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Lucratividade da Agricultura: Análise do Dr. Eliseu Alves, ex-presidente da Embrapa

Eliseu Alves
Assessor do Diretor Presidente e Pesquisador da Embrapa

Geraldo da Silva e Souza
Doutor em Estatística e pesquisador da Embrapa

Daniela de Paula Rocha
Pesquisadora do Centro de Estudos Agrícola - IBRE/FGV



O artigo considera a concentração do valor da produção e a renda líquida. Procura mostrar que a concentração da produção, os dados mostram ser ela muito alta, está fortemente ligada à modernização da agricultura. Daí decorre que o Brasil enfrenta problema grave de difusão de tecnologia, qual seja de fazer a tecnologia chegar a milhões de estabelecimentos que contribuíram muito pouco para a produção.

A lucratividade da agricultura é medida pela renda líquida do estabelecimento. Se igual ou maior que zero se classifica o estabelecimento como bem sucedido; caso contrário, mal sucedido. A comparação se faz entre o grupo bem sucedido e o outro, e nunca com uma situação ideal. Assim, o que um grupo faz o outro pode imitar. Da análise emergem as seguintes conclusões: como a pequena produção gastou muito menos por hectare, ela está sofrendo discriminação pelo mercado ou discriminação que depende da personalidade do agricultor; os produtores mal-sucedidos têm, por estabelecimento, maior área e maior patrimônio. Ou seja, fracassam na gestão dos recursos que comandam; e eles, ainda, obtêm produtividade por hectare e total dos fatores muito menores que as dos bem-sucedidos. Daí decorre que não sabem administrar a tecnologia, considerando-se as restrições e os preços relativos que vigoraram em 2006, ano a que se refere o Censo Agropecuário 2006. E não sabem administrá-la porque desconhecem seus parâmetros, erram nas previsões de preços, enfrentam restrições intrínsecas e de mercado instransponíveis e, ainda, não têm a disciplina necessária. Duas recomendações emergem para extensão rural: ensinar administração rural e ensinar aos agricultores monitorarem a aplicação da tecnologia.

O governo tem papel importante na eliminação das restrições de mercado: risco de preços e de clima, acesso ao crédito rural, sendo competitivo no mercado internacional, acesso à tecnologia moderna e infraestrutura de transporte, portos e aeroportos. Quanto às restrições intrínsecas, principalmente a aversão ao risco, cabe à extensão rural enfrentá-las.




Fonte: Polo de Excelência em Florestas. Acesse aqui a matéria completa.

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