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Cafeicultores assinam documento em favor da instalação de fábrica da Nestlé no Brasil

Por Equipe CaféPoint (CaféPoint)
postado em 28/10/2014

12 comentários
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Por Thais Fernandes

No último dia 23 de outubro, cafeicultores e membros da cadeia produtiva cafeeira da região da Alta Mogiana, abrangendo municípios de Minas Gerais e São Paulo, participaram de um abaixo-assinado em favor da instalação de fábrica de cápsulas da multinacional Nestlé no Brasil. (Leia aqui mais sobre o pedido da companhia)

Durante o evento II Espaço em Jaguara de Cafés Especiais, os palestrantes Carlos Brando, da P&A Marketing, e Mauricio Miarelli, coordenador do Conselho Nacional do Café (CNC) e presidente da Cooperativa de Cafeicultores e Agropecuaristas (Cocapec), abordaram o tema. “O produtor não pode se isolar. O café precisa passar por toda a cadeia até chegar ao consumidor”, pontuou Miarelli.

O coordenador do evento em Jaguara (MG), Ivan Sebastião Barbosa Afonso, explica que a iniciativa busca dar voz aos produtores. “Aproveitamos o momento para reunir produtores em torno deste tema. O abaixo-assinado será enviado em nome dos próprios cafeicultores e não de uma única cooperativa ou instituição”, afirma.

Ao todo, foram angariadas durante o evento mais de 243 assinaturas a favor do tema e o documento será encaminhado ao Ministério do Desenvolvimento Agrário, com cópia ao CNC. Ainda de acordo com Mauricio Miarelli, há interesse de que a fábrica seja instalada em Montes Claros (MG) e, por isso, o documento será entregue, também, ao governador eleito de Minas Gerais.

Foto: Alexia Santi/ Agencia Ophelia/ Café Editora
 
Foto: Alexia Santi/ Agencia Ophelia/ Café Editora


O texto de introdução do abaixo-assinado, direcionado ao ministro, cita que “Cafeicultores e integrantes da cadeia produtiva do café, reunidos em Jaguara, nesta data, durante o II Espaço em Jaguara de Cafés Especiais, tomando conhecimento da polêmica que abate a classe produtora brasileira, a respeito da possibilidade da instalação de uma fábrica de cápsulas de cafés finos, a ser implantada pela Nestlé, no país, vem manifestar a Vossa Excelência o seu apoio ao pleito da multinacional, pois vêm, esta fábrica, como uma oportunidade de alavancar a produção e a comercialização de cafés especiais brasileiros.”

Segundo Carlos Brando, a Nestlé pretende tomar medidas para melhorar seu relacionamento com a cadeia produtiva nacional. “Eles propõem investimento em pesquisas na nossa cafeicultura e, aos poucos, trocar os cafés estrangeiros dos blends, por nacionais”, afirmou o especialista em marketing cafeeiro. “De imediato, já sai Vietnã e entra conilon do Espírito Santo”, prosseguiu Brando, que acredita que a tendência, entre as marcas da companhia, seja a instalação da Dolce Gusto.

Posicionamento da diretoria do CNC
Questionado pela equipe CaféPoint, o Conselho Diretor do CNC se pronunciou sobre o tema. Acompanhe, abaixo, o que o Conselho Nacional do Café esclareceu acerca dos comprometimentos da Nestlé:

“No início do programa, a Nestlé utilizará 65% de Cafés do Brasil na produção de suas bebidas, com o prognóstico que esse percentual salte para 85% em 10 anos, mas não descartando a possibilidade dessa elevação ocorrer antes devido aos resultados iniciais dos testes de campo, visto que a empresa está contratando um grupo de técnicos para encontrar, no Brasil, grãos semelhantes àqueles que deverão ser importados para compor o blend. Caso não sejam localizados esses cafés, o prazo de 10 anos é necessário para o desenvolvimento de testes que permitam assegurar a viabilidade econômica das variedades desenvolvidas pela Nestlé fora do Brasil, especialmente produtividade e resistência ou tolerância a pragas e doenças, haja vista que não é intenção de ninguém correr o risco de introduzir no Brasil variedades de café arábica que atendam às características sensoriais desejadas, mas que não apresentem os parâmetros de produtividade necessários ou que sejam suscetíveis a pragas e doenças.

É interessante destacar, em especial aos que se encontram receosos com a possibilidade da instalação da fábrica da Nestlé no Brasil, que a empresa se comprometeu em executar programas para aumento da qualidade e da sustentabilidade da cafeicultura nacional; a pagar prêmios ao produtor pela qualidade do produto, que devem variar de US$ 10 a US$ 17 por saca, de acordo com os critérios baseados em atributos sensoriais da bebida preparada; e, também, contratar um Centro Colaborador, habilitado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) para a realização da Análise de Risco de Pragas (ARP) para cada país de onde se importará o café arábica verde.

O investimento que a Nestlé se comprometeu a fazer é de R$ 800 milhões, dos quais R$ 180 milhões serão nos primeiros dois anos (2014-2015), com o início das atividades da fábrica previsto para o segundo semestre de 2015. A expectativa inicial é que a estruturação da planta gere mais de 400 empregos de forma direta.

Pesquisas
A Nestlé explica que o trabalho de Pesquisa & Desenvolvimento consiste em identificar e desenvolver no Brasil os três pilares fundamentais que impactam os atributos sensoriais do café: Ambiente, Planta e Processamento pós-colheita. Para isso, a empresa investirá R$ 3,2 milhões, em 10 anos, sendo R$ 2,2 milhões nos primeiros anos (2014 a 2016), com o objetivo de desenvolver novas técnicas de produção e variedades de café. Assim, espera cultivar, no Brasil, cafés com novos atributos sensoriais para “match” com os da Colômbia e África. Além disso, a empresa também pretende desenvolver talentos técnicos para atuação em pesquisa e no campo.

Conilon
Se concretizada a construção da fábrica, a Nestlé tem o compromisso de utilizar, única e exclusivamente, o café conilon nacional, sendo vetada qualquer possibilidade de importação dessa variedade de outras origens produtoras que não o Brasil.

Os cafés a serem trazidos para cá, no início do projeto, referem-se exclusivamente a arábica, em um montante inicial aproximado de apenas 25 mil sacas/ano. Aos que temem que esse volume importado cresça, a Nestlé assumiu o compromisso de suprir o aumento da demanda por seus produtos com o desenvolvimento de cafés equivalentes a esses no Brasil, investindo nas pesquisas, conforme citado anteriormente. É válido frisar que a importação inicial desse café arábica tem o objetivo único de manter o padrão sensorial do blend atualmente fabricado na Europa.

Por fim, esclarecemos que a intenção da empresa, após um ano de operação, é que a exportação anual do produto processado alcance um montante equivalente a, no mínimo, três vezes o valor do café verde importado, podendo chegar até a seis vezes. E, como compromisso assumido para a agregação de renda, o produto final que utilizará café verde importado deverá possuir um valor pelo menos 10 vezes maior que o do grão verde trazido para o Brasil.”

Saiba mais sobre o autor desse conteúdo

Equipe CaféPoint    São Paulo - São Paulo

Mídia especializada/imprensa

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Comentários

Aylton Piona Coutinho Junior

João Neiva - Espírito Santo - Produção de café
postado em 28/10/2014

Serão novametne promessas em vazão, ou não? Afinal acredito que muitos de nós já estamos "escolados" destas promessas....
Por que infelizmetne, as coisas invariavelmente começam assim: promete-se aquilo que todos querem ouvir, e depois o discruso muda...e quem irá fazê-lo mudar? Nossos políticos? As cooperativas / ou as associações ?

Renato Pita Maciel de Moura

Baependi - Minas Gerais - Produção de café
postado em 29/10/2014

Quero assinar o documento. Como faço?

eli valera nabanete

Marumbi - Paraná - Produção de café
postado em 30/10/2014

Desses citados por voce Aylton, acredito que nenhum fara mudar coisa alguma.

Eduardo Lima

Ouro Branco Ouro Fino - Minas Gerais - Produção de café
postado em 30/10/2014

Essa será a porta de entrada para o famoso Drawback? importação de café com restrições? Quem vai controlar isso?

Renato Pita Maciel de Moura

Baependi - Minas Gerais - Produção de café
postado em 31/10/2014

Não perdemos nada com o drawback. O total de produção e consumo mundial não se alteram!

Carlos Alberto de Carvalho Costa

Muqui - Espírito Santo - Produção de café
postado em 01/11/2014

Concordo plenamente com o Sr. Eduardo Lima, quando as porteiras se abrirem vcs verão a quebradeira e o desemprego generalizado na cafeicultura brasileira. A favor da fábrica da Nestlé, mas contra o privilégio de importação de café verde pela mesma, a qual gerará 400 empregos e milhares de desempregos.

Aylton Piona Coutinho Junior

João Neiva - Espírito Santo - Produção de café
postado em 02/11/2014

Infelizmente Eli, isto é verdade...Nada os fará parar...e nós...o que nos fará parar?
Será que isto realmente usará apenas nosso conillon produzido no Brasil....ou o arábica fino também produzido com excelência nas vossas lavouras...ou importarão a grande maioria devido a custos, etc...e nós seremos apenas geradores de mão de obra para a fábrica que terá apenas uns poucos funcionários, irá gerar impostos e nós???
Continuamos do mesmo modo...lutando para produzir,num luta insana para diminuir os custos, produzir mais e melhor, normas ambientais mais rígidas(CAR , reserva legal, licença disso daquilo,etc.), diminuição expressiva da mão de obra no campo, elevação dos preços dos insumos...
Realmente nada disso irá mudar....e nós o que nos fará mudar?

eli valera nabanete

Marumbi - Paraná - Produção de café
postado em 03/11/2014

AYLTON, ja eliminei 70% da minha lavoura e penso que no proximo ano ADEUS CAFE depois de quase um seculo com meus antepassados.Sou o ultimo.
O pior de tudo isso  nao eh so a questao financeira, pois a psicologica tambem vai para o espaço com tantas besteiras que se publicam e com o terrorismo que se aplicam sobre nos.
Sorte a quem ficar...

Marcelo Pimenta

São Sebastião do Paraíso - Minas Gerais - Produção de café
postado em 03/11/2014

Importar café? Isso está cheirando MARACUTÁIA. Desde quando duzentos e poucos produtores representam a cafeicultura brasileira. Cuidado cafeicultores .

Carlos Alberto de Carvalho Costa

Muqui - Espírito Santo - Produção de café
postado em 03/11/2014

Boa Marcelo Pimenta, duzentos e poucos produtores de café não representam nem um por cento da cafeicultura brasileira e ainda por cima de tudo será que eles sabem o que estão assinando?

Edimar Gonçalves Carvalho

Guaçuí - Espírito Santo - Insumos para indústria, distribuição e varejo
postado em 03/11/2014

se o Brasil quiser aumentar  a exportação de  café pronto para ser consumido, este é o caminho, lógico que todo jogo tem regras, mas quem não joga não ganha, sejamos bons jogadores e vamos vencer sempre, exportando cafés solúveis, óleos de soja , sapatos de couro de nossos bois, camisinhas de látex de nossa borracha, tudo em embalagens bem pequenas, vamos dar valor aos nossos produtos..., acorda Brasil, ou será preciso do Collor de Melo voltar a ser presidente?????

Cid Manicardi

Campinas - São Paulo - Produção de café
postado em 05/07/2015

Opa! Então o CNC apóia a importação de grãos de café? Todo torrefador poderá importar um café do Quênia ou da Costa Rica? Mesmo um microtorrefador? Ou só quem tem uns milhões pra comprar um político na feira de Brasília ou em alguma associação poderosa? Ou um que participe das duas casas?
Pergunto ainda: e se a Nestle quiser comprar um grãozinho do Peru, pode?
Costumo ler o cafepoint, mas essa "matéria" é nitidamente uma ação de marketing da empresa, via CNC ou mesmo via "jornalismo".
"...esclarecemos que a intenção da empresa.."
".... a Nestlé tem o compromisso de utilizar..."
"... utilizar, única e exclusivamente, o café conilon nacional"  
Os cafeicultores signatários representam alguma associação de Conilon?
É válido frisar, segundo garante a jornalista (ou o CNC, via seu presidente nobre deputado federal Ficha Limpa do PMDB, que a importação desse café arábica tem o objetivo único de manter o padrão sensorial do jeito que a empresa prefere... Porque ela investirá milhões e ainda pagará um prêmio de, vejam só, 30 reais por saca, se alguém conseguir mesmo, um dia, produzir um Arábica especial aqui no Braza!
E é um compromisso da empresa que o produto final será vendido por, no mínimo, 10 xs o valor pago ao honrado produtor! Isso é o que se costuma chamar de Fair Trade.. The Political Fair Trade!

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