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Boletim Carvalhaes: Melhora nos preços não atraiu produtores de arábicas de qualidade

POR EQUIPE CAFÉPOINT

GIRO DE NOTÍCIAS

EM 26/06/2020

4 MIN DE LEITURA

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Boletim semanal Escritório Carvalhaes - ano 87- n° 26
Se quiser consultar boletins anteriores, clique aqui e confira o histórico no site*
Santos, sexta-feira, 26 de junho de 2020

Tivemos um cenário semelhante ao da semana passada para os negócios de café. No mercado cambial, o dólar continuou oscilando forte frente ao real, alternando fechamentos em expressivas altas e baixas. Encerra, esta sexta-feira, com ganhos de 3% em relação à sexta anterior. As razões para a nova disparada da moeda americana são as mesmas da semana passada, quando acumulou alta de 5% frente ao real. A turbulência no câmbio reflete o crescimento da aversão global a risco com o temor que uma segunda onda de covid-19 nos EUA leve a retomada de medidas de distanciamento social em algumas regiões, retardando a recuperação da economia americana. O cenário brasileiro, com crescimento da insegurança política e das preocupações com nossa economia, também pesou no enfraquecimento da nossa moeda.

Os contratos de café na ICE Futures US em Nova Iorque apresentaram fortes oscilações diárias. Reagiam rapidamente às flutuações no câmbio, além de refletirem o enorme fluxo de informações sobre o clima e o andamento dos trabalhos de colheita da nova safra de café em tempos de pandemia de covid-19. Entre fechamentos em alta e em baixa, os contratos com vencimento em setembro próximo acumularam alta de 75 pontos na semana.

O mercado físico brasileiro apresentou-se comprador. Os preços oferecidos subiram um pouco no decorrer da semana e foram fechados negócios todos os dias, principalmente com lotes de qualidade média a fraca, mas o volume não foi grande.

A melhora nos preços não foi suficiente para atrair os produtores de arábicas de qualidade. É pouco o café da safra atual 2019/2020 ainda em mãos de produtores e lotes de café arábica de boa qualidade a finos da nova safra são raros no mercado. Até agora, o que mais aparece são lotes de média qualidade a fracos. Os produtores, em sua grande maioria, continuam com as atenções voltadas para os trabalhos de colheita e benefício da nova safra, que este ano se mostram mais demorados e caros com os cuidados necessários para colher e beneficiar café em plena pandemia.

Os primeiros lotes de qualidade são direcionados para cumprir contratos de venda física para entrega futura. Esses contratos foram fechados com antecedência, a preços mais altos, bem acima dos oferecidos agora pelos interessados. Serão entregues ao longo dos próximos quatro meses. Os produtores que não têm contratos para cumprir, preferem armazenar seus lotes melhores e aguardar preços mais altos, que remunerem o trabalho e os investimentos que fizeram para conseguirem produzir cafés de qualidade superior.

Com o recuo da taxa básica de juros da economia, a Selic, para 2,25% ao ano, o rendimento nominal da renda fixa cai e tenderá a proporcionar juro real negativo, abaixo da inflação. A perspectiva de inflação baixa e juros negativos por bom tempo devem levar os cafeicultores a deixarem sua renda guardada em sacas de café, vendendo aos poucos, apenas para cumprir seus compromissos mais próximos.

Na quinta-feira da próxima semana, a temperatura mínima cairá para algo em torno dos 5°C no norte do Paraná, sem geadas nas áreas produtoras. Outra onda de frio mais intensa é esperada para 8 de julho, com mínimas abaixo dos 3°C no norte do Paraná e Alta Paulista. Trata-se de um sistema de alta pressão atmosférica com 1028 milibares sobre o oceano, por enquanto em uma posição desfavorável à geada. Na Mogiana e sul de Minas Gerais, a previsão indica algo em torno dos 5°C sem geadas nas duas áreas. (SOMAR Meteorologia).

Até dia 25, os embarques de junho estavam em 996.597 sacas de café arábica, 404.364 sacas de café conilon, mais 137.639 sacas de café solúvel, totalizando 1.538.600 sacas embarcadas, contra 1.719.994 sacas no mesmo dia de maio. Até o mesmo dia 25, os pedidos de emissão de certificados de origem para embarque em junho totalizavam 2.525.779 sacas, contra 2.675.182 sacas no mesmo dia do mês anterior.

A bolsa de Nova Iorque (ICE) do fechamento do dia 19, sexta-feira, até o fechamento de hoje, dia 25, subiu, nos contratos para entrega em setembro próximo, 75 pontos ou US$ 0,99 (R$ 5,40) por saca. Em reais, as cotações para entrega em setembro próximo na ICE fecharam, no dia 19, a R$ 674,50 por saca, e hoje, dia 26, a R$ 698,05. Hoje, sexta-feira, nos contratos para entrega em setembro, a bolsa de Nova Iorque fechou com alta de 85 pontos. No mercado estável de hoje são as seguintes cotações nominais por saca para os cafés verdes do tipo 6 para melhor, safra 2019/2020, condição porta de armazém:

R$560/600,00 - CEREJA DESCASCADO – (CD), BEM PREPARADO.
R$510/550,00 - FINOS A EXTRA FINOS – MOGIANA E MINAS.
R$480/500,00 - BOA QUALIDADE – DUROS, BEM PREPARADOS.
R$440/460,00 - DUROS COM XÍCARAS MAIS FRACAS.
R$410/430,00 - RIADOS.
R$380/400,00 - RIO.
R$400/410,00 - P.BATIDA P/O CONSUMO INT.: DURA.
R$390/400,00 - P.BATIDA P/O CONSUMO INT.: RIADAS.

DÓLAR COMERCIAL DE SEXTA-FEIRA: R$ 5,4600 PARA COMPRA.

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