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Consumidor consciente só no Primeiro Mundo?

POR ULISSES FERREIRA DE OLIVEIRA

ULISSES FERREIRA

EM 21/11/2014

2 MIN DE LEITURA

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Quando falamos em comércio justo no Brasil, logo vem a referência às associações e cooperativas, da agricultura familiar, que exportam matéria-prima com o selo FairTrade para serem industrializados e comercializados em países desenvolvidos. A justificativa é que lá existe uma consciência social e ambiental avançada e a procura por produtos sustentáveis é crescente, certo?

Sim, até pouco mais de dois anos era assim que consultores, palestrantes e produtores discutiam o tema, certificação FairTrade não era para o consumidor brasileiro, nossos consumidores não estão dispostos a pagar mais por um produto de qualidade, cultivado com respeito aos direitos das pessoas, diziam alguns. Nossas empresas e agroindústrias não se preocupam com a sustentabilidade da cadeia produtiva, diziam outros.

A boa notícia é que esse cenário vem mudando rapidamente, e o consumo de produtos com o selo FairTrade é uma realidade no Brasil. O que abre uma série de oportunidades e desafios para o setor.

Após dois anos de trabalho promovendo o consumo e adesão de empresas ao movimento do comércio justo, além de ações de conscientização sobre o tema, atualmente temos a convicção de que o FairTrade é sim uma demanda crescente no Brasil, é aquilo que todos estavam buscando, um programa sério que garante a sustentabilidade no campo e a confiança do consumidor.

Grandes, médias e pequenas empresas já estão percebendo a força do movimento e buscam colar suas estratégias neste caminho. Mas o consumidor consegue identificar isso? O Consumidor brasileiro sabe o que é FairTrade?

Segundo dados do FairTrade UK, mais de 70% da população da Grã-Bretanha já ouviu falar sobre o comércio justo e aproximadamente 50% já comprou produtos com o selo. Se aplicarmos essa pesquisa no Brasil, teremos números insignificantes, embora crescentes. Mas, então, porque digo que o FairTrade já é uma realidade?

Utilizando a metodologia sugerida por representantes do FairTrade a estratégia adotada no Brasil, para garantir mercado e o consumo de produtos de comércio justo está focada no varejo e não no consumidor final, ou seja, o objetivo é garantir que pequenas, médias e grandes redes de supermercado façam a adesão ao movimento abrindo espaço nas gôndolas para os produtos de comércio justo.

De nada adianta conscientizar toda a população se o produto não estiver disponível, é bem verdade que também não se sustenta apenas colocar o produto no mercado sem reforçar quais os seus diferenciais, essa ação é uma responsabilidade compartilhada entre associações/cooperativas, empresas do setor varejistas, além de instituições, ONG's e voluntários que acreditam no movimento.

Com essas medidas o FairTrade ganha espaço, pois a procura de empresas pelo uso do Comércio Justo é grande e no próximo artigo, vamos falar do passo a passo para obter a licença para o uso da Marca FairTrade. 

ULISSES FERREIRA DE OLIVEIRA

Administrador, especialista em cafeicultura sustentável, Diretor do Departamento de Desenvolvimento e Meio Ambiente da Prefeitura Municipal de Botelhos e consultor de associações e certificações agrícolas.

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ULISSES FERREIRA DE OLIVEIRA

POÇOS DE CALDAS - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 25/11/2014

Prezados, muito bem lembrado mesmo sr. Bento Venturi.



A Industria é, ou deveria ser, parte importantíssima nesse movimento. Já existem algumas empresa da Industria do café no Brasil que está procurando maiores informações sobre o assunto. Creio que em breve poderemos falar do apoio dado pela industria brasileira ao movimento de comércio justo.



Entretanto, venho lembrando que o consumo de produtos com o selo Fair Trade no mercado interno criou uma possibilidade para associações/cooperativas, da agricultura familiar, industrializar seus produtos e reduzir ainda mais os atravessadores agregando valor a produção.



Mas lógico que a adesão de grandes empresas do setor industrial dará um impulso muito grande ao movimento, porém é preciso discutir a adesão dessas empresas, pois em um cenário perfeito o negócio small to small é o mais desejado dentro do movimento de comércio justo.


ALBINO JOÃO ROCCHETTI

FRANCA - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 25/11/2014

Bem lembrado, Sr.BentoVenturim!
BENTO VENTURIM

SÃO GABRIEL DA PALHA - ESPÍRITO SANTO - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 24/11/2014

Sr Ulisses, por que não elencou a INDUSTRIA  como co- responsável pela divulgação desta ideia?

Alias, a industria  quer importar café do Vietnan para ganhar mais dinheiro.......
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