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O que falta para as cafeterias abraçarem o fairtrade

POR ULISSES FERREIRA DE OLIVEIRA

ULISSES FERREIRA

EM 05/09/2014

2 MIN DE LEITURA

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A cafeicultura familiar é uma potência produtiva, correspondendo a cerca de 37% de todo o café produzido no País. Além disso, consegue ter diferencial em qualidade, produzindo cafés especiais, orgânicos, e microlotes únicos, tudo isso com certeza seria um grande atrativo para que as cafeterias se envolvessem, porém na prática poucas são as casas de café de qualidade que se abrem aos cafés de pequenas propriedades. Hoje, o que vemos é uma relação estrita com grandes produtores.

Mas porque nossas próprias cafeterias não apoiam a agricultura familiar, sendo necessário cafeterias da Europa, EUA e do Japão e até da Austrália desembarcarem em solos tupiniquins para se relacionarem com a cafeicultura familiar brasileira?

Foto: Divulgação / Zabu Café
 
Foto: Divulgação / Zabu Café

Bom, talvez seja porque as cafeterias não foram devidamente apresentadas à agricultura familiar, ou o contrário, a agricultura familiar não vislumbrou todo o potencial do mercado nacional de cafés de qualidade, em franca expansão.

Com o papel de contribuir no site com informações sobre o mercado de comércio justo, neste artigo faço a devida apresentação da cafeicultura familiar à cafeterias brasileiras. A missão de apresentar as oportunidades do cenário nacional de consumo de café à agricultura familiar deixo para outros especialistas do site que possuem dados mais concretos que eu.

Quando se fala em cafés de qualidade, aqueles situados regiões montanhosas com altitude entre 800 e 1100 metros, a cafeicultura familiar representa mais de 71% dos estabelecimentos, nessa região a média das propriedades é de aproximadamente 21ha e a área com cultivo de café não ultrapassa 10ha/propriedade.

Falar em cafeicultura, consumo interno, e sustentabilidade desse setor, sem antes ter um olhar diferenciado para os pequenos produtores é algo que não pode ser admitido. Da mesma forma, pensar a expansão das cafeterias sem ter uma estratégia de atuação dessas junto à agricultura familiar seria caminhar na contramão dos principais conceitos de cadeia produtivas sustentáveis.

É certo que negociar com grandes produtores tem suas vantagens e a segurança na garantia de fornecimento e padrão de qualidade, algo difícil de ser oferecido pela agricultura familiar individualizada. Neste aspecto que surge a certificação FairTrade. Ao obrigar essas pequenas propriedades a se organizarem em associação, a certificação possibilita ganho de escala e ainda acesso a mercados internacionais que já perceberam que não é interessante colocar todas as suas fichas em um único fornecedor, quanto mais pulverizado a carteira de produtores e fornecedores melhor para cafeterias e torrefações.

Hoje está em alta os coffee hunters, as cafeterias que buscam oferecer produtos de qualidade e ainda uma história a mais para seus clientes, há um esforço significativo da cadeia produtiva em valorizar a cafeicultura e o cafeicultor, vide Espaço Café Brasil e Revista Espresso. Bom, creio que chegou a hora de incluir a agricultura familiar nesse processo, tirando atravessadores e aproveitando a oportunidade que a certificação FairTrade proporciona para essas cafeterias.

Essa deve ser uma opção estratégica, baseada em princípios, e não apenas uma jogada de marketing, mas com certeza alinhar a empresa a um movimento que busca preços mais justos ao cafeicultor familiar, relações de longo prazo, melhoria contínua, investimento em qualidade, investimentos sociais e ambientais e o desenvolvimento de comunidades tradicionais deve ser o sonho de qualquer cafeteria que deseja expansão nesse mercado que está em alta.

As cafeterias precisam quebrar paradigmas, derrubar pré-conceitos e aproveitar as oportunidades que surgem. Nada melhor do que começar essas mudanças no Ano Internacional da Agricultura Familiar, que é celebrado em 2014. Falta pouco, mas ainda dá tempo. 

ULISSES FERREIRA DE OLIVEIRA

Administrador, especialista em cafeicultura sustentável, Diretor do Departamento de Desenvolvimento e Meio Ambiente da Prefeitura Municipal de Botelhos e consultor de associações e certificações agrícolas.

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