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Boletim Carvalhaes: Bom ano para o café, mas ruim para os cafeicultores

POR EQUIPE CAFÉPOINT

MERCADO

EM 28/12/2017

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Boletim semanal Escritório Carvalhaes - ano 84 - n° 52
Se quiser consultar boletins anteriores, clique aqui e confira o histórico no site*
Santos, sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

2017 foi um bom ano para o café, mas ruim para os cafeicultores.

Para o mundo do café 2017 será o ano em que ficou claro que a China se transformará em importante consumidora de café.

O mercado chinês é estimado atualmente em mais de US$ 1 bilhão ao ano. Passou de 1,1 milhão de sacas em 2011/2012 para 3,2 milhões de sacas em 2016/2017 praticamente triplicando nos últimos seis anos. A demanda por café nesse país sobe 16% ao ano. Esse crescimento expressivo do consumo de café na China é atribuído a mudanças nos hábitos de consumo da população, em função da urbanização, aumento da classe média e melhora no poder aquisitivo.

Dois dos maiores grupos torrefadores do mundo, Nestlé e Starbucks, a cada ano investem mais na China. A Starbucks inaugurou neste final de ano uma nova mega cafeteria em Xangai. Com 2 700 metros quadrados, é a maior loja da Starbucks em todo o mundo. A Starbucks já opera em mais de 130 cidades chinesas, com um número superior a três mil lojas em atividade. Atualmente inaugura uma loja a cada 15 horas, abrindo mais de uma nova unidade por dia na China.



Até 2021 o consumo de café deve ultrapassar o consumo de chá na Inglaterra. O consumo mundial de café vem crescendo aproximadamente 2% ao ano nos últimos dez anos e o consumo brasileiro de café, o segundo maior do mundo, cresce ano após ano.

Continua crescendo mesmo com Brasil enfrentando uma das maiores crises econômicas de sua história. Este ano cresceu 3%. A imagem do café nunca foi tão positiva e os jovens lotam cafeterias em todo o mundo.

Contrastando com esse cenário animador, os produtores de café tiveram um ano negativo. No Brasil, maior produtor e exportador de café do mundo, responsável pela produção de mais de 35% do café consumido mundialmente, os preços pagos aos produtores de café, arábica e conilon, caíram forte. Sem estoques governamentais, zerados pela primeira vez, enfrentando o terceiro ano de problemas climáticos e colhendo uma safra de ciclo baixo, mas com custos de produção em alta, os cafeicultores assistiram as cotações caírem no decorrer do ano sem qualquer reação mais forte do governo federal e de suas lideranças políticas. Ainda tiveram de lutar contra uma inexplicável tentativa de importação de café verde.
Insistimos aqui que o trabalho divulgado em novembro último pela OMPI - Organização Mundial de Propriedade Intelectual, agência da ONU para propriedade intelectual, com 187 países membros, sediada em Genebra (veja nossos boletins 47 e 48), é uma importante ferramenta para que nossas lideranças comecem a desenhar uma nova política para os cafés do Brasil no século 21. O estudo da OMPI mostra que os países produtores ganham menos com o grão do que os que importam a commodity, industrializam, registram patentes e comercializam o produto final. Deixa claro que nos últimos 50 anos, o mercado passou por uma profunda transformação. Em 1965, 60% da renda do café ficava para o país exportador. No fim dos anos 1970, essa taxa era de 50%.

Em 2013, ele ficava com a menor parte, cerca de um terço. Os dados levantados reforçam quem de fato é o dono do “negócio café”.

Terminamos esta última análise de 2017 copiando o que dissemos um ano atrás no final dos comentários de nosso último boletim de 2016(de 29 de dezembro de 2016, número 52):

“O cafeicultor brasileiro necessita de bons lucros para recuperar prejuízos de anos anteriores, e segurança para investir no aumento da produção de café. Foram 290 anos de trabalho persistente para o Brasil chegar ao estágio atual. Para nós está claro, que como maiores produtores e exportadores de café do mundo precisamos trabalhar para desenvolver e implantar uma nova política de defesa dos preços do café.”

Até dia 27, os embarques de dezembro estavam em 1.796.541 sacas de café arábica, 29.868 sacas de café conilon, mais 198.277 sacas de café solúvel, totalizando 2.024.686 sacas embarcadas, contra 2.114.114 sacas no mesmo dia de novembro. Até o mesmo dia 27, os pedidos de emissão de certificados de origem para embarque em dezembro totalizavam 2.653.649 sacas, contra 2.813.662 sacas no mesmo dia do mês anterior.

O mercado físico brasileiro na prática não abriu esta semana. A bolsa de Nova Iorque – ICE, do fechamento do dia 22, sexta-feira, até o fechamento de hoje, quinta-feira, dia 28, subiu nos contratos para entrega em março próximo 440 pontos ou US$ 5,82 (R$ 19,28) por saca. Em reais, as cotações para entrega em março próximo na ICE fecharam no dia 22 a R$ 530,51 por saca, e hoje dia 28, a R$ 546,93 por saca. Hoje, sexta-feira, nos contratos para entrega em março a bolsa de Nova Iorque fechou com alta de 30 pontos. No mercado Calmo de hoje, são as seguintes cotações nominais por saca, para os cafés verdes, do tipo 6 para melhor,
safra 2017/2018, condição porta de armazém:

R$480/500,00 - CEREJA DESCASCADO – (CD), BEM PREPARADO.
R$460/480,00 - FINOS A EXTRA FINOS – MOGIANA E MINAS.
R$440/460,00 - BOA QUALIDADE – DUROS, BEM PREPARADOS.
R$420/430,00 - DUROS COM XÍCARAS MAIS FRACAS.
R$410/420,00 - RIADOS.
R$410/420,00 - RIO.
R$420/440,00 - P.BATIDA P/O CONSUMO INT.: DURA.
R$420/430,00 - P.BATIDA P/O CONSUMO INT.: RIADAS.

DÓLAR COMERCIAL DE QUINTA-FEIRA: R$ 3,3130 PARA COMPRA.

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GLEISON

IBICOARA - BAHIA - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 04/12/2017

Sou produtor de café  na região da Chapada Diamantina. Queria ter um apoio técnico e melhorar a gestão da minha fazenda. 

Fico grato se alguém poder me dar uma orientação!

Abraços.
LUIZ ARRUDA

ANDRADINA - SÃO PAULO - ESTUDANTE

EM 25/11/2017

Até quando os produtores terão que aguentar um governo medíocre que prefere vender banana do que bananada ? Política apenas de commodities é politica de escravidão!!!
JOSINO

MANHUAÇU - MINAS GERAIS - COMÉRCIO DE CAFÉ (B2B)

EM 06/11/2017

Acho engraçado que somos o maior produtor de café do mundo e o café é cotado na bolsa de NEW YORK, sendo que qualquer instabilidade POLÍTICA do país sofremos as consequências!!! Como uma pessoa de outro país, que não vem na lavoura, consegue fazer uma estimativa de safra do próximo ano?! Indignado como não conseguem ver que o que ainda segura o BRASIL somos nós, produtores, que fazemos parte de 6% do PIB no agronegócio. 
ELI VALERA NABANETE

MARUMBI - PARANÁ - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 25/10/2017

Sinceramente está difícil saber o que norteia os preços do café. Quem souber, por favor, nos oriente.

Obrigada! 
MURILO DE FREITAS FERRACIN

MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 16/10/2017

Infelizmente todos estes comentários e informações são válidas somente para nós, produtores, que estamos no dia- a-dia. Porém, para os atravessadores, pouco importa. Estamos em um mercado que o que roda não são os grãos e sim os papéis. Com isso, pouco importa se vai ter mercadoria ou não para honrarem, paga-se com papel.
MARCELO RODNEY DE SOUZA

LAJINHA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 09/10/2017

Em nossa região a quebra passa de 50% em relação a 2016/2017. Muitos produtores estão fechando a safra com 30% de produção em relação ao ano anterior.

2017/2018 foi umas das safras mais baixas dos últimos anos.
RODNEI P COVRE

ESPÍRITO SANTO - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 26/09/2017

Nós, produtores, precisamos ter certeza de que as indústrias vão comprar o café e não apenas viver esperando o resultado da especulação do mercado financeiro.  Desta forma, nossa indústria se tornará mais forte na torrefaçao de café solúvel, trazendo valor ao nosso produto.
JUSCELINO FERRAZ DE ARAUJO

GUAXUPÉ - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 19/09/2017

Essa é a realidade do produtor, cooperativa e indústria, faturando alto  - e muito alto - em cima do pobre cafeicultor. Trabalhar ganhando fácil, em salas climatizadas e viagens aos melhores lugares do mundo, esses são os nossos defensores? Até quando vamos aguentar?

Produtor, vamos nos reorganizar, senão...
M J SILVA

LINHARES - ESPÍRITO SANTO - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 11/09/2017

É complicado...

Todos nós queremos uma melhoria, uma luz para tal problema, porém, diante de tanta desgraça na política, ficamos sem saber se teremos esses dias de glória ou se seremos para sempre escravos da má gestao que segue acomodando malas e malas para o seu próprio benefício. 
JULIO PEDREIRA PASANDIN

MONTE ALTO - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 08/09/2017

Para que ocorra o que o Sr.Alexandre Castro Cambraia colocou (e que está bem fundamentado), necessitamos de uma política drástica de exportações que determine a saída do café como produto industrializado e não como commodity. Para isso, teríamos que ter um parque industrial a altura, bem como marketing adequado e logística também. Seria um sonho, estaríamos quebrando com alemães, italianos, americanos, que vivem desta maravilhosa bebida correndo risco zero.
ALEXANDRE CASTRO CAMBRAIA

OLIVEIRA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 06/09/2017

Tenho 38 anos e acompanho meu pai na cafeicultura desde pequeno. Estando há 12 anos na atividade como produtor, posso afirmar que os problemas e discursos são os mesmos há pelo menos 30 anos. 

Existe algum Deus capaz de modificar a situação? Ou nós, brasileiros, vamos finalmente enxergar que ser um país vendedor de commodities é o mesmo que ser um país escravo e fadado à pobreza e ao fracasso?

Devemos nos capacitar e nos industrializar, tornando o Brasil o maior fornecedor de café torrado do mundo!!!!
MARTA DA SILVA FERREIRA

GUAXUPÉ - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 28/08/2017

Politicamente desgovernados, completamente impotentes diante do descalabro de preços que - só não vê quem não quer - são uma afronta ao produtor.  Vamos, ano após ano, amargando a falta de uma política séria, eficaz e competente.

Chegará o dia em que nós, produtores, poderemos dizer que o preço de venda de nosso produto é "x"? Baseado na verdade do nosso custo de produção? Desafiando quem está atrás de alguma mesa (chiquérrima) a honrar e respeitar nosso trabalho? Quero viver o bastante para ver isso... Enquanto isso, engulo à força vender barato para garantir o crédito, garantir a honra, garantir a migalha que proverá a árdua batalha de garantir a lavoura do ano que vem.
EDUARDO

EM 22/08/2017

O custo da saca de café por R$ 450,00 é muito bem feito, devido a quebra da safra. Vocês querem matar a galinha dos ovos de bronze. 
JOSE EDUARDO BICUDO

SERRA NEGRA - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 16/08/2017

Bom dia!

Acredito que a disposição de compra das exportadoras de café não é o suficiente para fechar bons negócios, pois em minha região temos os melhores cafés arábica do Brasil.

Esperamos melhores preços (R$ 580,00) para continuarmos a produzir e sobreviver.
GERALDO GARCIA DE MEIRELES

GOIÂNIA - GOIÁS - PROVA/ESPECIALISTA EM QUALIDADE DE CAFÉ

EM 31/07/2017

Na falta de graves intempéries climáticas (secas e geadas), o que sempre provocou  oscilações no mercado de café foram, sem dúvidas, os boatos sobre previsões de safras e estoques remanescentes. Antigamente, um senhor lá de fora mentia descaradamente fazendo prognósticos de safras cafeeiras sem sair do seu país e tinha uma credibilidade incrível. Bem, aquele já não apita mais nada e hoje vivemos um momento tecnologicamente bem aparelhado, logo não deve ser tão difícil uma aproximação de números reais. A lei de oferta e procura nunca será revogada, mas que haja transparência nas informações e que as lideranças atuem de fato na defesa dos interesses justos da nossa tão sofrida cafeicultura.
LUIZ ANTONIO GOBEL

NOVA RESENDE - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 02/06/2017

Temos  que levar em conta o momento político do pais, que é totalmente desfavorável. Segundo: não existe uma política séria para a cafeicultura. Está em andamento, mas ainda sem resultados, apesar de estarmos em começo de safra . O que não podemos deixar é que os especuladores mandem neste mercado. O agricultor deve estar mais unido  agora e só vender quando o preçofor favorável e cobrar dos nossos políticos ações mais imedatas ao nosso favor. 




WILLIAN TREVIZAN

ARAGUARI - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 01/06/2017

Já não chega o bicho mineiro que não dá sossego, agora estes políticos que não existe combate além do tempo para esta praga...lástimável...
PAULO PECCINI

CACHOEIRO DE ITAPEMIRIM - ESPÍRITO SANTO - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 31/05/2017

Imagino que o senhor Ministro Blairo Maggi não deve entender de produção de café, muito menos quanto aos riscos que essa importação pode trazer. Está dando declarações visando somente a indústria e esquecendo os produtores. Precisamos que as forças políticas favoráveis fiquem atentas pois o cargo de ministro é passageiro e a cafeicultura não.
ELDER G. BALDON

NOVA VENÉCIA - ESPÍRITO SANTO - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 25/04/2017

Sabe o que não entendo, esses caras, produzem café, Torrance café, só focam jogando de lá para cá papel.nós somos bobão mesmo, não conseguimos cortar essa dependência Via de escrava.
TARCÍSIO AMERICANO BARCELOS

EM 25/04/2017

Para o mero especulador é altamente interessante a volatilidade dos preços