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O Oeste da Bahia e os Pioneiros do Café - João Barata e a Alma do Café do Oeste

PAULO HENRIQUE MONTAGNANA VICENTE LEME

EM 14/02/2012

4 MIN DE LEITURA

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Paulo Henrique Leme

Uma saborosa xícara de café especial deve obrigatoriamente conter grãos de altíssima qualidade. Porém, muitos apreciadores desconhecem a verdadeira história daquela xícara, ignoram a paixão e cuidados empregados pelos cafeicultores na condução de sua lavoura e no preparo pós-colheita. Ignoram também as distâncias percorridas pelas sacas de café e número de pessoas envolvidas ao longo de todo o sistema.

Porém, o maior pecado deste “consumo inconsciente” é não reconhecer as incríveis histórias de vida de grandes apaixonados pelo café, cafeicultores, que dedicam seu dia a dia ao cultivo destes desejados grãos. Muitas vezes estes produtores são também apaixonados por desbravar o desconhecido.

Nesta última semana, tive a oportunidade de conhecer e entrevistar alguns dos homens que construíram a história do café do Oeste da Bahia. Foi uma experiência inesquecível.

Pois assim como nós, que ouvimos aquelas histórias pela primeira vez, os próprios cafeicultores não tem ideia da grandiosidade de seus feitos e de seus familiares, que ao partirem para uma terra desconhecida e sem as comodidades da vida urbana ajudaram a levar o desenvolvimento para longínquas regiões deste imenso país.
Seus olhos brilham quando relembram os momentos decisivos de sua vida, como quando sentiram com seu faro aguçado para novas oportunidades o cheiro de um grande negócio, ou quando decidiram arriscar uma nova técnica de cultivo nunca testada naquela terra seca. É o brilho nos olhos que apenas alguns homens especiais possuem. E este é o caso com certeza.

Poderia citar aqui diversos nomes destes homens especiais, mas não posso deixar de falar, com certeza, do Senhor João Barata. Ele representa a alma dos cafeicultores do Oeste da Bahia. Foi ele quem incorporou este sonho e transformou uma terra de oportunidades na mais promissora fronteira da cafeicultura brasileira.
Não caro leitor, não foi aos vinte e cinco anos de idade, ou aos trinta, ou mesmo na casa dos quarenta que o Senhor João Barata partiu para esta empreitada... Foi aos setenta anos de idade. Poderia acabar este texto aqui, pois só o fato deste Senhor – repito, de setenta anos de idade à época - ter tido a ousadia e a visão de colocar os cafés sob regime de irrigação em uma recém adquirida propriedade no Oeste da Bahia já seria admirável.

Mas sob as lentes dos óculos deste Português surgem saborosas histórias que nenhum apaixonado pela cafeicultura deveria deixar de conhecer. Dentre elas, sua ida à Angola com apenas 16 anos de idade, ou o trabalho nas fazendas irrigadas de café dos Alemães até virar ele próprio cafeicultor da espécie Robusta na região sul do país. Ele desbravou também a região norte de Angola, quando chegou a ter sob sua supervisão 2500 empregados, com produção anual de 150 mil sacas. Segundo ele próprio - que hoje aos 93 anos de idade lembra detalhes incríveis desta jornada - era o maior cafeicultor do mundo. Em 1975, quando da independência de Angola e aos 56 anos de idade, ele deixa o país e aproximadamente 250 mil sacas de café (entre estoques e cafés na lavoura) com destino ao Brasil.

Para muitos seria o fim, para ele, apenas uma nova oportunidade. “Vou lhe contar apenas as coisas boas, as más, eu já esqueci faz tempo”, ele me disse, em mais de seis horas de conversa.

No Brasil, reconstruiu sua vida literalmente com tijolo e cimento, trabalhando na construção civil, mas na primeira oportunidade que teve trocou alguns sobrados em Interlagos por uma propriedade no Mato Grosso. Virou criador de gado.
Alguns anos depois, vende tudo e retorna a Portugal para sua merecida aposentadoria. Permanece por quatro meses. “Liguei para meu amigo no Brasil e disse, separe algumas terras”, ele contou. Dentre elas, a primeira que viu foi no Oeste da Bahia, que comprou em poucos dias. Chegando à região viu alguns cafés em sequeiro e pensou mais uma vez, “imagine se irrigar”.

Sua história de sucesso se espalhou rapidamente, contagiando conterrâneos pioneiros que já apostavam no feijão, milho, soja e frutas. Daí para uma explosão foi um salto. Vieram os cafeicultores mineiros, os paranaenses e os paulistas que levaram e desenvolveram tecnologias adequadas à realidade da região. Muitos amigos consultores me confessaram: “aprendi o que é produzir café aqui”.

Um salto tecnológico que garante produtividades médias de 65 sacas por hectare, com cafés de excelente bebida e padrão de qualidade. O clima seco durante a colheita e a irrigação controlada garantem a homogeneidade dos lotes produzidos. O relevo plano favorece a mecanização dos tratos culturais e da colheita. Tecnologia de ponta.

Tudo isso respeitando o meio-ambiente e os trabalhadores rurais, pois uma cafeicultura empresarial não pode se dar ao luxo de manchar sua imagem. Os próprios cafeicultores compreendem a importância de conservar sua terra, sua água, a origem de seu café e a disputada mão-de-obra. Estes cuidados refletem na xícara, e o consumidor deveria saber de todas estas histórias!

Assim, peço perdão aos diversos amigos cafeicultores e desbravadores do Oeste da Bahia, que cederam seu valioso tempo para uma conversa, por não citar suas histórias neste momento. Por favor, sintam-se representados e honrados com minha homenagem ao Senhor João Barata. Com certeza, quando sua origem - o Oeste da Bahia - estiver estampada nas sacarias de seus cafés, que já partem para diversos países do mundo, nós teremos mais histórias para contar.

Por enquanto, compartilho com vocês leitores minha admiração, meu entusiasmo e profundo respeito por cafeicultores pioneiros que transformam o Brasil de forma intensa e apaixonada.

Senhor João Barata, muito obrigado!

FOTO:
Pôr-do-sol da Fazenda Rio Branco, do cafeicultor Glauber de Castro.
Foto da pintura da artista Valéria Vidigal.
10/02/2012

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CESAR A S QUEIROZ

SALVADOR - BAHIA

EM 29/11/2016

boa noite sr Paulo Henrique Leme, olha eu não tenho nada a ver com tudo isso a não ser a coincidência de eu ter achado vários placas de homenagem a esse senhor joao barata ,eu trabalho com livros usados e sempre visito pontos de reciclas ferro velhos em busca de livros que eu sempre acho alguns e em um desses lugares vi varias caixinhas que me chamaram a atenção,quando abrir vir que tinha varias placas de metais comemorando o sr Joao Barata e por isso decide pesquisar no google ate chegar aqui,meu contato e 71 982109802,tem umas dez placas e uma bandeja que acredito ser de prata com gravuras de homenagem a sr joao barata assim como as placas também ,qualquer coisa pode me ligar , obrigado e ate mais,

PAULO HENRIQUE LEME

LAVRAS - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 02/03/2012

Caros amigos do Cafépoint,

Recebi com alegria a carta abaixo, do Sr. João Barata, a qual transcrevo aqui para que vocês possam conhecer melhor este grande cafeicultor.

Um abraço,

Paulo Henrique Leme

_________________

JOÃO NUNES BARATA
SALVADOR - BAHIA


15 de Fevereiro de 2011




Sr. Paulo Henrique Leme

Muito obrigado pelas suas calorosas e amáveis palavras sobre a minha pessoa e a minha atividade de cafeicultor.

Releve-me por ocupar um pouco mais do seu tempo mas eu gostaria de expressar a minha opinião sobre a produção de café.

Os produtores de café não devem produzir cafés de altíssima qualidade, mas sim procurar a maior produtividade e boa qualidade porque produzir cafés para a elite pode ser muito arriscado - nem todo o ser humano ganha para beber tais cafés.

Desde muito jovem - 16 anos - comecei a vida em fazendas, especialmente de café e cheguei com muita luta a produtor, comerciante de café junto dos produtores e grande exportador.

Os maiores compradores foram os americanos e holandeses, mas haviam outros.

Quem produzia, na época, cafés de grande qualidade eram os produtores alemães só que acontecia que em certas ocasiões os mercados de cafés finos ficavam lotados e eles viam-se forçados a vender no mercado local como um café comum e os exportadores como eu e outros comprávamos esse café excelente e misturávamos com outros de qualidade inferior, especialmente B.B.,. Estes cafés eram exportados para América e Holanda. Eram os holandeses que os distribuíam por vários países da Europa . Posso afirmar que convivi com esta situação por muitos anos.
Temos de ter em atenção os grandes consumidores e não uma pequena elite.

O café vai continuar a ser uma cultura nobre porque no nosso planeta as terras próprias são cada vez mais escassas. Por experiência própria pude observar, em áreas com terras superiores onde durante muitos anos foram replantados, os cafezais morrerem. E após essas diversas replantações as tentativas para replantar nas mesmas áreas resultaram infrutíferas.

Posso citar, como exemplo, as fazendas do grupo de banqueiros Espírito Santo que passaram por essa situação.

Eu defendo a posição que o café deve ser produzido para todos e para que chegue à xícara da população é preciso que o preço do produto final seja acessível e obviamente com uma boa qualidade.

Soja, milho, batata, cebola etc. podem ser produzidos em todos os continentes, mas o café, não, não pode. - é uma planta nobre - .

Mais uma vez, muito agradecido pelas suas palavras e estarei sempre à sua disposição para qualquer informação sobre agricultura, especialmente, café, palmeiras de dedem e sisal, sendo que este último além de exigir estudo econômico deveria ser plantado por empresas e não do modo familiar como se faz no Brasil.

Quando passar por Salvador terei muito prazer em recebê-lo para almoçar.

Não se esqueça do convite e me ligue.

Cordialmente,





João Nunes Barata

PAULO HENRIQUE LEME

LAVRAS - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 23/02/2012

Caro Caetano,

Muito interessante, não sei se você não havia mencionado ou se me esqueci disto. Agora, com certeza, preciso de seu depoimento para construir esta história!

Por sinal, você sabe me dizer quem eram os americanos (um casal) que chegou a cultivar café lá na Roda Velha?

Um abraço,

PH
CAETANO DE CARVALHO BERLATTO

BARREIRAS - BAHIA - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 16/02/2012

PH,

Muito obrigado pelo convite, mas na verdade conheço a região a muito tempo. Estamos na região da Roda Velha desde 1984, e a 15 anos começamos também com o café irrigado. Quando voltar a região seria um prazer recebe-lo (mesmo que eu ainda esteja pela Itália).

Quanto ao mestrado, esta sendo uma experiência interessantíssima, principalmente em descobri qual é a percepção do restante do mundo sobre nós. Se quiser conversar mais sobre qualquer um dos assuntos segue meu email.

Cberlatto@msn.com

Grande abraço,

Caetano
PAULO HENRIQUE LEME

LAVRAS - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 16/02/2012

Caro Caetano,

Fico muito feliz em saber que você que está aproveitando esta grande oportunidade na Itália com os colegas da Illy, muito bom!

Vale destacar que como sempre, a Illy também faz parte desta história, e já possui parceiros na região. O que posso lhe afirmar com certeza é que pelos cafés que provei no Oeste da Bahia, estes se adequariam perfeitamente como base dos blends da Illy, pois são ideias para um espresso de qualidade.

Se quiser passear por lá, nos avise.

Um abraço,

Paulo Henrique Leme (PH)
PAULO HENRIQUE LEME

LAVRAS - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 16/02/2012

Caro Celso,

Admito que este foi um momento de inspiração, mas acho que preciso melhorar muito para poder transformar esta bela estória em arte. Nossos amigos do oeste baiano merecem todas as homenagens.

Um abraço e obrigado!

Paulo Henrique Leme (PH)
PAULO HENRIQUE LEME

LAVRAS - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 16/02/2012

Caro Cesar Neri,

Você também faz parte desta estória caro amigo, mal posso esperar para ouvir agora as estórias do Planalto de Conquista e da Chapada.

Um abraço,

Paulo Henrique Leme
PAULO HENRIQUE LEME

LAVRAS - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 16/02/2012

Prezada Valéria,

Você sempre consegue retratar a alma do café em suas obras, só uma pessoa apaixonada poderia fazer algo assim. Esta pintura é belíssima, com certeza!

Um abraço,

Paulo Henrique Leme
PAULO HENRIQUE LEME

LAVRAS - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 16/02/2012

Caro Paulo Eimar,

Muito obrigado, com certeza entrarei em contato com você para conversarmos sobre sua história!

Um abraço,

Paulo Henrique Leme
ELIANE DE ANDRADE C. NOGUEIRA

SÃO SEBASTIÃO DA GRAMA - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 15/02/2012

Bacana esse reconhecimento.Pessoas empreendedoras que fazem a história da cafeicultura.Região bem diferente da nossa, de montanha, fria , totalmente dependente de mão de obra.Nós , aqui de S.S. da Grama temos uma responsabilidade social imensa com essas pessoas , e tentamos ao máximo fazer a nossa parte.Parabéns Paulo Henrique por valorizar as boas pessoas e os bons profissionais.
CAETANO DE CARVALHO BERLATTO

BARREIRAS - BAHIA - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 15/02/2012

PH,

Muito bom saber que tem andado pelo Oeste da Bahia. A historia do Seu João Barata é realmente digna de destaque.
Me coloco também a disposição se quiser mais informações sobre a região (que a propósito tem causado grande interesse nos meus colegas do Mestrado em Café da Illy, aqui em Trieste).

Abraços,
CELSO LUIS RODRIGUES VEGRO

SÃO PAULO - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 15/02/2012

PH
Belíssima epopéia. Dessa estória brotariam documentário, livro, poema épico e tudo que a boa cultura estima. Por que não investe nisso?
Gostei muitíssimo.
Abçs
Celso Vegro
ANTONIO CESAR NERI DE SOUSA SANTOS

VITÓRIA DA CONQUISTA - BAHIA

EM 15/02/2012

Prezado PH,

Extraordinária a sua reportagem. Que estes exemplos como os de João Barata e tantos outros nos inspirem.
Parabéns.

Cesar Neri
VALÉRIA VIDIGAL

VITÓRIA DA CONQUISTA - BAHIA - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 15/02/2012

ParabénsPaulo,

Fiquei feliz por valorizar a cafeicultura baiana e a minha arte.
Este quadro é pura realidade!
Obrigada.

Valéria Vidigal
PAULO EIMAR OLIVA PERPETUO

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 15/02/2012

Caro Paulo,
Sou nascido , criado e residente em Belo Horizonte.
Tenho uma fazenda de café no oste da Bahia no municipio de São Desiderio.
Caso queira informações sobre a cafeicultura no oeste baiano terei imenso prazer em lhe repassar .
Meu e-mail é peimar@uol.com.br.
Abraço.
Paulo Eimar.
PAULO HENRIQUE LEME

LAVRAS - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 14/02/2012

Caro Paulo,

Obrigado, as cidade de referência são Luis Eduardo Magalhães (LEM), Barreiras, São Desidério e Cocos.

Um abraço,

Paulo Henrique Leme
PAULO GABRIEL REIS NADER

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 14/02/2012

Caro Paulo: Justa e bela homengagem. O oeste da Bahia, da qual voce se refere, tem quais cidades como referencia em cafe?
PAULO GABRIEL REIS NADER

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 14/02/2012

Caro Paulo: Justa e bela homengagem. O oeste da Bahia, da qual voce se refere, tem quais cidades como referencia em cafe?
MARCOS ALVARENGA

LUIS EDUARDO MAGALHÃES - BAHIA - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 28/07/2020

Paulo Gabriel, nunca é tarde para responder sua pergunta.
A Cidades do Oeste que possuem a cultura café, implantada sobre irrigação e na sua maioria pivot central são.

Barreiras, Luis Eduardo Magalhães, Cocos e São Desidério, em media de 2500 ha/município. Hoje a região tem a sua IG " OESTE DA BAHIA" chancelada.

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