relação c/n, demora a decompor e protege o solo, além de não evapotranspirar.

Parabéns pelo enorme conhecimento, é uma inspiração.