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Fairtrade e o benefício à agricultura familiar

POR ULISSES FERREIRA DE OLIVEIRA

ULISSES FERREIRA

EM 15/07/2015

3 MIN DE LEITURA

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Muitos comentários postados por leitores do site CaféPoint indicam que a certificação Fairtrade não traz reais benefícios aos agricultores familiares, em especial aos cafeicultores. Com o objetivo de averiguar se essas queixas são realmente embasadas fui à fonte, ou seja, fiz contato com produtores e diversas associações e cooperativas e pesquisei alguns artigos e trabalhos acadêmicos para saber se a certificação para a cafeicultura familiar é realmente benéfica.

Algumas observações são claras e compartilho agora aqui no blog. Outras precisam ser um pouco mais aprofundadas.

A primeira constatação é que o grau de benefício oferecido aos associados/cooperados é variável, ou seja, cada associação tem liberdade de utilizar recursos advindos do prêmio Fairtrade da melhor forma que julgar necessário, desde que aprovado em assembléia. Entretanto existem associações e cooperativas que por possuir uma gestão mais eficiente conseguem realmente gerar impacto às famílias envolvidas, outras nem tanto.

Foto ilustrativa: Divulgação/Marcelo Andre/Café Editora
 
Foto ilustrativa: Divulgação/Marcelo Andre/Café Editora


Porém, vale ressaltar que em maior ou menor grau todas trazem benefícios. Vejamos alguns exemplos: compra de insumos para os associados, assistência técnica, investimento em treinamento e capacitação, organização social de jovens e mulheres, investimento em agregação de valor ao produto, redução de custo de produção, principalmente no pós-colheita com maquinários para benefício de café muitas vezes sem custo.

Uma observação importante é quanto à participação dos associados nas decisões das cooperativas. Diferentemente de associações e cooperativas tradicionais, as certificadas dentro de critérios de comércio justo, precisam ter como principal meta a participação dos associados em todas as decisões - uma dificuldade, pois nem sempre o produtor está interessado ou sabe valorizar a importância da participação. Mais uma vez, segundo levantamento feito, o grau de participação é variável, porém muito superior ao que ocorre nas cooperativas tradicionais. Em alguns casos o índice médio de participação supera 90%.

Nas auditorias para certificação Fairtrade produtores são questionados, individualmente se estão por dentro das decisões tomadas pela diretoria. Precisam estar cientes, participando e tendo direito a voto, nada pode ser realizado sem prévia consulta aos associados. Para que essa gestão seja mais simplificada a associação deve ter um Plano de Desenvolvimento de Comércio Justo, ou seja, um planejamento de todas as metas de curto, médio e longo prazo. Com precisões orçamentárias e responsabilidades definidas.

À associação/cooperativa, um dos grandes benefícios da certificação Fairtrade é a união dos agricultores familiares, em uma organização que realmente os representa e onde podem alavancar suas potencialidades. O simples fato de não estar isolado já se configura em um grande benefício para o cafeicultor familiar.

Algumas cooperativas/associações Fairtrade estão conseguindo extrapolar o mercado de comércio justo trazendo outros benefícios aos seus membros, seja com acesso as vendas institucionais através de programas como o PNAE (Programa Nacional de Alimentação Escolar) e o PAA (programa de Aquisição de Alimentos) seja com a captação que conseguem recursos a fundo perdido para investir em estrutura de armazenamento, beneficiamento e torrefação, ampliando em muito o impacto do Fair Trade.

Aumento na produtividade: com tanto apoio, acompanhamento e organização, outro fator constatado foi o incremento da produtividade. Com acesso a tecnologias, orientações técnicas e recursos para investimento a produtividade da cafeicultura aumenta e os custos são menores, o que impacta diretamente na viabilidade da atividade e consequentemente na manutenção das famílias na atividade.

Finalmente o mais importante, pelo menos na ótica do produtor, O PREÇO. O valor pago aos produtores, dentro do sistema de comércio justo, café convencional, saca de 60kg, tem sido de 20 a 30% superior ao preço de mercado. Em época de crise nos preços essa diferença tende a aumentar o que garante a sustentabilidade econômica para o produtor. Se somarmos a esse diferencial o valor do prêmio que direta ou indiretamente também retorna ao produtor, os valores aproximam de 40%.

Mais uma vez, cooperativas fortes que fazem um bom trabalho de exportação, tem qualidade e sabem comercializar conquistando e fidelizando torrefações no exterior, são as que mais conseguem diferencial para seus cooperados.

E as dificuldades? Sim elas existem e são muitas, o mercado não é constante (os preços oscilam e a demanda também) a pressão de compradores é grande e a exigência de qualidade também. Os associados muitas vezes querem apenas um preço melhor no café, algumas associações crescem com maior rapidez outras passam dificuldades, mas antes de criticar o movimento de comércio justo eu sugiro uma visita aos produtores.

Veja a realidade, e uma dica: conheça aquelas que apresentam uma boa gestão.

ULISSES FERREIRA DE OLIVEIRA

Administrador, especialista em cafeicultura sustentável, Diretor do Departamento de Desenvolvimento e Meio Ambiente da Prefeitura Municipal de Botelhos e consultor de associações e certificações agrícolas.

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ULISSES FERREIRA DE OLIVEIRA

POÇOS DE CALDAS - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 20/07/2015

José Geraldo de Andrade.



Obrigado pelo comentário! realmente ainda precisamos mudar alguns vícios presente em nossa cultura.



Estamos no caminho certo!
ULISSES FERREIRA DE OLIVEIRA

POÇOS DE CALDAS - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 20/07/2015

Terezinha, Eduardo, muito obrigado! Continuamos a jornada na divulgação do Fair Trade aqui no Brasil
TEREZINHA COUTO

EM 19/07/2015

Ulisses, parabéns pelo texto e pelo seu empenho em divulgar informação sobre o selo Fair Trade e a importância deste para a agricultura familiar.
JOSÉ GERALDO DE ANDRADE

LAVRAS - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 18/07/2015

Atuo como consultor do SENAR-MG no Programa GQC- Gestão com Qualidade em Campo" desde  sua implantação em 2004  e, muitas vezes, entrevisto associados e dirigentes de  associações, principalmente relacionadas ao café e leite. Constatações positivas são semelhantes às do Ulisses Entretanto,, a  dificuldade maior é lidar e eliminar  a chamada lei do Gerson -"'preciso levar vantagem em tudo", que ainda existe, infelizmente, arraigada em nossa cultura, inclusive no meio rural. Parabéns pelo artigo!
EDUARDO CHAGAS MATAVELLI

POÇOS DE CALDAS - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 17/07/2015

Parabéns Ulisses! Muito bom o texto.
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