FAZER LOGIN COM O FACEBOOK ESQUECI MINHA SENHA SOU UM NOVO USUÁRIO

Prevendo o tamanho da safra brasileira: além da floração

POR CARLOS HENRIQUE JORGE BRANDO

P&A MARKETING E EQUIPE

EM 22/10/2015

6
0
A floração vem sendo satisfatória na maioria das regiões produtoras de arábica do Brasil e o mesmo aconteceu com o conilon anteriormente. Seria esta uma indicação de uma colheita gigante? O que aconteceu após a floração nos últimos dois anos – seca no período de desenvolvimento das cerejas – indica que talvez seja muito cedo para tal conclusão. Mas antes de entrarmos neste assunto, vamos rever o que aconteceu de 2013 até hoje.

O Brasil teve uma temporada de floração típica ou normal em 2013 mas a produção foi frustrada pela seca de janeiro a março de 2014 que impediu muitas cerejas de se desenvolverem em grãos viáveis e causou, consequentemente, perda de peso. A floração em 2014 foi menor que o usual devido ao déficit hídrico sofrido pelas plantas já afetadas pela grande carga que suportaram. Era esperado que as cerejas resultantes produziriam grãos de tamanho normal, mas agora sabemos que uma breve seca em janeiro de 2015 afetou o tamanho de peneira mais do que esperado. O que aconteceu nas safras de 2014 e 2015 leva à conclusão de que mais do que nunca, qualquer previsão de safra no Brasil precisa levar em conta a precipitação no período de formação e desenvolvimento das cerejas e que a quantidade de chuva esperada pode diminuir como resultado de mudanças climáticas. Em outras palavras, a prática de associar diretamente boa florada com grandes safras pode estar se tornando uma grande simplificação.

Todos nós envolvidos no agronegócio café lemos e ouvimos muito sobre mudanças climáticas desde que a seca de 2014 atingiu áreas brasileiras produtoras de café. Resumo aqui três versões diferentes sobre a seca de 2014: (1) foi um fenômeno isolado, com poucas chances de acontecer novamente, (2) foi parte de um padrão recorrente de secas que acontece a cada tantas décadas ou (3) foi o início de um novo padrão que acontecerá frequentemente. Não importa qual teoria prevaleça – e apenas o tempo mostrará – é fato que houve uma seca pequena em 2015 e as temperaturas foram mais altas do que as médias históricas. Isto introduz um novo fator para previsão de safras: a temperatura.

Temos evidência de que mesmo áreas irrigadas perderam produção devido a temperaturas anormalmente altas no período de desenvolvimento das cerejas em 2014. Temperaturas extremamente altas podem fazer com que as flores não “peguem” e causar lentidão na fotossíntese com impactos óbvios na produção. As temperaturas estão certamente acima da média no presente período de floração no Brasil, e se aproximando agora de níveis extremos.

A mudança climática é um fato, e deve-se levar a floração em consideração como primeiro fator crítico para previsão de safra. Mas para que a florada se converta em safra são necessárias chuvas em volume suficiente para fazer com que as flores produzam fruto e que tais frutos se desenvolvam e as temperaturas devem estar em níveis que não coloquem a florada ou o desenvolvimento das cerejas em risco. Com isto em mente, a atenção do mercado deve ser focada em dois “períodos de controle”: o período de floração, de setembro a novembro, e o período de crescimento das cerejas, de janeiro a março, com temperaturas e chuvas monitoradas durante e além de tais períodos. Talvez prever safras tenha sido uma tarefa mais fácil no passado...

Por último, mas não menos importante, ferramentas de mitigação das mudanças climáticas existem – irrigação, sombreamento, plantio profundo, novas variedades, etc. – e outras serão criadas mas aparentemente, os países produtores mais competitivos, por exemplo, os mais avançados tecnologicamente e com cadeias de abastecimento melhor organizadas dentro e fora da fazenda, são os que se adaptarão melhor e mais rapidamente às mudanças climáticas e se tornarão ainda mais competitivos do que são atualmente. Isto não deveria ser uma surpresa já que estes países concentram a maior parte da pesquisa em café e tem os sistemas de extensão rural e financiamento mais avançados, para citar apenas alguns fatores. A tendência atual dos maiores países produtores de café aumentarem sua fatia de mercado será provavelmente intensificada pelas mudanças climáticas.

CARLOS HENRIQUE JORGE BRANDO

Engenheiro civil pela Escola Politécnica da USP; pós-graduação à nível de doutorado em economia e negócios no Massachusetts Institute of Technology (MIT), EUA; sócio da P&A Marketing Internacional, empresa de consultoria e marketing na área de café

6

DEIXE SUA OPINIÃO SOBRE ESSE ARTIGO! SEGUIR COMENTÁRIOS

5000 caracteres restantes
ANEXAR IMAGEM
ANEXAR IMAGEM

Selecione a imagem

INSERIR VÍDEO
INSERIR VÍDEO

Copie o endereço (URL) do vídeo, direto da barra de endereços de seu navegador, e cole-a abaixo:

Todos os comentários são moderados pela equipe CaféPoint, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração. Obrigado.

SEU COMENTÁRIO FOI ENVIADO COM SUCESSO!

Você pode fazer mais comentários se desejar. Eles serão publicados após a analise da nossa equipe.

ARMNDO MATIELLI

GUAPÉ - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 25/10/2015

Sabemos das fortes interferência climática na produção de café no Brasil. O artigo do Carlos Brando reforça os fatos. Mas, mesmo assim o mercado não reage a altura. Tabelaram o preço na faixa de R$450/saca para o arábica. O dolar sobe e o mercado cai em libra pêso. O Brasil como principal produtor de arábica é o responsável por essa situação. Não existe nenhum aparato de regulagem de fluxo e, o mercado manda e a produção cumpre. Lamentável a inexistência de política para o café. O fato é o desvio das atenções sobre mercado e o foco nas outros segmentos como parte agronômica, clima, e outros. Vamos discutir regras de mercado e deixar de "tapar o sol com a peneira", enganando o setor produtivo descaradamente.
BRUNO NASSER VILELA

CRISTAIS - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 24/10/2015

Bom dia

muito oportuno este artigo. A opção café sombreado (ingá) já usei na variedade mundo novo , por falta de pesquisa não dei continuidade. Inclusive o que observei foi ambiente mais fresco, entrenós maiores, maior uniformidade e quantidade de café cereja. Problema para mecanização . O ingá é uma leguminosa ( raiz profunda portanto concorre menos com o cafeeiro e produz  muita matéria orgânica) . Fica com Deus.
MARCOS PATRICK STUR

PANCAS - ESPÍRITO SANTO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 23/10/2015

A seca de 2014 foi sub estimada pelo mercado, principalmente no caso do café conilon do ES, onde é comum encontrar produtores com perdas de 40 a 45% de sua safra 2015, cabendo apontar que esta estiagem no caso do ES se iniciou em setembro de 2014 com o declínio dos níveis de chuva, chegando a 0mm em janeiro e mesmo voltando a chover, não retornou em níveis normais, continuando a estiagem até os dias de hoje, onde agora encontramos setembro e outubro com 0mm de precipitação.



Com toda a certeza já temos perdas para a safra 2016, qual será este nível, estimasse que ainda não ultrapasse 20% devido ao momento do estágio fenológico da planta do cafeeiro neste momento, sendo menos sensível a estiagem do que em janeiro que a mesma está em plena granação dos frutos e com a sua maior demanda por água e nutrientes, até a 8 semana do seu ciclo ainda teremos uma menor demanda por água e nutrientes na planta e assim menores perdas, mas chegamos a este limite, deste momento em diante as perdas aumentaram de forma progressiva e rápida, cabendo apontar que não possuímos previsões boas de chuva para os próximos dias e também meses, o El Nino continua a atuar forte e isso indica ao contrário do que a reportagem apontou, não uma grande safra, mas sim mais uma quebra de safra, teremos duas quebras de safra consecutivas e a pergunta não é como o mercado vai se comportar, mas sim como os produtores irão suportar, o governo em crise, não existem recursos de PRONAF/PRONAMP a disposição, os contratos passados vencendo e o produtor não possui colheita para amparar suas despesas. Existem diversos município capixabas onde a inadimplência dos contratos rurais (PRONAF e PRONAMP) encontram-se acima de 50%, o índice aceitável seria 2%, existe um risco iminente de falência de uma parte significativo do setor agrícola no ES, não só de café, mas por ser a cultura predominante, será a mais afetada.
PEDRO MALTA CAMPOS

ESPÍRITO SANTO DO PINHAL - SÃO PAULO - INDÚSTRIA DE CAFÉ

EM 23/10/2015

Carlos, boa análise. Obrigado por compartilhar essa visão. Um abraço. PMC
JANIO ZEFERINO DA SILVA

BRASÍLIA - DISTRITO FEDERAL - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 22/10/2015

Alem disso a baixa utilizacao dos mecanismos de protecao de preços e de hedge causam uma forte dependencia dos cafeicultores com relacao aos agentes do mercado.



As bolsas ja estao olhando a safra de 2 anos a frente e nos olhamos para as floradas
WALTER MORA

COMÉRCIO DE CAFÉ (B2B)

EM 22/10/2015

cosecha muy complicada  es muy probable que Brasil entre en una fase de merma sustancial de produccion de cafe.  El clima es el que manda