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Desafios para fomentar a produção sustentável do café mainstream

ESPAÇO ABERTO

EM 01/11/2017

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Por Eduardo Trevisan Gonçalves

Estive na primeira semana de outubro em Genebra, Suíça, participando da Conferência Anual da Plataforma Global do Café ou em inglês Global Coffee Platform (GCP). A Plataforma é uma organização não governamental sem fins lucrativos com sede na Alemanha e escritório de representação no Brasil. Ela possui em torno de 200 associados em diversas categorias, com destaque aos produtores, sociedade civil e empresas, todas elas que possuam ações e objetivos ligados à cadeia do café em todo o mundo.

Foto: Alexia Santi/Agência Ophelia
                                      Foto: Alexia Santi/Agência Ophelia

Os objetivos principais da Plataforma são de fomentar a produção sustentável do café, especialmente o mainstream (café comum), por meio de parcerias públicas e privadas, aumento do impacto de iniciativas locais e internacionais e estabelecimento de referências para sustentabilidade da produção e processamento de café.

Imaflora, organização a qual represento, tornou-se recentemente membro do GCP, embora já há alguns anos participe de seu grupo técnico no Brasil, liderado pela P&A Marketing. Nosso objetivo com a associação é de contribuir com os outros membros e também de garantir que conceitos básicos relacionados à produção sustentável, como atendimento às leis brasileiras, direitos e deveres dos trabalhadores, conservação dos recursos naturais e reconhecimento aos produtores responsáveis, sejam atendidos pela cadeia.

Durante o evento foi afirmado que a cadeia do café gasta atualmente em torno de USD 350 milhões de dólares com café sustentável no mundo todo, e que parte desse recurso pode estar sendo gasto de forma ineficiente. Embora existam controvérsias a respeito desse montante, especificamente em que se gasta (prêmios, auditorias, projetos, etc..) há a expectativa, por parte da Plataforma e seus membros, de que esses recursos sejam utilizados de forma apropriada, a fim de que os produtores, especialmente aqueles que precisam de apoio para se tornar mais sustentáveis, sejam os verdadeiros beneficiados.

Boa parte desses “pedidos” surge da Federação Nacional dos Cafeicultores da Colômbia (FNC) e outras organizações produtivas, incluindo cooperativas e instituições brasileiras.  No evento foi demonstrado também o trabalho de diversas inciativas, como casos de sucesso de parcerias entre torrefadores, comerciantes, ONGs, consultorias e produtores visando resolver problemas locais e/ou implementação de ações visando melhorias de produtividade, microcrédito, resiliência a seca, dentre outros.

Também foi exposto que o antigo sistema de verificação 4C não existirá mais da mesma forma que outrora fora conhecido, isto é, não há vínculo entre a Plataforma Global do Café com o antigo sistema 4C ou com qualquer outro sistema de verificação ou certificação. O Protocolo ainda existe e será utilizado para fazer benchmarking (Processo de avaliação e comparação entre sistemas/normas/protocolos) com outros protocolos nacionais ou internacionais, como por exemplo o Certifica Minas e outros privados.

A plataforma também não apoia especificamente nenhuma certificação, embora em países como Peru e Colômbia as iniciativas locais (empresas ou ONGs apoiadas pela GCP) estejam trabalhando para que nesses países as certificações sejam disseminadas. Para mensuração dos impactos gerados pelos diversos projetos de campo em todo o mundo, a Plataforma está desenvolvendo indicadores e aplicativos que serão utilizados por técnicos de campo envolvidos nos projetos, de forma a facilitar a análise dos resultados e apoiar tomada de decisão sobre novas ações.

Resumidamente, a cadeia do café mainstream, que anos antes possuía metas vinculadas às diferentes certificações e verificações, está mudando seu foco, buscando investir em projetos que possam impactar diretamente a produção e os produtores, assegurando suprimento de café em longo prazo de forma a não exaurir os recursos naturais. Por outro lado, nos Cafés Especiais, onde o vínculo com o consumidor é maior, a demanda por certificações de alto desempenho ainda permanece, haja vista que o mercado para esse tipo de café continua a crescer.

O sucesso deste modelo de cafeicultura sustentável vai depender da efetividade dos projetos que deverão atender os interesses dos diversos públicos:

indústria: precisam de café de qualidade a longo prazo;
produtores: ao mesmo tempo em que necessitam de apoio, precisam de parceiros comerciais que entendam seus riscos e valorizem seus produtos;
consumidores: querem saber como seu cafezinho foi produzido.

Eduardo Trevisan Gonçalves é Gerente de projetos em Mercado e Assistência Técnica, Imaflora

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EDUARDO TREVISAN GONÇALVES

PIRACICABA - SÃO PAULO

EM 10/11/2017

Obrigado André. Se precisar, estamos a disposição para discutir também outras cadeias.
ANDRE

EM 08/11/2017

Ótimo artigo, Eduardo. Obrigado!

Estamos vendo a mesma coisa em outros setores, uma busca por soluções diferentes da certificação, especialmente em produtos mainstream.
EDUARDO TREVISAN GONÇALVES

PIRACICABA - SÃO PAULO

EM 08/11/2017

Marcos, obrigado pelo elogio.
MARCOS AURELIO RICCETTO

DIVINOLÂNDIA - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 02/11/2017

A sustentabilidade é um fator primário na cadeia produtiva do café.

Excelente artigo.