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Nunca antes na história...

POR SYLVIA SAES

E BRUNO VARELLA MIRANDA

BRUNO VARELLA MIRANDA

EM 17/11/2010

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Ao longo dos últimos anos, nos acostumamos a escutar as palavras acima. De fato, "nunca antes na história desse país" ouvimos tantas vezes essa frase! Finalizados os anos de Lula na presidência, fica a dúvida em relação ao futuro: para onde estamos caminhando?

Infelizmente, o Brasil perdeu uma oportunidade de ouro ao não discutir temas que fatalmente terão de ser tratados pela futura presidente. Ao longo da campanha, os candidatos preferiram seguir a cartilha de suas equipes de propaganda, moldando o discurso de acordo com os resultados das pesquisas de opinião.

Graças a essa opção, hoje sabemos muito sobre a - suposta - religiosidade dos candidatos a presidente, mas pouco sobre as suas idéias concretas. Perdemos minutos preciosos debatendo de forma inadequada as privatizações do passado, quando poderíamos tratar de propostas para o futuro.

Nesse contexto, o que mais conhecemos é a herança que será entregue aos futuros governantes do Brasil. Não faremos, porém, um balanço geral dos oito anos da gestão de Lula na presidência. Acreditamos que já existem análises interessantes acerca do período, além das outras que naturalmente surgirão nos próximos meses e anos. Pelo contrário, queremos chamar a atenção para apenas dois aspectos.

Em primeiro lugar, é evidente que avançamos em muitas áreas, em um processo que, na verdade, é anterior à ascensão de Lula ao comando do país. Mais especificamente, se houve diminuição da pobreza, por exemplo, é porque a administração anterior criou bases para a adoção de políticas sociais. De maneira geral, estamos melhores hoje do que no começo da década passada.

Em outras áreas, mantivemos os velhos vícios. As alianças de Lula ou de Fernando Henrique Cardoso se notabilizam pelas semelhanças. O loteamento de cargos segue a todo vapor, e a avidez dos políticos por tesourarias e diretorias financeiras já não assusta mais ninguém. Fato é que nem mesmo os 80% de aprovação popular fizeram com que Lula desafiasse certas práticas do nosso cotidiano político; não por acaso, a palavra "pragmatismo" passou a ser usada com desenvoltura crescente.

O momento, portanto, mistura o otimismo comedido com o futuro e a frustração com a falta de transformações mais profundas. A ausência de um debate maduro durante as eleições torna essa sensação de relativa confusão ainda mais aguda. Assim sendo, gostaríamos de enumerar alguns tópicos que consideramos importantes para o futuro da cafeicultura e do Brasil:

-Código florestal: trata-se de uma questão estrutural, e que certamente não foi tratada durante as eleições devido ao temor de provocar o abandono de parte do eleitorado. Uma vez passado esse período, porém, é necessária uma indicação clara acerca das intenções do governo, até para permitir que os grupos de interesse reorganizem os seus argumentos e suas ações;

-Barreiras tarifárias: vemos nossa competitividade ser punida em diversos mercados ao redor do mundo. No caso do café, a escalada tarifária gera desvios de comércio consideráveis, prejudicando os empresários brasileiros. Haverá alguma estratégia específica a fim de atenuar essas barreiras?

-Reforma tributária: não é novidade para ninguém na cafeicultura que a questão tributária precisa ser tratada com urgência. Na verdade, esse é um desafio que vai além de qualquer setor específico, sendo uma questão de interesse da sociedade. Pouco se falou sobre reforma tributária durante a campanha. Haverá algum plano a respeito?

- Pré-sal: agora que nos informaram que o Pré-sal é o "passaporte para o futuro", queremos saber qual é esse futuro. Em outras palavras, de que forma os recursos oriundos da exploração das reservas de petróleo serão investidos?

A relação acima, longe de esgotar o tema, é mais um convite: leitores, qual a questão que consideram merecedora de um tratamento mais adequado por parte dos próximos governantes? Taxa de juros, câmbio, programas de valorização da atividade?

SYLVIA SAES

Professora do Departamento de Administração da USP e coordenadora do Center for Organization Studies (CORS)

BRUNO VARELLA MIRANDA

Professor Assistente do Insper e Doutor em Economia Aplicada pela Universidade de Missouri

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GUSTAVO DE PAULA

SÃO CARLOS - SÃO PAULO

EM 23/11/2010

Prezados Autores e Leitores,

Percebo em um sem-número de publicações as mesmas questões e preocupações - legítimas! Preocupações e questões que eu mesmo faço a mim e aos outros que me cercam, no intuito da construção coletiva de um pensamento de nação.

Porém, freqüentemente deparo com a limitação da discussão em torno do executivo, quando não apenas em torno do Presidente, que é uma figura singular, porém não a única, que representa o poder executivo no Brasil.

Não podemos nos esquecer dos demais poderes - notadamente o legislativo, que concentra em suas mãos podem similar ao do executivo. Porém é muito mais difícil exigir do legislativo a celeridade e seriedade quando a cobrança é pulverizada sobre mais de 600 políticos!!

Certamente o poder da Presidência da República é mais concentrado e melhor monitorado, mas não vamos esquecer que os Senadores e Deputados têm cabeça, caneta e interesses próprios. O presidente certamente têm vigilância constante em suas atividades.

Estarão os legisladores sendo vigiados a contento?

Gustavo de Paula
Pós-Graduando em Engenharia de Materiais
Empresário
São Carlos, SP.
REINALDO FORESTI JUNIOR

CAMPANHA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 19/11/2010

Professora Maria Sylvia Macchione e Bacharel Bruno Varella Miranda.O excelente artigo escrito por V.Sas.publicado acima,é um testemunho alvissareiro da preocupa ção do setor de pesquisas para o assunto técnico e estruturante de nossa cafeicultura, com repercussões positivas no setor envolvido, tendo em vista as pontuais formulações inseridas, objetivos propostos e esperança almejada. Parabéns e votos de continuada pesquisas,avaliação de viabilidade e quebra de possíveis para-digmas subjetivos e transparência nas conclusões.Atenciosamente.
LUCAS LOUZADA PEREIRA

VENDA NOVA DO IMIGRANTE - ESPÍRITO SANTO

EM 17/11/2010

Parabéns professora Saes, o assunto é profundo e extenso, porém da forma que foi abordada, nos deixa a sensação de que algo precisa ser feito para tomar medidas de estratégias que fato tornem esta nação competitiva.

As barreiras tarifárias e a reforma tributária são fundamentais para a boa manutenção de nossa atividade cafeeira, precisamos fortalecer nosso mercado interno, modernizar nossas indústrias, e fortalecer nosso produto agregando tecnologia e processos inovadores em toda cadeia agroindustrial, para que assim possamos gozar de crescimento sólido... o caminho é longo, e várias discussões precisam ser retomadas para que o futuro nos traga bons ventos.

Fica de fato a pergunta... Quando o governo se ocupará dessas questões pontuais?