PR: Programa Safra Zero é opção tecnológica para o café
Resultados financeiros positivos mostram que é possível implantar uma tecnologia de podas de esqueletamento e decotes das plantas adultas, reduzindo problemas de doenças, diminuindo custos de produção e garantindo produtividade média da lavoura tendo uma safra cheia e outra safra sem frutos. Entre as vantagens, estão o menor gasto com adubos e agrotóxicos e ausência da arruação, colheita e esparramação.
Publicado por: CaféPoint
Publicado em: - 4 minutos de leitura
E foi na reunião do Treino & Visita, utilizada para difusão de inovações tecnológicas com a participação 40 convidados dentre cafeicultores colaboradores, pesquisadores do setor e técnicos da assistência técnica e da extensão rural, na manhã dia 1º de julho em Londrina, que o engenheiro agrônomo Tomas Eliodoro da Costa, 66, ex-funcionário público paulista da atividade cafeeira, apresentou o Programa Safra Zero, de sua autoria.
A sua proposta foi colocada em prática e com avaliações desde 1991 em propriedades da Companhia de Cafés Bom Retiro, localizadas nos municípios paulistas de Itupeva, Itabira, Espírito Santo do Pinhal e Cristais Paulistas, em lavouras de 12 e 20 anos das variedades Catuaí e Mundo Novo.
Os resultados financeiros positivos mostram que é possível implantar uma tecnologia de podas de esqueletamento e decotes das plantas adultas, reduzindo problemas de doenças, diminuindo custos de produção e garantindo produtividade média da lavoura tendo uma safra cheia e outra safra sem frutos, "tal como faz a natureza, que carrega num ano e faz a outra fraca, só que a proposta é de forma planejada."
O programa começa logo após o ano de safra alta, com decote da lavoura e em seguida é feito o esqueletamento. Podem ser feitos manualmente no facão, foice ou no serrote de poda e até decotadeira acoplada no trator e os ramos depois de triturados devem ser colocados no meio das ruas da lavoura como adubo.
Tomas faz alguns alertas, dentre eles o da época certa da execução das podas, realizadas imediatamente após a colheita e antes do período chuvoso e longe do risco da geada para evitar a queima da brotação. "Tal procedimento é essencial para que a planta desenvolva o máximo possível os ramos laterais de produção dentro do período de vegetação que vai de setembro/outubro a maio/abril", diz Tomas.
Nos tratos culturais, dar atenção às desbrotas eliminando os ramos ladrões do tronco principal e dar pouca importância aos brotos do ponteiro porque eles serão eliminados totalmente depois da colheita com o novo decote feito centímetros abaixo do primeiro corte. Realizar as carpas para eliminar o mato que nasce próximos do tronco numa faixa aproximada de um metro de cada lado do tronco.
As adubações, realizadas sempre que a análise de solo indicar. "Se a análise de solo revelar teores médios de P (fósforo) e K (potássio) as adubações fosforadas e potássicas podem ser dispensadas e somente as adubações nitrogenadas na base de 300 quilos de N (nitrogênio) por hectare, parceladas em quatro vezes durante o período chuvoso".
No ano de produção a recomendação é de adubação normal e calculada em função da análise de solo e da carga pendente e manter a correção dos micronutrientes, realizando as pulverizações ou aplicações necessárias no solo.
Quanto ao tratamento fitossanitário, no ano safra zero fazer o monitoramento e o controle quando os índices de infecção atingirem níveis que possam causar desfolhas prejudicando a granação. Com os frutos granados e bem formados e desfolha sem prejuízo da produção, é possível dispensar pulverizações já que as plantas deverão ser novamente podadas e porque a incidência da doença é menor, como também deixa de ser problema a praga broca do café, embora as demais pragas devem ser controladas de forma convencional. O controle do bicho mineiro somente feito quando o ataque atingir níveis que possam provocar desfolha precoce do cafeeiro e prejudicar a granação dos frutos.
A colheita, manual ou mecânica no pano, no ano de safra alta apresenta custo menor e sem necessidade de muitos cuidados para evitar a quebra de ramos porque o cafeeiro deverá sofrer nova poda. Ao iniciar o Programa Safra Zero, cuidar para não interromper a seqüência e não quebrar a média de produção da lavoura, onde o ideal é uma produção após a poda igual ou superior duas vezes a média histórica da lavoura, "lembrando que a tomada de decisão leva em conta o preço do café, iniciando quando ele estiver baixo", destaca Tomas, "suspendendo a qualquer ano, caso ocorra perda de vigor da lavoura ou as produções não atinjam os níveis desejados".
Das vantagens, o autor enumera ainda para a safra zero o menor gasto nos insumos adubos e agrotóxicos e ausência da arruação, colheita e esparramação, "isso graças a recuperação vegetativa e produtiva, garantidas pela fisiologia da planta cafeeira, que suporta podas e revigora com emergência de novos ramos de produção", lembrando que o encarecimento da lavoura cafeeira é safra baixa com custo alto.
Segundo o engenheiro agrônomo Cilesio Abel Demoner, extensionista e implementador do Projeto Café do instituto Emater e coordenador da reunião do Treino & Visita, foi definido estratégia para implementação desta proposta no Paraná e organizado um grupo de técnicos, com representantes do Emater, Iapar e Cooperativas, para definição e formatação da proposta a ser apresentada e debatida com os integrantes da cadeia produtiva do setor na Câmara Setorial do Café do Paraná.
As informações são da Emater/PR, resumidas e adaptadas pela Equipe CaféPoint.
Para continuar lendo o conteúdo entre com sua conta ou cadastre-se no CaféPoint.
Tenha acesso a conteúdos exclusivos gratuitamente!
Publicado por:
CaféPoint
O CaféPoint é o portal da cafeicultura no Brasil. Contém análises de mercado, perspectivas, cotações, notícias e espaço para interação dos leitores, além de artigos técnicos que abordam produção, industrialização e consumo de café. Acesse!