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Pedido da Nestlé para importação de café gera polêmica no setor

Por Equipe CaféPoint (CaféPoint)
postado em 05/09/2014

8 comentários
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Por Thais Fernandes

Recentemente a empresa multinacional Nestlé, responsável pelas marcas de cafés Nespresso e Dolce Gusto, manifestou interesse em abrir uma fábrica de cápsulas de café no País. No entanto, de acordo com informações da Secretaria de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca do Espírito Santo (Seag), uma das contrapartidas requeridas pela empresa, é a importação de café verde de outras origens (outros países produtores) para compor um percentual de seus blends. A informação reascendeu a discussão acerca da importação da matéria-prima, cujo principal país produtor é o próprio Brasil.

Ilustração: Marcelo Biscola/ Café Editora
 
Ilustração: Marcelo Biscola/ Café Editora

Para oficializar oposição ao pedido, a Seag – ES enviou um documento oficial ao Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa), à Confederação Nacional da Agricultura e ao Conselho Nacional do Café nesta terça-feira (2/9). Segundo a Seag - ES, a fábrica poderá ser construída no Estado de Minas Gerais, contudo, a ação coibirá a compra de café em todo território nacional, inclusive da variedade conilon, que tem como principal estado produtor o Espírito Santo. O secretário de Agricultura do Estado, Enio Bergoli, destacou, ainda, outro problema da importação do café verde. “A entrada de café de outros países pode trazer junto pragas e doenças inexistentes no território nacional”, explica.

Assinaram também o manifesto, a Comissão da Agricultura da Assembleia Legislativa, o Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), a Federação da Agricultura e Pecuária do Espírito Santo (Faes), a Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado do Espírito Santo (Fetaes), o Centro de Desenvolvimento Tecnológico do Café (Cetcaf), a Organização das Cooperativas do Brasil (OCB/ES), a Cooperativa Agrária de Cafeicultores de São Gabriel (Cooabriel), o Sindicato Rural de Jaguaré, Associação de Irrigantes do Espírito Santo e a representação capixaba na Confederação Nacional da Agricultura (CNA).

Em nota ao CaféPoint, a Nestlé deu seu posicionamento sobre o tema. A empresa afirma que “tem total interesse em trazer para o Brasil uma fábrica de cápsulas e vem desenvolvendo estudos a fim de assegurar a consistência e a sustentabilidade do projeto”. Já foi realizada pelo menos uma visita com o fim de conhecer o café capixaba, segundo noticiou a própria Incaper. Ponderando os benefícios que a fábrica poderá trazer, como a geração e empregos, a Nestlé esclarece que “tem trabalhado, juntamente com vários agentes da cadeia, para extinguir entraves com os quais tem se deparado e, assim, obter esse novo investimento para o Brasil”. Leia a nota na íntegra ao final da reportagem.

Importação de embalagens
Sobre outros pontos da instalação da fábrica, o secretário Enio pontua, ainda, que além da importação de matéria-prima, seriam importadas embalagens para as cápsulas. “É importante deixar claro que não somos contrários aos investimentos que promovam a agregação de valor do café por meio da industrialização, mas sim à forma de importação de café verde, à isenção de impostos para importação de embalagens do exterior e ao baixo nível de comprometimento e de recursos previstos pela empresa em desenvolvimento científico e tecnológico no Brasil”, destaca Enio Bergoli, que afirma ser “injusta a importação de embalagens desoneradas de tributos, tendo em vista uma série de investimentos que estão em curso no Brasil, neste elo da cadeia produtiva”.

De acordo com a Seag, o protocolo para implantação do investimento, os cafés seriam importados da Colômbia, do Quênia, da Etiópia e do Vietnã para compor em 35% a mistura (blend) desejável na cápsula de café em dose única. Os outros 65% seriam de cafés produzidos no Brasil e, ao longo do tempo, esse percentual subiria para 85%.

Drawback
Na discussão sobre a instalação desta fábrica da Nestlé no Brasil, muito se falou em drawback (que é a importação de matéria-prima com intenção de exportar o produto após sua industrilização), entretanto, o pedido da Nestlé não abrange esta prática. Segundo informações da Seag, a empresa pretende vender suas cápsulas para o mercado interno brasileiro, daí também a preocupação em afetar a “série de investimentos que estão em curso no Brasil”, a que se refere o secretário.

Nota da Nestlé enviada ao CaféPoint em 4 de setembro de 2014

POSICIONAMENTO NESTLÉ
A Nestlé tem total interesse em trazer para o Brasil uma fábrica de cápsulas e vem desenvolvendo estudos a fim de assegurar a consistência e a sustentabilidade do projeto. A empresa acredita no potencial do país e que o investimento resultará em benefícios importantes, tais como o incremento do parque industrial através de uma nova tecnologia, geração de empregos diretos e indiretos e a valorização da produção nacional de matérias-primas, principalmente cafés, incentivando o constante desenvolvimento do produtor local, auxiliando-o a se tornar mais competitivo tanto interna quanto externamente. A empresa esclarece ainda que tem trabalhado, juntamente com vários agentes da cadeia, para extinguir entraves com os quais tem se deparado e, assim, obter esse novo investimento para o Brasil.

Assessoria de Imprensa da Nestlé Brasil
São Paulo, setembro de 2014.

 

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Equipe CaféPoint    São Paulo - São Paulo

Mídia especializada/imprensa

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Comentários

mario dornelles de alvarenga

Perdões - Minas Gerais - produçaõ de cafe
postado em 08/09/2014

A Nestle nos toma como  idiotas, importar cafe pra que?Temos otimos cafés  aqui para atende-la.Se isto é contrapartida para montar fabrica aqui,que monte no paraguai lá é um bom lugar para esta empresa que pratica uma" grande sustentabilidade"com o produtor brasileiro!!!

Eduardo Lima

Ouro Branco Ouro Fino - Minas Gerais - Produção de café
postado em 08/09/2014

A Nestle,  juntamente com outras grandes torrefadoras,  Sara Lee , Starbuks, dentre outras, e não muitas, dominam o mercado de café a muito tempo. Compram o nosso produto pelo preço que querem, em  uma relação de comércio bem colonial;   Abrir uma fábrica aqui, é apenas pano de fundo para conseguir manipular o mercado ainda mais. A única "sustentabilidade" que essas grandes torrefadoras almejam é a própria. Se a questão é desenvolver uma indústria de café e agregar valor ao produto para poder exporta-lo, que se faça por meios bilaterais de comércio. Abandone esse acordo canhestro do Mercosul e procure derrubar as tarifas protecionistas contra o nosso café industrializado. Há, mais isso é outra conversa né?????

Carlos Alberto de Carvalho Costa

Muqui - Espírito Santo - Produção de café
postado em 08/09/2014

Nos que sempre fomos contra a importação de café por indústrias brasileiras, por que agora iremos permitir que uma grande multinacional faça isso. Essa multinacional está dizendo que gerará 400 empregos diretos, mas quantos desempregos essa implantação gerará  na zona rural brasileira. Realmente o Sr. Mario Dornelles tem razão, porque a Nestlé não monta essa indústria em outros países. Por outro lado seria uma vergonha para todos nós importarmos café de outros países sendo que somos o maior produtor e o segundo maior consumidor do mundo.

Wagner Backer Oliveira

Jaguaré - Espírito Santo - Produção de café
postado em 08/09/2014

A Nestle exige selo de qualidade e dentre outos aspectos,  ausência de trabalho escravo, será que nesses paises acima eles sabem o que é trabalhador de carteira assinada ?

Sergio soares da silva

Santa Tereza - Espírito Santo - Produção de café
postado em 08/09/2014

Pelo jeito devemos ter cara de idiota, porque um pedido desse só achando isso mesmo de nós produtores brasileiros,  temos quantidades e qualidades de ótimos cafés aqui; mas do jeito que o governo nos trata não duvido de nada, pois quem já anistiou dividas de outros paises, construiu porto em outro pais, importou médicos que com acordo (são quase escravos), o que esperar de um governo assim?

Roberto Rosa Machado

Vitória - Espírito Santo - Estudante
postado em 09/09/2014

O mercado está aberto, produzir cápsulas não é mais segredo. A Nestlé quer vir para o Brasil, para baixar preço de dose, instalar uma indústria aqui e não permitir a expansão da indústria brasileira no segmento. Precisamos valorizar o café fino, incentivar a monodose (sachê e cápsulas) e aumentar a participação das indústrias brasileiras. Importar robustas da Ásia, vai sufocar as cotações do nosso robusta, onde já sofremos com o alto custo de produção,  vamos ter que sofrer com a baixa demanda nas praças.

Carlos Alberto de Carvalho Costa

Muqui - Espírito Santo - Produção de café
postado em 09/09/2014

Muito bem meus amigos produtores, vamos dar um basta nesse sonho ridículo e massacrante dessa multinacional, ao mesmo tempo perguntar aonde estão nossos políticos em Brasília que não falam nada sobre esse tenebroso assunto, será que estão amarrados ?

josé Hess

Curitiba - Paraná - engenheiro da FAEP responsável pelo café
postado em 30/10/2014

A classe produtora de café do Paraná e demais estados já se posicionaram não contra a instalação  da fábrica mas contra a importação de cafés verdes de outros países nossos concorrentes em detrimento de nossos produtores e de nossa produção.

Além de quererem se beneficiar de isenção de impostos  e criar mais um mercado de cafés prejudicando o nosso já sofrido mercado nacional, 400 empregos na fabrica nada melhoram a produção cafeeira nacional e não ajuda em nada a questão de desemprego no meio rural. Portanto somos contra essa forma de se instalar a empresa no Brasil.

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