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Tecnologias para melhor convivência com períodos de estiagem

POR CARLOS OTÁVIO RIBEIRO CONSTANTINO

E ROBERTO PASSON CASAGRANDE

TÉCNICAS DE PRODUÇÃO

EM 25/07/2016

4 MIN DE LEITURA

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Os agrônomos da Cooperativa Agrária dos Cafeicultores de São Gabriel (Cooabriel) falaram sobre sugestões para conviver da melhor forma com períodos de estiagem. Confira, abaixo:

*Por Bruno Sergio Oliveira, Carlos Otávio Ribeiro Constantino, Roberto Passon Casagrande

Atualmente estamos passando por um dos períodos mais críticos enfrentados pela cafeicultura capixaba nas últimas décadas, especialmente o Norte e Noroeste, regiões que acumulam grande déficit hídrico comprometendo a agricultura de modo geral. Dentre os principais problemas podemos enumerar:

1 – Precipitação 58% menor comparado com a média histórica;
2 – Temperaturas 2ºC a 5ºC acima da média histórica.

As Consequências

Foto: Cooabriel

• – Os níveis dos reservatórios e afluentes naturais reduzidos, inviabilizando irrigação e índices pluviométricos abaixo da média para o período proporcionando temperaturas elevadas e baixa umidade do ar;
• – Sintomas extremos de deficiências nutricionais devido ao atraso e a não execução das adubações em função da seca;
• – Baixo desenvolvimento vegetativo de ramos ortotrópicos/plagiotrópicos e comprometimento de parte da produção para próxima safra 2016/2017;
• – Período de granação crítico (falta de chuva e excesso de temperatura), grãos mal formados, chochos e de tamanho e qualidade reduzida.

Tecnologias de adaptações dos manejos

1 – Armazenamento de água: Os poucos reservatórios existentes foram construídos de forma a armazenar a água das chuvas e minimizar os prejuízos causados por períodos de déficit hídrico. Coube exclusivamente aos produtores capixabas a realização desses investimentos e em alguns casos insuficientes para reduzir tais prejuízos.

Considerando o período atual e com o objetivo de minimizar os prejuízos causados devido à forte estiagem que enfrentamos, realizamos adaptações no manejo de irrigação junto aos produtores, de modo a manter o potencial produtivo de acordo com os recursos disponíveis em cada propriedade. Na pratica, essas ações basearam-se na redução do volume de água aplicada nas lavouras considerando a expectativa de produção e de desenvolvimento vegetativo para o próximo ciclo produtivo, ou seja, lavouras novas e com maior potencial produtivo foram privilegiadas recebendo irrigações com melhor frequência, mas mesmo assim abaixo do volume ideal para manter as lavouras em condições de expressar o seu pleno potencial. Lavouras com menor potencial produtivo tiveram redução significativa no volume de água fornecida através da irrigação. Tivemos também decisões extremas de interromper a irrigação em lavouras de baixo potencial produtivo chegando a descartar algumas dessas áreas, visando manter a rentabilidade do produtor.

2 – A inexistência de políticas: A atual condição de crise política no país, principalmente, na esfera federal, tem retirado o foco dos problemas no setor agrícola. Em aspectos regionais pouco também tem sido feito em prol dos produtores que convivem neste cenário de seca. Muitos produtores não conseguirão honrar os compromissos financeiros devido à ausência da renda, além disso terão restrições para adquirir crédito para novos investimentos ou reestruturação das lavouras, pois devido à instabilidade econômica e política do país, os bancos têm aumentado a burocracia, exigido maiores garantias dos clientes e restringido a concessão de créditos para o público.

3 – Manejo da Irrigação: A necessidade de irrigação cada vez é maior a medida que nos aproximamos do período de florada do café. No entanto, as maiorias dos reservatórios estão limitados ou ainda não sofreram nenhuma reposição. Como estamos no período de inverno, os dias são mais curtos, e os níveis de radiação menores o que proporciona também menores valores de evapotranspiração. Além disso é um período que a planta tem reduzido o seu poder vegetativo em função da menor radiação solar. Diante da situação, o mais aconselhável é trabalharmos com turnos de rega maiores e reduzir a frequência de irrigação, ou seja, irrigar menos dias na semana (elevar o turno de regra) e manter tempo por setor (irrigando o mínimo necessário para manter as plantas, até a ocorrência de chuvas significativas). É importante lembrar que áreas com irrigação em sistema de aspersão é praticamente inviável irrigar, sendo necessário alteração para sistemas de irrigação localizada.

4 – Manejo Nutricional: A safra está sendo encerrada e são raros os produtores que conseguiram seguir os cronogramas de adubação recomendados. Assim, as plantas estão sob um grande déficit nutricional, a atual condição ainda não permite que todas as correções sejam feitas, pois o veículo que disponibiliza o fertilizante para as raízes é a água.

A opção no momento é como sempre foi feito: realizar amostragem e análise de solo. Algumas chuvas pontuais e passageiras irão ocorrer no período até a chegada da primavera (setembro), desta forma, pode-se realizar aplicação do calcário para que nos momentos em que chover a acidez seja corrigida e os nutrientes como o Cálcio e Magnésio ficarem disponíveis para planta. Os fertilizantes devem ser aplicados nos momentos após chuvas, com volume mínimo de 15 mm. Os produtos mais recomendados são aqueles que têm menor perda por volatilização.

5 – Manejo do solo: O manejo do solo deve ser voltado para manutenção e adição de matéria orgânica. O manejo do mato deve ser realizado com uso de roçadeira, capina apenas na linha de plantio e também capina química, caso tenha viabilidade, a aplicação da palha de café é sempre recomendada, pois toda matéria orgânica capaz de cobrir o solo vai permitir menor evaporação da água, redução da temperatura do solo e redução do risco de erosão nos períodos de chuva.

Dessa forma podemos resumir as principais ações tomadas no ciclo 2015/2016: Melhoria de infraestrutura para armazenagem de água; Ajuste frequente no manejo nutricional; Adaptações no manejo de irrigação; Utilização de matéria orgânica; Manejo de plantas infestantes – cobertura do solo; Realização de poda mais severa;

Foto: Cooabriel


Ações de planejamento
• – Adequação da área cultivada aos recursos naturais disponíveis;
• – Eliminação de lavouras em áreas desfavoráveis ao manejo;
• – Renovação de lavouras velhas e/ou depauperadas;
• – Troca do sistema de irrigação de aspersão por irrigação localizada.

*Engenheiros agrônomos do Projeto Conilon Eficiente Cooabriel. 

CARLOS OTÁVIO RIBEIRO CONSTANTINO

Engenheiro Agrônomo formado na UENF - Universidade Estadual do Norte Fluminense. Atua como consultor técnico no Projeto Conilon Eficiente COOABRIEL.

ROBERTO PASSON CASAGRANDE

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