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Sucessão Familiar: confira a entrevista com Francisco Vila

AGRIPOINT

EM 08/10/2012

4 MIN DE LEITURA

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 Francisco Vila é economista, consultor internacional de governos e empresas em diversos países, docente em cursos de pós-graduação (Portugal e Alemanha); pesquisador e membro de diversas associações e conselhos (COSAG/FIESP; ABNP – Novilho Precoce; Sociedade Rural Brasileira).

Vila também será o instrutor do Curso Online Sucessão Familiar na Agropecuária e concedeu uma entrevista à AgriPoint sobre o assunto. Confira:

1. Quais foram as principais mensagens que levou do recente Simpósio internacional “Interleite 2012” em Uberlândia?

O programa do 12º Simpósio cobriu um amplo leque de assuntos tecnológicos, gerenciais e comerciais. Porém, mesmo com toda diversidade, ficou patente que o setor leiteiro, bem como a atividade rural como um todo encontram-se numa fase de profunda reestruturação. O desafio é conservar as experiências tradicionais válidas e complementá-las com novas soluções impostas pelo prgrosse tecnológico em todas as frentes. Convergência de visões, talentos e ações será o lema para a modernização contínua do agronegócio

2. Como essa visão de mudança contínua interfere na vida concreta do produtor?

No passado a inovação era mais lenta e ocorria esporadicamente em diversos pontos do sistema produtivo. Hoje, a evolução é ampla, se dá em saltos qualitativos e surge em todas as frentes ao mesmo tempo. Isso requer uma redistribuição da atuação do produtor. Por um lado, ele precisa dar atenção ao mercado (novas tecnologias e formas de comercialização) sem, no entanto, reduzir a dedicação efetiva à produção na fazenda.

3. Mas como será possível operar nessas duas frentes ao mesmo tempo?

O principal desafio para tornar a atividade mais competitiva reside na arte de delegação. Tradicionalmente, o produtor organizou sua atividade em torno da sua visão empreendedora, sua energia de ação e sua percepção intuitiva na definição do seu sistema produtivo. Essa prática, que funcionou bem durante muito tempo, não atende mais às exigências de um mercado em profunda e rápida evolução. Tudo que é necessário para produzir com bons resultados econômicos não cabe mais em apenas uma cabeça. A estrutura hierárquica (com o olho do dono como componente importante para os resultados) cede espaço para uma organização mais aberta. Isto significa que o empresário rural precisa construir diversas formas de alianças através das quais ele compartilha conhecimentos e poder com fornecedores, clientes, consultores e, mais importante ainda, com sua equipe na fazenda.

4. Quais formas existem para compartilhar o conhecimento?

Compartilhar significa que diversas fontes contribuem com capacidades distintas e complementares. Os fornecedores de insumos dominam o conhecimento das novas tecnologias. Os frigoríficos recebem do varejo e transmitem para os outros elos da cadeia produtiva as mudanças nas exigências do consumidor. A nova geração contribuirá com conceitos avançados sobre gestão empresarial, blindagem de risco e formas diferenciadas de comercialização. E, finalmente, a geração que atualmente está no comando, disponibiliza sua experiência com o trato das pessoas e o manejo dos animais. Ningúem isoladamente domina tudo que será preciso para produzir de forma competitiva no novo ambiente do mercado. Todos devem ouvir os outros e depois procurar o equilíbrio mais adequado para a realidade específica da propriedade em questão. Infelizmente, não existe uma cartilha que sirva para todos.

5. Onde entra a perspectiva da sucessão familiar?

Convém separar os dois conceitos ‘sucessão’ e ‘família’. Qualquer negócio se moderniza continuamente. Práticas inovadoras sucedem rotinas tradicionais. Esse processo precisa de pessoas facilitadoras que podem ser familiares, gestores profissionais, consultores ou técnicos altamente qualificados das empresas de insumos. Ou seja, a sucessão no modelo de negócio ocorre com ou sem intervenção familiar.

Todavia, considerando o legado do fundador que criou um negócio para cuidar de várias gerações, é natural e desejável que um dos jovens da família, seja filho, filha ou sobrinho se interessassepela continuação do negócio. Um segundo motivo para pensar em familiares é a crescente carência de mão de obra qualificada para a produção rural. A melhor forma de enfrentar o ‘apagão de mão de obra’ é ter um sucessor-empreendedor à frente do negócio. Esse é o segredo de sucesso das empresas rurais na Austrália e nos EUA.

6. Como vê a atratividade da produção rural para os jovens da Geração Y?

Existem, sim, vários preconceitos que dificultam uma percepção positiva da atividade no campo. Primeiro, pensa-se que trabalhar com o pai é difícil. É verdade que não é fácil, mas será mesmo diferente receber ordens de um chefe numa outra empresa? O segundo aspecto é a pouca atratividade do trabalho e da vida no campo. Isto, também, são chavões ultrapassados. Vemos que o crescimento de consumo, a venda de carros, o trânsito e a oferta de muitos serviços são hoje melhores nas cidades de porte médio do interior do que nas metrópoles. A internet oferece acesso instantâneo a todos os conhecimentos do mundo e via Twitter e Facebook (que hoje envolve 1 bilhão de seguidores) estamos contectados, mesmo nos cantos mais remotos do País. E, finalmente, a liberdade e satisfação de conduzir seu próprio negócio valerão cada vez mais numa economia com forte tendência de concentração em todos os setores.

O conjunto dessas tendências positivas fará com que jovens com espírito independente e a vontade de realizar projetos conforme seu próprio ritmo desencadearão uma nova onda de volta ao campo. Desta vez com condições tecnológicas e qualidade de vida que os fundadores nem tiveram ousadia de sonhar.

O curso online Sucessão Familiar na Agropecuária terá início em 12 de novembro. Para conhecer melhor o conteúdo do curso e fazer sua matrícula, clique aqui!

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