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Quatro problemas atuais nas lavouras de café

POR JOSÉ BRAZ MATIELLO

TÉCNICAS DE PRODUÇÃO

EM 03/02/2017

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No final do ano passado e agora no início, em janeiro 2017, foram observados problemas em lavouras de café, relacionados com as condições de clima e manejo. Quatro ocorrências são aqui destacadas: a floração desigual, a escaldadura da folhagem, a queda de frutos e o ataque da mancha aureolada.

Florada desigual em cafeeiros, vendo-se frutos já em granação, outros menores e, até, flores abertas, nos últimos nós, em foto em meados de janeiro de 2017, no Sul de Minas
Florada desigual em cafeeiros, vendo-se frutos já em granação, outros menores e, até, flores abertas, nos últimos nós, em foto em meados de janeiro de 2017, no Sul de Minas

A floração, por efeito de chuvas mais cedo, teve início ainda em setembro de 2016, depois se seguindo 2-3 floradas em períodos normais (out/dez) e, agora, em meados de janeiro, uma florada fora de hora. As ocorrências variam de região para região mas, no geral, 2-3 nós na ponta dos ramos abriram flores em uma época anormal, provavelmente por efeito de um pequeno veranico, seguido de chuva em dez/jan.

À esquerda queda de frutos menores e à direita seca de ramos por ataque de Pseudomonas // Foto: Procafé  À esquerda queda de frutos menores e à direita seca de ramos por ataque de Pseudomonas
Àcima, queda de frutos menores. Na segunda foto, seca de ramos por ataque de Pseudomonas

A escaldadura está causando muita preocupação, pois veio de forma grave. A folhagem de cafeeiros, do lado voltado para o sol da tarde, teve um forte amarelelecimento e queima parcial de folhas. Ela esteve relacionada com o excesso de insolação e temperaturas altas, também em dezembro e janeiro e, por isso, foi mais observada em regiões um pouco mais quentes.

A queda de chumbinhos, conforme o esperado, vem sendo mais crítica nas lavouras que floresceram mais desfolhadas. Neste ano, também pelas florações desiguais, os frutos maiores exercendo efeito dreno das reservas, com descarte de frutos pequenos.

Escaldadura, com amarelecimento e queima de folhas, do lado dos cafeeiros batidos pelo sol da tarde // Foto: Procafé
Escaldadura, com amarelecimento e queima de folhas, do lado dos cafeeiros batidos pelo sol da tarde

O ataque de mancha aureolada foi retomado pelo excesso de chuvas continuadas, especialmente em regiões mais altas. Então, em certos dias, as temperaturas caíram. A umidade, o frio e os ventos são fatores para o agravamento da doença.

Como consequência desses problemas, serão observados os efeitos negativos sobre a produção dos cafeeiros e a qualidade dos cafés. A queda de frutinhos reduz o número de frutos remanescentes nas rosetas e nos ramos, a desigualdade de floração resultará em colheita de verdes e a última florada poderá, com frutos ainda em água, nem ser aproveitada. Isso influi na quantidade e qualidade do café. A escaldadura influi na granação dos frutos e agrava o ataque de cercospora. O ataque de Pseudomonas, com a seca de ramos, reduzirá a área produtiva das plantas.

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