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Chuva de granizo e Pseudomonas - combinação indesejável para o cafeeiro

POR JOSÉ BRAZ MATIELLO

TÉCNICAS DE PRODUÇÃO

EM 29/05/2019

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A combinação entre a ocorrência de chuva de granizo e o ataque de Pseudomonas aumenta os danos sobre os cafeeiros atingidos por esses problemas.

A chuva de granizo, ou chuva de pedra, é um fenômeno climático adverso que resulta na precipitação de pequenas pedras de gelo, as quais impactam as diferentes partes dos cafeeiros - folhagem, ramos e frutos - promovendo dilacerações e a derrubada dos mesmos.

Os prejuízos causados pela queda de granizo sobre os cafeeiros, além dos danos mecânicos provocados nas plantas, facilitam o ataque da bactéria Pseudomonas, a qual aproveita dos ferimentos, na folhagem e nos ramos, como porta de entrada nos tecidos.


Lesões de Pseudomonas (mancha aureolada) em folhas de cafeeiros a partir de ferimentos provocados por chuva de granizo. As manchas são escuras, com halo amarelado ao seu redor (foto esquerda). Ferimentos de granizo, porém sem ataque de mancha aureolada em material tolerante (foto direita). - Sul de MG, mar/19.

A ocorrência de granizo está ligada às tempestades. Já o ataque de Pseudomonas, causadora da mancha aureolada, se dá logo em seguida nas regiões de clima mais frio, em altitudes mais elevadas.

Como a chuva de granizo na maioria das vezes vem associada a ventos, é frequente um lado dos cafeeiros receber maior impacto das pedras de gelo, enquanto o outro lado fica bem menos atingido.


Contraste entre um lado do cafeeiro (foto esquerda) atingido por granizo, já com novas brotações. Do outro lado do mesmo cafeiro (foto direita) com pouco efeito, em função de acompanhamento com vento lateral.

O fato do ataque de Pseudomonas ocorrer rapidamente leva à necessidade de também fazer a proteção dos cafeeiros logo em seguida à chuva de granizo. Essa proteção pode ser feita com a aplicação de produtos fungicidas à base de cobre, os quais também são bactericidas. Podem ser usados, ainda, produtos à base de Kasugamicina e o superfosfato, este por conter flúor (bactericida) e pelo fato do fósforo aumentar a resistência das plantas. Na ocorrência simultânea de Phoma e Colletotrrichum, também favorecidos pelos ferimentos de granizo, podem ser associados fungicidas específicos pra esses fungos. A proteção contra ventos, com renques de vegetação, arbustiva ou arbórea, reduz a disseminação da Pseudomonas.

Observações recentes em campo mostram que os ferimentos do granizo na ramagem dão origem a um super-brotamento das plantas.


Ferimentos por granizo em ramos de cafeeiros, provocando super-brotamento.

Finalmente, é importante ressaltar que já estão disponíveis materiais genéticos de café com boa tolerância ao ataque de Pseudomonas, os quais podem ser implantados nas áreas de maior altitude e com batidas por ventos, portanto, mais sujeitas à ocorrência de mancha aureolada.

Destacam-se, nesse particular, a cultivar Arara, que é bastante tolerante. Nela, a doença se restringe ao ataque de poucas folhas, sem atingir a ramagem. O próprio Icatu 3282, a cultivar IBC 12 ou IAC 125 e o Geisha, atualmente em cultivo para cafés especiais. A cultivar IPR 102 também tem boa resistência, e a cultivar Japy tem se mostrado em campo mais tolerante a essa doença.

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