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Importar ou não importar? Eis a polêmica

Bastou São Pedro não cooperar para que o tema voltasse à pauta: é conveniente permitir a importação de café conilon no Brasil? A questão é polêmica. Minha opinião, explicada em textos publicados em parceria com a professora Sylvia Saes, é encontrada aqui mesmo no CaféPoint. Em resumo, acredito que sim, há benefícios potenciais em permitir a entrada de café do exterior. Desde que respeitadas as exigências fitossanitárias e vinculada a uma estratégia clara de expansão das exportações com maior valor agregado, a política pode trazer benefícios para o setor no longo prazo.

Em primeiro lugar, discutir a importação em regime de drawback representa um exercício de realismo. Afinal, o Brasil não controla a oferta internacional de matéria-prima para a produção de café solúvel. Se não processarmos tais sacas de café em nosso território, empresas baseadas em outros países o farão. De fato, já o fazem, abocanhando uma fatia do mercado internacional que poderia ser explorada por firmas brasileiras. Um bom exemplo recente é dado pelo Equador, cujo impressionante crescimento nas exportações contrasta com nossa estagnação.

Engana-se quem avalia que os efeitos de tal dinâmica se limitam ao curto prazo. No mundo em desenvolvimento, o café solúvel é um ponto de partida fundamental para a conquista de novos mercados. Promover um contato inicial com a bebida significa a possibilidade de estabelecimento de um relacionamento de longo prazo com tais consumidores. Caso o futuro reserve uma trajetória de crescimento econômico aos chamados países emergentes, o acesso privilegiado nos dias atuais implicará oportunidades adicionais de negócios no futuro.

Para isso, precisamos dotar o setor industrial das ferramentas usadas tão habilmente por nossos concorrentes. Oferecer valor agregado de maneira eficiente demanda flexibilidade para explorar a considerável diversidade existente no mercado internacional do café. Não deveríamos temer a participação de grãos de outros países nos blends criados em nosso território, por uma razão simples: o intercâmbio impulsionaria ainda mais a reputação do produto brasileiro no mercado internacional. Ora, ninguém melhor do que nós mesmos para mostrar as potencialidades daquilo que ofertamos. Com sua considerável oferta de quantidade e qualidade, atrairíamos novos investimentos caso contássemos com regras mais flexíveis. Ademais, poderíamos combinar políticas de promoção com uma presença efetiva de produtos made in Brasil.

Os parágrafos acima abordam potencialidades futuras. Antes, faz-se necessário pensarmos em um passo inicial. Momentos de quebra na produção oferecem uma excelente oportunidade para experimentar. Caso seja conduzida com cuidado, a iniciativa nos permitiria medir suas consequências práticas sem prejudicar os produtores. Mais especificamente, é preciso definir com clareza as quantidades que poderiam ser adquiridas e o período para tais transações. Da mesma maneira, cabem aos agentes definir um critério para a mensuração do eventual impacto da medida. Assim, teríamos evidências concretas para aprofundarmos nossa compreensão sobre os efeitos colaterais do drawback.

Obviamente, o governo brasileiro precisa agir em outras frentes. Primeiramente, terá que fazer a lição de casa para que as devidas exigências fitossanitárias sejam respeitadas. Ademais, deverá negociar a redução de tarifas impostas por outros países ao café solúvel produzido no Brasil. É bem verdade, lidará com um cenário desafiador. O mundo que emerge após eventos como o Brexit e a eleição de Donald Trump promete uma escalada dos conflitos comerciais. Após tais resultados eleitorais, será possível delinear uma estratégia de longo prazo para a abertura de novos mercados? Trata-se de uma incógnita, igualmente merecedora de uma boa conversa nos próximos meses. Mudanças na geometria dos acordos comerciais inviabilizariam os atuais planos de expansão das vendas ao exterior.

Finalmente, precisamos discutir o papel dessa mudança nas políticas de promoção do café do Brasil no exterior. Fomentar nossa competitividade é fundamental, mas devemos discutir formas de estender os benefícios aos cafezais. Tratemos de ir além da postura defensiva que enxerga o drawback como uma forma de minimizar custos. De que maneira o eventual fortalecimento da indústria brasileira afetaria os rendimentos recebidos pelos produtores rurais? A resposta para tal pergunta não é óbvia, dependendo dos padrões de cooperação e competição entre os distintos elos da cadeia. Do ponto de vista do cafeicultor, a importação só faz sentido se acompanhada da possibilidade de capturar parte do valor criado com essa política. Até o momento, fomos incapazes de oferecer uma resposta satisfatória para tal desafio.

Quando o assunto é café, uma das principais vantagens do Brasil deriva da natureza de seu complexo agroindustrial. Em grande medida, nossa força resulta da coexistência de agentes dedicados a atividades complementares. Porém, frequentemente a impressão é a de que nos esquecemos disso. Embore respeite os temores existentes entre os críticos do drawback, considero que os benefícios potenciais trazidos pela política justificam uma tentativa. Caso concebida como parte de uma estratégia mais ampla de projeção do café brasileiro no mercado internacional, todos os participantes do setor têm a ganhar com a iniciativa. Não será fácil, mas precisamos dialogar.

BRUNO VARELLA MIRANDA

Professor Assistente do Insper e Doutor em Economia Aplicada pela Universidade de Missouri

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JÚNIA CRISTINA PÉRES ROPDRIGUES DA CONCEIÇÃO

INSTITUIÇÕES GOVERNAMENTAIS

EM 14/12/2016

Prezado José Eduardo,

concordo com seus comentários, mas quis chamar a atenção para o elo produtor da cadeia agroindustrial do café. Este segmento é importante e tem feito um grande esforço no sentido de inovação para a oferta de grãos diferenciados. A EMBRAPA contribui para este esforço. Tem muito valor agregado (tecnologia) na produção do grão.



Atenciosamente,

Júnia


JOSE EDUARDO FERREIRA DA SILVA

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS

EM 14/12/2016

Júnia,

Você acredita que os agentes de uma cadeia produtiva têm o mesmo grau de informação? Será que o oportunismo entre os agentes não interferirá no resultado desta coordenação? Quem levará vantagem com esse tipo de coordenação?

E mais? Não deveríamos levar em consideração o grau de diferenciação do café? e a formação de preços no mercado poderia ser afetada?

Acho que a tentativa de coordenação intracadeia pode ser um tiro no pé, afetando preços, etc. Por isso acho que a decisão conjunta de uma cadeia tão complexa como essa só pode funcionar na teoria, em modelos "ceteris paribus". Com uma miríade de variáveis  (preço, qualidade, quantidade, demanda interna, externa, variação de renda, taxa de câmbio, juros, etc.) funcionando ao mesmo tempo, por outro lado, ficaria impossível extrair um resultado previsível e positivo para todos. Aí nesse caso, os que têm informações mais complexas tendem a levar vantagens, uma vez que o oportunismo será exacerbado nas transações.

Por outro lado, com cada agente tomando decisões individuais, suas ações terão impacto muito menor ao longo do tempo para a cadeia como um todo.

Eu prefiro acreditar no mercado.
JÚNIA CRISTINA PÉRES ROPDRIGUES DA CONCEIÇÃO

INSTITUIÇÕES GOVERNAMENTAIS

EM 14/12/2016

Prezados, acredito que a questão deve ser entendida dentro do contexto do Complexo Agroindustrial do Café. Na minha visão, o fato de o Brasil possuir uma cadeia de produção do café completa, isto é, com participação na produção, no consumo e na exportação, exige que ocorra uma coordenação fina para que cada elo da cadeia consiga ter ganhos. Assim, uma decisão que pode ser boa para um segmento pode gerar perdas para outros segmentos. Na minha visão, as ações devem ser conjuntas. Se a opção for pela importação para fazermos draw-back, devemos olhar o nosso segmento produtor também. Além disso, é necessário também fazermos um esforço de negociação  nos organismos internacionais para que não enfrentemos barreiras tarifárias na exportação de café processado (solúvel ou T&M).



Atenciosamente,

Júnia
JOSE EDUARDO FERREIRA DA SILVA

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS

EM 07/12/2016

Ticoulat,

Você está certo, mas o que falo é em relação ao intervencionismo nos mercados. Por que o governo deveria ser o agente importador? Essa intervenção no mercado é que está incorreta.

E como "trazer" indústrias para o Brasil? incentivos? mais intervenção? Temos um histórico de intervenção em câmbio, preços, impostos, estoques reguladores, etc. que mexem com os mercados. De protecionismo, de regulação tarifária, etc., ou seja, de pouco respeito aos contratos. E os contratos não se relacionam apenas com cláusulas formais entre 2 empresas livres, mas também passa pelo respeito às instituições.

Por exemplo, uma das instituições mais sérias a ser defendida é o "direito de propriedade". E o que temos? O próprio governo financia movimentos como sem-terras, obsta aquisição de terras pro estrangeiros, etc. Imagine as empresas estrangeiras que chegaram há 15 anos atrás, por exemplo, com planos de investimentos e expansão ao longo de alguns anos e de repente o governo com uma canetada ideológica determina que não poderão mais adquirir terras? Isso é quebra de contrato, e no Brasil fazemos isso sistematicamente.

Há muito o que se corrigir, estes são alguns poucos exemplos de como as coisas acontecem por aqui.

Quer mais exemplo? os governos estão com uma dificuldade enorme para emitir licenças ambientais. Isso afeta liberação de recursos de financiamentos, a obtenção de alvarás de funcionamento, etc. Não há nada que possa ser feito para destravar isso. Como que uma empresa pode operar num mercado desses?

E o que o governo deveria tratar, como a questão sanitária e ambiental, por exemplo, fica prejudicada pois não há dinheiro de impostos que sustente tanta coisa. A política desenvolvimentista se esgotou. Ninguém suporta mais pagar tantos impostos, nem os que se beneficiam das políticas intervencionistas.

Boa sorte para vocês que se arriscam e empreendem por aqui. Vocês são loucos, mas devemos agradecer muito à essa insanidade.
ROBERTO TICOULAT

SÃO PAULO - SÃO PAULO

EM 06/12/2016



jose Eduardo,



Boa tarde.



Voce sabia que é permitido importar? Que o governo brasileiro mesmo importou mais de 300.000 sacas depois da fracassada operaçao Pancafé? Que já varias outras importaçoes foram realizadas tasnto de arabico como de Robusta?



Falei sobre o drawback mas como produtor de arabica sou 100% favoravel a importaçao de café. Alias a Sociedade Rural Brasileira que vive de recursos proprios também é.



A  hist;oria de analise de pragas e doenças é necessária mas todos sabemos da náo existencia de doenças e de possibilidade de fumigaçao nos portos entre outras medidas mitigatórias.



Infelizmente o Brasil gosta de reclamar que náo exporta produto com valor agregado mas näo executa o necessário para trazermos as industrias para produzir no Brasil. Fazemos um excelente trabalho para da porteira para dentro, incluindo o trabalho dos cafés especiais mas paramos ai.



Forte abraço



Roberto






JOSE EDUARDO FERREIRA DA SILVA

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS

EM 06/12/2016

Bruno,



A regulação em si mesmo, já é ruim. Conviver com isso já é um problema para a eficiência do sistema. Mas a sua ausência é utopia. Mas o excesso de regulação (que passa por outras regras não econômicas como acontece, por exemplo, com o anacrônico MAPA) é que é muito ruim e deve ser combatido.



Nossa economia é assentada em bases extremamente intervencionistas por parte do Estado. Há lobbies por parte dos sindicatos (patronais e de trabalhadores - e suas contribuições obrigatórias), movimentos "sociais" (sem teto, sem terra, etc.), há bancada ruralista, bancada evangélica, bancada dos industriais, etc. Só não há bancada liberalizante, nem uma bancada pelo fim do intervencionismo. Há uma profusão de pequenos interesses que se somam e foram este monstrengo chamado intervencionismo brasileiro. É insuportável!



Locke ou mesmo Bastiat já chamavam a atenção para o avanço do Estado sobre as liberdades. Lembremos sempre que o maior direito a que todos temos é a Vida, o dom superior conferido ao indivíduo. E para isso criamos as regras (leis), para protegê-la! E isso se assenta em 3 vertentes: a defesa intrínseca da vida; a defesa dos meios de produção para o indivíduo (daqui vem o direito de propriedade); e a defesa à liberdade. Neste ponto, quando se reduz a liberdade de empreender, reduz-se a capacidade de gerar riqueza. E é aí que o Estado avança sobre nossas liberdades. Quanto maior o peso do Estado sobre o indivíduo menores as chaces de prosperidade.



O papel do Estado é de assegurar que um indivíduo não avançará sobre o direito alheio. Quando o Estado recorre às regulações eles interfere justamente na liberdade de escolha das pessoas. Ele avança sobre a liberdade de gerar riqueza.



Concordo que não há meios de se acabar com as regulações, mas já passamos deste nível há muito tempo, temos de enxugar toda essa sanha regulatória e intervencionista, sob pena de condenarmos nossa sociedade à mediocridade.



Ticoulat,



A liberdade deve ser dada para todos. Tanto para importar café verde quanto café solúvel ou torrado e moído, por exemplo. Vale para todos. E não acho que a Embrapa deve interferir nestes assuntos, que são de cunho estratégico a cada agente econômico.

A liberdade como valor não passa por tecnocratas, mas pela busca do atendimento dos interesses pessoais, resguardado o direito alheio, e à segurança (daí a questão sanitária ser um caso de governo). Neste ponto entra a intervenção estatal.



Tenho gosto especial pela liberdade.



Um abraço a todos, o papo está interessante.
BRUNO VARELLA MIRANDA

SÃO PAULO - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 06/12/2016

Prezado Roberto,



Agradeço a participação. Suas explicações nos ajudam a entender melhor a posição da indústria, facilitando o diálogo.



Entre os diversos aspectos levantados por seu comentário, um que me chama a atenção é aquele relacionado à dinâmica entre o Brasil e seus concorrentes no mercado internacional de café. Ao não acompanhar a trajetória de crescimento do consumo de café solúvel no mundo, o Brasil acaba limitando o poder de barganha de seus cafeicultores no longo prazo. Menos investimentos em nosso território, onde podemos influenciar mais diretamente as "regras do jogo", significa que eventuais incrementos na produção serão destinados a outros países.



Ou seja, o fim dessa história envolveria uma árdua competição com a produção de outras áreas do planeta de qualquer maneira.



Atenciosamente



Bruno
BRUNO VARELLA MIRANDA

SÃO PAULO - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 06/12/2016

Prezado José Eduardo,



Obrigado pelo comentário. O ponto de vista que apresenta é interessante, pois tenta transplantar a discussão em tela para um nível mais amplo. Ou seja, o seu argumento aponta os benefícios de uma liberalização para a sociedade como um todo. Permita-se lançar uma "provocação", feita a mim no passado e que muito me fez pensar.



Lendo seu comentário, lembrei-me de uma conversa que tive há anos atrás com um colega da pós-graduação. O debate era sobre eficiência e livre comércio. Em determinado momento, meu companheiro disse algo assim (não me lembro as palavras exatas): "interessante os economistas, sempre preocupados com a eficiência da economia como um todo. Eu, quando olho em volta, vejo pessoas preocupadas com o próprio bolso".  



Adam Smith não via problema nessa busca pelo interesse próprio, conforme você cita. Para ele, indivíduos lutando pelo ganho pessoal levam a uma economia mais próspera. Ocorre que nós não corremos atrás disso apenas por meio das chamadas "estratégias de mercado", mas também usando "estratégias por fora do mercado". Por exemplo, votando (veja o exemplo dos Estados Unidos) ou pressionando pela aprovação de uma determinação regulação.



Inexiste uma economia sem regulação. O que existe são distintos conjuntos de regras, cada qual com suas vantagens e desvantagens. Uma abertura total do mercado provavelmente causaria uma ruptura no tecido social em boa parte das sociedades democráticas que conhecemos, levando a resultados não desejáveis no longo prazo.



Por tudo isso, acho que nosso grande desafio é buscar um equilíbrio entre as posições de grupos com distintas preferências. Essa coluna existe, entre outros motivos, para tentar escutar pessoas com opiniões diferentes e fomentar a busca de pontos de contato.



No caso do drawback, esse cenário ainda parece distante.



Atenciosamente,



Bruno   
BRUNO VARELLA MIRANDA

SÃO PAULO - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 06/12/2016

Prezado Aylton,



Agradeço o comentário. O objetivo de espaços como essa coluna é justamente oferecer uma voz a todos os lados nessa conversa.



Assim sendo, você cita uma série de desafios enfrentados atualmente por você em sua rotina econômica. Pergunto: na sua opinião, o que seria necessário para minimizar tais problemas?



Atenciosamente,



Bruno Miranda
ROBERTO TICOULAT

SÃO PAULO - SÃO PAULO

EM 05/12/2016

José Eduardo



Na verdade o unico produto agricola que temos esta barreira não tarifaria é o café. Pratica que lutamos na OMC mas que praticamos aqui no Brasil contra nós mesmos. Mas a discussão sempre é saudável.



Em nossas contas o preço do café se fosse importado diretamente do Vietnã sairia proximo ou até mesmo acima do mercado atual. em breve teremos estas contas por um especialista do setor para balizar a discussão.



Mas sua poderação é correta. Porque não podemos importar nosso próprio produto ou mesmo fazermos as análises de riscos quando técnicos da Embrapa, conhecedores do assunto, dizem que é técnicamentoe possível?



O Brasil precisa rediscutir muitas premissas que não criam riquesa e conversar com a cadeia é sempre saudável para dirimir preconceitos.



Obrigado pela contribuição



Roberto
ROBERTO TICOULAT

SÃO PAULO - SÃO PAULO

EM 05/12/2016

Bruno,



Quero antes de mais nada cumprimentá-lo pelo equilibrado artigo, com ponderações muito pertininentes.



Quando olhamos as estatísticas, notamos que a produção de Conillon tem apresentado um excelente desempenho sengundo a Conab. De uma produção de 8,75 milhões em 2.001 passamos para uma produção 13,03 milhões em 2.014, demonstando a melhora da eficiência do setor produtivo e a evolução obtida com novas variedades desenvolvidas



Basicamente, a industria de torrado e moido tem sido a grande demandante deste aumento de produção. Quando observamos as estatisticas da Abic, notamos o excepcional desempenho no aumento do consumo, passando de 13,6 milhoes em 2.001 para 20,3 milhoes em 2.014, incluidos ai o aumento do consumo de café solúvel



Por outro lado, as exportações de café soluvel no periodo ficaram relativamente estáveis. Foram exportados 3,47 milhões em 2.001 e 3,38 milhoes em 2.014. Este volume não tem aumentado face a perda de competitividade da industria tendo em vista as politicas estruturais da economia brasileira, dentre elas a impossibilidade de poder realizar drawback, ocasionando o deslocamento de novas industrias para outros paises produtores, principamente, Vietnã, India, Ecuador e México



Com a frustração da safra de Conillon os preços mais que dobraram neste último ano, retirando a competitiviadade da industria e deslocando demanda para outros paises sem trazer beneficios àqueles atingidos pela seca por falta de politicas publicas de proteção aos efeitos do clima, como um seguro rural apropriado



O grande incremento de consumo no mundo hoje se dá pelo crescimento do consumo de solúvel, mas infelizmente o Brasil não tem participado deste volume devido a impossibilidade de poder realizar o drawback em momentos de escassez como o que passamos neste momento e,desta forma, não atraimos investimentos de novas industrias. Com efeito de médio e longo prazo poderemos ter um deslocamento da curva de demanda para outros paises produtores.



O fato de não podermos realizar drawback faz com que investimentos não sejam realizados no Brasil, fazendo com que a nossa exportação de Conillon, a medida que a produção cresce, tenha como destino vários países produtores.



Cabe ainda destacar o alto custo de importação de matéria-prima no Brasil protegendo o produtor em momentos dificeis com o que estamos vivendo hoje.



A industria deveria pelo menos poder importar o produto Brasileiro que foi exportado, de forma a regular os preços internacionais e criando um teto para o aumento do preço no mercado interno, que chegou a ultrapassar o preços do café arábico.



Temos a certeza que deslocar produção para outros países não é interessante para nenhum setor de nossas cadeia produtiva.



Espero continuar contribuindo para melhorar a percepção dos produtores da necessidade de termos um setor mais dinâmico para geração de renda em nosso país e criação de um mercado de proteção a maiores produções que deveremos ter a partir de 2.018



At.



Roberto Ticoulat
JOSE EDUARDO FERREIRA DA SILVA

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS

EM 05/12/2016

Importar e exportar nunca devem passar por interferência do governo, exceto em relação à segurança sanitária. A questão fitossanitária é séria e deve ser alvo de controle para proteger os produtores nacionais.

No entanto, do ponto de vista econômico, esta discussão nem deveria ser tratada. Ao reduzir o debate ao embate produtores x indústrias o resultado é sempre inconclusivo. Mas isso não é economia. É protecionismo, intervencionismo ou qualquer "ismo".

E o consumidor? e a competição que leva a melhoria da eficiência? E os interesses individuais?

Importar ou exportar fazem parte das estratégias das empresas, cooperativas, produtores e outros agentes econômicos. A riqueza de uma nação, já dizia Adam Smith, deriva da liberdade de escolha e a autodefesa dos interesses de cada ator econômico deve ser isenta de intervenção governamental.

Então, por que ainda travamos essa discussão?
AYLTON PIONA COUTINHO JUNIOR

JOÃO NEIVA - ESPÍRITO SANTO - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 04/12/2016

Bruno, façamos assim uma tentativa...

Que tal fazer a seguinte experiência:

Venha plantar café conillon no ES e viver desta renda! Venha ser produtor rural de pequeno porte (como somos em suma maioria). Venha recolher os impostos, pagar os funcionários, pagar as vezes para produzir...

Venha lutar com uma mão de obra escassa na colheita...Lutar com o clima, se adaptar as legislações ambientais, ser perseguido pelas entidades do governo (tal como se persegue bandidos - no tocamente a situação da seca pela qual ainda passamos, pois a situação ainda não se normalizou)..

Vivemos uma condição horrível! Sem produção anterior, sem vislumbrar um boa produção futura, ter que reconstruir o que se perdeu, e CADÊ CAPITAL PARA TAL? Se agora precisamos lutar para manter nossas famílias...estamos  todos no mesmo barco furado...Quando vislumbrávamos um possibilidade de ganho, agora vem novamente esta conversa de abrir o mercado para importar café...(produzido com muito menos custo que o nosso - por "N" fatores...)

Falar em experiência é bacana, venha e faça também esta experiência por alguns anos...

Assim depois, tire suas conclusões.

sds.,

Aylton Piona C. Junior

João Neiva-ES

Pós graduado em cafeicultura empresarial - UFLA.

MBA em gestão estragégica de negócios - USP.

Produtor Rural.
BRUNO VARELLA MIRANDA

SÃO PAULO - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 02/12/2016

Prezado Edivan,



Agradeço o comentário. Acho que o primeiro passo para encontrarmos uma resposta para desafios complexos é promovermos uma conversa franca. Sempre me pergunto o seguinte: estamos diante de um tema em que as posições da indústria e dos produtores é necessariamente divergente? Qual seria o ponto de convergência possível?



Convido os(as) leitores(as) a deixarem sua opinião sobre o texto ou sobre as perguntas acima.   



Atenciosamente



Bruno V. Miranda
EDIVAN F. MORGAN

VILA VALÉRIO - ESPÍRITO SANTO - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 02/12/2016

Prezado Bruno Varella,

     Todo este discurso em relação a valor agregado, competição internacional, etc, é justo;

só não consigo entender por que não houve desenvolvimento desse setor (solúvel) nos últimos anos se a produção brasileira sempre foi acima da demanda, O conilon sempre foi barato aqui no Brasil! Há bem pouco tempo o valor da saca estava abaixo do custo de produção, todos os produtores se ferrando as indústrias sentando a púa e os produtores pedindo pelo amor de Deus pelo menos um precinho mínimo. E o que conseguimos? Quebradeira, descapitalização, mudança de cultivos e por queda de produção. Tristeza pouca é bobagem, ficamos 3 anos com chuvas irregulares; agora criou-se essa celeuma toda para importar café. Conclusão disso tudo: O problema então não é falta de café, é incompetência mesmo. A importação só resolveria o problema das indústrias a curto prazo, diminuindo o prejuízo e para terminar: pimenta nos olhos dos outros é refresco! (dito popular).