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Feijão combina bem com café - no campo

POR JOSÉ BRAZ MATIELLO

TÉCNICAS DE PRODUÇÃO

EM 18/01/2017

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Por J.B. Matiello e S.R. Almeida – engenheiros agrônomos da Fundação Procafé e C.A,. Krohling – engenheiro agrônomo do Incaper


Não. Não se trata de combinar um cafezinho, tomado depois de saborear uma feijoada. O que vai bem para tirar a sonolência.

Lavoura de café, no primeiro ano de idade, plantada com feijão, com 3 linhas por rua, rua sim, rua não. Detalhes da manutenção de r área livre junto linha de cafeeiros e de rua livre, sem feijão, para passar o trator/implementos, para tratos no cafezal. Eloy Mendes, Sul de MG, dezembro de 2016
Lavoura de café, no primeiro ano de idade, plantada com feijão, com 3 linhas por rua, rua sim, rua não. Detalhes da manutenção de r área livre junto linha de cafeeiros e de rua livre, sem feijão, para passar o trator/implementos, para tratos no cafezal. Eloy Mendes, Sul de MG, dezembro de 2016

Aqui a combinação é no campo, na lavoura, onde a cultura do feijão se mostra muito adequada ao seu cultivo intercalar, nas ruas do cafezal. De fato, o feijoeiro apresenta características positivas, para aproveitar áreas livres no meio da lavoura de café. As plantas de feijão têm porte baixo, ciclo curto e pertencem à família das leguminosas, tudo isso leva à sua pouca concorrência com os cafeeiros. Juntam-se a essas características agronômicas favoráveis, a boa condição de preços, que o feijão tem alcançado no mercado.

No passado, os produtores familiares e mesmo os parceiros usavam em maior escala culturas intercalares nos cafezais, obtendo delas suporte na alimentação própria, além de sobras para venda.

Plantio de feijão, com stand até exagerado, em lavoura de café pouco tempo após recepa. Feijão dá sombra e protege contra ventos na brotação dos cafeeiros. Mutum – Z. VRD – MG, dez/16.
Plantio de feijão, com stand até exagerado, em lavoura de café pouco tempo após recepa. Feijão dá sombra e protege contra ventos na brotação dos cafeeiros. Mutum – Z. VRD – MG, dez/16.

A dificuldade de mão-de-obra e a necessidade de mecanizar os tratos nos cafezais trouxeram drástica redução no uso de cultivos intercalares. Porém, temos visto, ultimamente, uma retomada desses cultivos, devendo tratar-se de aperto diante da crise econômica atual e do custo alto do feijão.

Feijão intercalar em brotação de cafezal recepado, já com um ano. Na medida em que os cafeeiros forem se desenvolvendo, o número de fileiras de feijão, por rua do cafezal, deve ir diminuindo. Mal Floriano – ES, dez/16.
Feijão intercalar em brotação de cafezal recepado, já com um ano. Na medida em que os cafeeiros forem se desenvolvendo, o número de fileiras de feijão, por rua do cafezal, deve ir diminuindo. Mal Floriano – ES, dez/16.

A retomada de plantios de feijão em maiores áreas nas propriedades cafeeiras é muito adequada pois, com a ampliação que vem ocorrendo no plantio de café e com maior uso das podas, extensas áreas de cafezais estão disponíveis, com espaço livre nas ruas da lavoura. Ali, cultivar feijão é muito melhor do que cultivar mato. As prioridades para o cultivo intercalar são, portanto, em cafezais na fase de formação ou no pós-poda drástica (recepa / esqueletamento), ou mesmo em lavouras que, por outras razões (granizo, geada, estiagem, etc) se encontram em recuperação.

Faz alguns anos atrás, na época do ex-IBC, num período em que faltava feijão, realizamos campanha do seu plantio no meio do cafezal. Tendo havido sucesso, pois se conseguiu num só ano plantar 400 mil ha dessa cultura, boa fornecedora de proteína.

No meio no cafezal em formação, no 1º ano, o feijão intercalar ali colhido, representa economia na implantação do cafezal e fonte extra de alimento para o produtor. Mal Floriano (ES), dezembro de 2016
No meio no cafezal em formação, no 1º ano, o feijão intercalar ali colhido, representa economia na implantação do cafezal e fonte extra de alimento para o produtor. Mal Floriano (ES), dezembro de 2016

O Brasil ainda é o maior produtor e consumidor de feijão. A feijoada é um prato típico nacional, mas o feijão nem sempre. O consumo de feijão pelos brasileiros vem caindo, de 26 kg por pessoa na década de 60, para 19 kg em 90 e 15 kg per capita, atualmente. A área plantada caiu, de 5-6 milhões de ha/ano, na década de 90, para cerca de 3 milhões/ano na atualidade. A produtividade compensou, em parte, as safras.

A cafeicultura tem condições de fomentar o plantio de feijão. Não se justifica importar nem feijão, nem café.

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