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Rondônia, um novo "país" produtor?

POR CARLOS HENRIQUE JORGE BRANDO

P&A MARKETING E EQUIPE

EM 18/11/2016

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Neste momento quando algumas fontes afirmam que o crescimento do consumo de robusta superará o de arábica até 2020 em uma proporção de 3 para 1 e outras fontes dizem que em 4 para 1, as mudanças climáticas e secas no Vietnã, Indonésia e Espírito Santo e Bahia, no Brasil, suscitam preocupações especiais. Os preços refletem tais preocupações com conilons vendidos a preços maiores que arábicas de qualidade média no Brasil, em uma inversão incomum da direção da “arbitragem”, a diferença de preço entre os dois tipos de café.
Notícias que variedades clonais de conilon somadas à irrigação fazem com que o sistema radicular permaneça mais perto da superfície do solo e as plantas, portanto, mais expostas à secas indicam que áreas substanciais de conilon deverão ser arrancadas e replantadas. Isto fará com que algumas perdas devido à seca de 2016 se estendam até 2017 e 2018, independentemente de ocorrências normais de precipitação no futuro próximo. Para agravar a situação, o conilon que não for arrancado também poderá sofrer em 2017 com a seca de 2016 e produzir menos, especialmente se as chuvas não começarem logo no Espírito Santo e no Sul da Bahia. Isto cria um quadro sombrio para o fornecimento de robustas, independente de como a mudança climática possa afetar a Indonésia, o Vietnã e outros produtores de robustas nos próximos anos.

Embora triste, esta situação pode criar oportunidades interessantes para o estado brasileiro de Rondônia, na região amazônica, que produz robustas há décadas, mas sempre foi marcado pela baixa produtividade e por uma ineficiente cadeia de abastecimento, sem mencionar sua distância dos portos de exportação e da indústria de café torrado e solúvel, concentrados nos estados do Sudeste brasileiro. A produção de café em Rondônia começou a modernizar-se e a desenvolver-se nos últimos anos incentivada por novas variedades, tecnologia, vontade política e, recentemente, pela adoção da sustentabilidade como um dos pilares básicos de seu novo negócio de café, graças à colaboração com o Programa Café Sustentável, agora Plataforma Global do Café.

O café de Rondônia é plantado em terras totalmente mecanizáveis, não florestais, na margem sul da Floresta Amazônica onde ainda existem áreas para plantar mais sem a necessidade de se cortar árvores. Além disso, muito do crescimento da produção virá de maior produtividade na mesma área. De qualquer maneira, a ênfase em sustentabilidade faz sentido devido à proximidade da floresta e também porque Rondônia quer evitar qualquer consideração indevida sobre seus cafés.

A reviravolta de Rondônia resultou da introdução de tecnologias desenvolvidas no Espírito Santo – variedades, cultivo e poda – tanto com novos plantios como com a reabilitação de áreas existentes, algumas com variedades de robustas diferentes do conilon. A produtividade, cuja média estava abaixo de 12 sacas por hectare nos cinco anos antes de 2012, está agora próxima de 20 sacas/ha e tudo indica que há muito mais por vir baseado nos números e na experiência do Espírito Santo. A produção do estado está em vias de regressar aos 2 milhões de sacas e os especialistas asseguram que isto é apenas o começo. Combinando os índices de crescimento do Espírito Santo com rentabilidade alta em Rondônia, que está gerando mais plantio, e a abundância de água – chuvas e rios – pode não ser irracional esperar 5 milhões de sacas de café na primeira metade da próxima década. Isto me levou a fazer a pergunta do título: se Rondônia terá a dimensão de um novo país produtor de Robusta, maior que a atual Uganda e Costa do Marfim, e entre os “top 5”! A história nos dirá...

Se as projeções de produção parecem impressionantes, mais relevante que isto é que o renascimento do negócio café em Rondônia está acontecendo de forma responsável, sustentável e desafiando o preconceito contra a qualidade do robusta. Em 2016, o estado organizou um concurso estadual de qualidade de café robusta que incluiu a sustentabilidade entre os critérios para definir os ganhadores, e teve uma participação importante nas sessões de provas (“cupping”) que aconteceram durante a Semana Internacional do Café em Belo Horizonte, Minas Gerais, em setembro. Existe muito apelo de marketing para reposicionar esta nova-velha origem de café e, logo, será hora de fazê-lo. 

CARLOS HENRIQUE JORGE BRANDO

Engenheiro civil pela Escola Politécnica da USP; pós-graduação à nível de doutorado em economia e negócios no Massachusetts Institute of Technology (MIT), EUA; sócio da P&A Marketing Internacional, empresa de consultoria e marketing na área de café

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