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Sustentabilidade como ativo para viabilizar a produção rentável de café

POR CARLOS HENRIQUE JORGE BRANDO

P&A MARKETING E EQUIPE

EM 29/08/2017

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Por Carlos H. J. Brando

À medida que o Coffidential se aproxima de seu 10º aniversário e depois de um fórum mundial de produtores que discutiu a viabilidade da produção de café, não resistimos à tentação de olhar para os preços do produto no Brasil na década passada e tirar algumas conclusões.

Foto: Felipe Pagani/Café Editora
                                     Foto: Felipe Pagani/ Café Editora

Os preços do café na porteira da fazenda estão no mesmo nível que estavam há dez anos. Mesmo que a produtividade tenha aumentado consideravelmente neste período, os ganhos dos produtores provavelmente diminuíram devido ao aumento dos custos e requisitos adicionais, como por exemplo, produção sustentável.

A produtividade realmente cresceu no Brasil durante este período, mas muito menos que nos 10 anos anteriores. A inflação foi compensada em alguns momentos pela desvalorização da moeda local, mas considera-se que o Real está sobrevalorizado. A legislação trabalhista e ambiental muito rigorosa implica em custos altos para produzir de forma sustentável. As perspectivas não parecem brilhantes para os produtores brasileiros, apesar deles estarem entre os mais produtivos e competitivos do mundo. 

É por esta razão que está na hora de reposicionar a sustentabilidade de item de custo para fator gerador de lucro. Desafiador como isto possa parecer, é necessário para garantir o futuro da produção de café sustentável sem mencionar o futuro da produção de café em si. Esta mudança de paradigma está além do âmbito do cultivo e produção de café e requer uma ação coletiva de toda a cadeia produtiva. Isto
é viável?

O conceito de sustentabilidade da cafeicultura nasceu do desejo de proteger o meio ambiente e consumir um café produzido de maneira socialmente responsável. É desnecessário dizer que estas preocupações estão muito mais perto do modo de pensar dos consumidores em países importadores de café de alta renda do que dos países produtores de café de baixa renda, onde muitos cafeicultores lutam para sobreviver. As prioridades são obviamente diferentes nestes dois extremos do mercado!

Esta alocação “espacial” de custos e benefícios foi inicialmente abordada por meio do prêmio pago aos cafés sustentáveis. No entanto, e como era de se esperar, tais prêmios caíram à medida que maiores quantidades de café sustentável foram produzidas e a tendência é que tais diferenciais desapareçam no longo prazo com a sustentabilidade se tornando uma exigência de mercado e um custo adicional para os produtores de café.

Ao implementar progressivamente as práticas sustentáveis nos países produtores, ficou claro que alguns custos também se refletem em benefícios diretos para os cafeicultores, uma vez que a adoção de tais práticas exige melhores habilidades gerenciais que são então utilizadas para melhorar a rentabilidade dos produtores. 
Isto abre uma importante janela de oportunidade. Mas a difusão e capacitação em práticas sustentáveis, inclusive gerenciais, é crítica para estender esta oportunidade aos pequenos produtores em um processo que requer tempo e dinheiro. Os atuais prêmios marginais para cafés sustentáveis não tornam este investimento viável e implicam em um desafio não só para os produtores mas também para toda a cadeia produtiva.

Uma resposta são os programas pré-competitivos "multi-stakeholder"– com todos os interessados – que envolvem os produtores, o comércio e a indústria para proporcionar esta capacitação e para liberar recursos existentes e disponíveis tanto em países produtores como consumidores. Estes programas deverão se expandir e crescer e a tendência atual é de que cooperem entre si e trabalhem juntos sob o conceito da Visão 2030 e envolvendo a Organização Mundial do Café num processo importante para ganhar economia de escala, criar um efeito multiplicador e usar adequadamente recursos escassos.

A indústria, como ponto chave de contato entre a cadeia de fornecimento e o consumidor, tem um papel primordial neste processo. É a única parte interessada que pode usar suas habilidades mercadológicas para convencer os consumidores a pagarem mais por café sustentáveis e canalizar este ganho extra para os produtores através de uma mistura de melhores preços e fundos para programas pré-competitivos. Se isto não der certo, a sustentabilidade ou sua falta será tratada como passivo, como já acontece, e se perderá uma oportunidade única para fazer
da sustentabilidade um ativo de grande valor.

CARLOS HENRIQUE JORGE BRANDO

Engenheiro civil pela Escola Politécnica da USP; pós-graduação à nível de doutorado em economia e negócios no Massachusetts Institute of Technology (MIT), EUA; sócio da P&A Marketing Internacional, empresa de consultoria e marketing na área de café

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