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Segundo análises, exportação de café do Brasil deve cair em 2018

Da redação

Devido a bienalidade positiva do arábica, o Brasil tem chances de colher uma boa safra de café no ano que vem, mas a exportação da commodity não deve se recuperar do mesmo modo, segundo análises da Organização Internacional do Café (OIC), uma vez que os estoques locais estão enxutos e a competição no mercado internacional está cada vez mais acirrada. 

Foto: Gui Gomes/ Café Editora
                                        Foto: Gui Gomes/ Café Editora

De acordo com dados mais recentes da instituição, o país, maior produtor e exportador global de café, vem perdendo seu peso na comercialização do produto desde 2015, quando embarcou um recorde de 37 milhões de sacas. Conforme a OIC, o Brasil respondeu por 25,8% das exportações mundiais da commodity na safra 2016/2017, ante 29,6% em 2015/2016, e deve exportar menos ainda esse ano. 
Um dos principais motivos atrás desse cenário foi a quebra da produção de conilon no Espírito Santo em 2015 e 2016 por conta da seca que atingiu o estado, apertando as reservas da variedade e fazendo com que o Brasil perdesse clientes no exterior. Nesse contexto, os preços, considerados pouco atrativos pelos cafeicultores,  acabaram por desestimular ainda mais as exportações.

Conforme o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), as cotações do conilon no Espírito Santo fecharam a semana passada entre R$360 e R$370 reais por saca, bem abaixo dos mais de 550 reais observados ao final de novembro de 2016, após a quebra de safra. Mas os valores ainda estão acima do intervalo de 150 a 250 reais registrados na maior parte da última década.

"Como não há estoque, o pessoal está receoso em assumir uma posição de venda e não conseguir realizar depois. Além disse, há demanda no mercado interno, o que diminui a ansiedade pela exportação", disse o diretor da consultoria Pharos, Haroldo Bonfá.
Para o presidente do Centro de Comércio de Café de Vitória (CCCV), Jorge Nicchio, os estoques apertados levarão o segmento a "amargar" reduzidas exportações no primeiro semestre de 2018, com os vendedores pouco dispostos a negociar. Ele prevê alguma retomada apenas na segunda metade do próximo ano, após a colheita da nova safra, que caminha para ser recorde.  

Em entrevista à Reuters, durante evento da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), Nathan Herszkowicz comentou que "as exportações vão depender do restabelecimento da produção em 2018 e pode exigir sacrifícios, com preços mais baixos, porque hoje em dia há muitos concorrentes". 

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