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Procura-se o empreendedor

POR BRUNO VARELLA MIRANDA

E SYLVIA SAES

BRUNO VARELLA MIRANDA

EM 31/05/2011

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Esse texto é uma prova das limitações enfrentadas por nós, pesquisadores, ao tentarmos explicar questões do cotidiano. Tomemos o caso do empreendedor, essa figura fundamental para o funcionamento da economia capitalista. Quando abrimos os manuais de microeconomia utilizados nas universidades, nos deparamos com mercados em que os agentes são idênticos, tomando decisões com base na melhor informação disponível. Em outras palavras, é como se o mercado, em um passe de mágica, ordenasse o sentido dos recursos e, consequentemente, o destino das pessoas.

Um grupo crescente de pesquisadores, porém, tem se dedicado a pensar maneiras de garantir ao empreendedor o lugar merecido na análise econômica. Sem entrar a fundo nesse complexo debate, queremos lançar algumas reflexões acerca do significado desse termo. Mais especificamente, o que caracteriza um empreendedor? Ou, indo além, é possível fazer com que mais empreendedores surjam em um dado contexto?

Para responder a primeira pergunta, vejamos o que diz quem estuda o tema. Em um texto de 2005, o economista Richard Langlois afirma que o "empreendedorismo tem a ver com o novo - novos bens e serviços, mas, em geral, novo conhecimento econômico - e com a forma como o novo entra no sistema econômico. Dito de outra forma, o empreendedorismo tem a ver com mudança".

A chave para entender o papel do empreendedor é a idéia de "novo conhecimento econômico". Ora, é evidente que são poucos os introduzem ou, ao menos, os que ficam famosos por introduzir um novo bem no sistema econômico. Todos, porém, respondem diariamente ao desafio de utilizar os recursos disponíveis da melhor forma possível. Em outras palavras, "novo conhecimento econômico" é aquilo que cria valor tanto por meio de um ativo pelo qual as pessoas desejem pagar mais quanto por meio de uma solução que economize recursos.

Nesse sentido, se é certo que o empreendedorismo tem a ver com a mudança, isso significa que o empreendedor se caracteriza pela capacidade de adaptação a novas condições. Identificar desafios, enxergar oportunidades, oferecer soluções; são diversos os momentos em que o julgamento do empreendedor é testado. Diante dele, o futuro, incerto. Em suas mãos - ou em suas mentes - os instrumentos acumulados ao longo de uma vida inteira dedicada a essa adaptação às novas circunstâncias.

É aí que queremos chegar. Retomemos a nossa segunda indagação: é possível fazer com que mais empreendedores surjam em um dado contexto? Trabalho recente demonstra que sim, ao menos quando se leva em conta o desafio de responder a oportunidades de negócio. Pesquisa conduzida por Fabio Mizumoto, após entrevistar 409 cafeicultores, demonstra que o acesso à educação formal aumenta a probabilidade de adoção de estratégias de diferenciação. Da mesma maneira, os resultados apontam a importância do exemplo vindo das gerações anteriores para a busca pelo novo. Em outras palavras, empreende mais quem vê práticas parecidas em casa.

As conclusões encontradas no trabalho de Mizumoto evidenciam a importância de, por meio do acesso à educação, ampliarmos o horizonte dos produtores rurais caso queiramos que estes tenham mais opções para se adaptar a um sistema econômico em constante transformação. Quando tratamos de estratégias de diferenciação, estamos falando de práticas constantemente discutidas entre os agentes do setor; ou seja, informação é o que não falta. Ainda assim, observamos que um melhor nível educacional se reflete no aproveitamento dessas oportunidades. O que dizer, então, daquelas oportunidades de negócio não tão óbvias, ou, ainda, esperando para serem descobertas?

Encontrar o empreendedor é fundamental por vários motivos. Para a academia, porque permitirá o enriquecimento progressivo da análise dos processos sociais. Para o Estado, porque contribuirá para políticas públicas mais conscientes sobre o papel de cada indivíduo. Não raramente, ambos se mostram exageradamente preocupados com valores agregados. Enquanto isso, em suas propriedades, milhões de produtores se adaptam diariamente a novos desafios, oferecendo soluções de acordo com o seu julgamento. Oferecer informação a essas pessoas, possibilitando-lhes mais opções de decisão, deve ser um objetivo central em qualquer sociedade.

BRUNO VARELLA MIRANDA

Professor Assistente do Insper e Doutor em Economia Aplicada pela Universidade de Missouri

SYLVIA SAES

Professora do Departamento de Administração da USP e coordenadora do Center for Organization Studies (CORS)

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