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Haja coração!

O ano de 2016 começa com más notícias para o Brasil. Do outro lado do planeta, a economia chinesa dá mostras de desaquecimento, afetando negativamente o preço de diversas matérias-primas. O petróleo segue em seu calvário, levando consigo inúmeras empresas e erodindo um pouco mais o buraco em que a Petrobrás se encontra. Na Europa, a crise dos refugiados e a complexidade inerente à administração do ambicioso projeto de integração ali estabelecido oferecem um prato cheio que tonifica o discurso de grupos defensores de reformas na União Europeia. De esquerda ou de direita, o chauvinismo pode afetar as relações comerciais entre o bloco e o resto do mundo. Ainda no Hemisfério Norte, o início de um novo ciclo eleitoral nos Estados Unidos despeja uma série de dúvidas. Ainda que Donald Trump não obtenha o direito de disputar as eleições à presidência, seus milhões de seguidores lançam uma mensagem perturbadora ao establishment político: revisem a relação da economia estadunidense com o mundo!

Foto ilustrativa: Érico Hiller/ Café Editora
Foto ilustrativa: Érico Hiller/ Café Editora


A pior notícia para o Brasil, porém, vem do interior de suas fronteiras. Após um ano de severa crise econômica e política, tudo indica que em 2016 teremos mais do mesmo. Historicamente, o costume tem sido o de culpar turbulências externas por nossos infortúnios: México, Coreia do Sul, Estados Unidos... A situação atual guarda uma novidade. Conforme sugerido recentemente pelos burocratas do Fundo Monetário Internacional (FMI), somos um dos epicentros do pandemônio. Pior, deveremos ocupar a mesma posição por algum tempo antes da chegada de tempos melhores. Acreditem, eles chegarão, não pela competência de nossos governantes, mas porque momentos de depressão oferecem inúmeras oportunidades de negócio para os "mais fortes", mesmo que isso signifique maior desigualdade no longo prazo. Apenas para citar um exemplo específico, a queda dos preços das ações na Bolsa de São Paulo não durará para sempre. Feliz de quem tiver recursos para, chegado o momento, aproveitar a retomada.

À maioria da população brasileira, restará esperar a dissipação das nuvens para juntar os cacos e seguir em frente no país que emergirá ao fim da crise em curso. O ano de 2016 será decisivo para moldar esse futuro, seja na esfera política, seja na econômica. Haverá mudanças drásticas na correlação de forças atuantes em Brasília? Serão capazes as grandes empresas alvejadas por denúncias de corrupção capazes de suportar um cenário semelhante por muito mais tempo? De que forma serão afetadas as complexas cadeias de suprimento acopladas a cada um dos nós sob suspeita? Ao final da turbulência, seremos um país ainda mais desigual? Quantos milhares de cérebros perderemos para outras sociedades? Infelizmente, a maioria das perguntas inspiradas pelo atual cenário extravasa o pessimismo reinante no Brasil atual.

Pior que o pessimismo, apenas a confusão prevalecente. Afinal, poucas coisas têm sido mais maltratadas no Brasil de hoje do que a palavra "credibilidade". Às vezes ridicularizada pelo discurso labiríntico, Dilma Rousseff peca tanto pela imprecisão quanto pela oscilação. Tamanha dificuldade em determinar um rumo talvez explique o generalizado pessimismo. Nesse início de 2016, inexiste um grupo confiante na capacidade de o governo levar adiante uma agenda que promova seus interesses. Da extrema esquerda ao conservadorismo de sempre, todos andam temendo o pior. E, quem sabe, com razão! Na tentativa de evitar o impeachment e acalmar os "mercados" ao mesmo tempo, a presidente tem alimentado uma volatilidade considerável em ambas as frentes. De fato, por momentos os movimentos em Brasília parecem mais imprevisíveis do que os típicos gráficos gerados pelo mercado financeiro.

O irônico de toda essa história é que desde 2010 sabíamos que a história poderia acabar mal. Outrora elogiada como uma gerente competente, Dilma Rousseff falha justamente por ocupar uma posição em que, mais do que a habilidade de administrar, o que leva ao êxito é a capacidade de liderar. Para os afazeres diários, funcionários de carreira com uma formação adequada bastam. No entanto, para a criação de um relato minimamente coerente faz-se necessário um "algo mais", apenas possuído pelos grandes estadistas. A complexidade de qualquer país impossibilita o êxito de qualquer presidente que se venda como "gerente", pelo simples fato de que nem o melhor deles seria capaz de processar tamanho volume de informação. Pior, paralisa o Estado e proporciona a proliferação de falhas de governo.

Ao longo de 2016, teremos a oportunidade de observar os próximos passos dessa complexa história. Embora sinalize uma "retomada", a presidente Dilma Rousseff terá que oferecer uma nova versão de si caso queira contribuir para a superação da atual crise. Caso sua intenção seja aprofundar a abordagem da "gerente", seguirá enxugando gelo em meio ao dilúvio. É bem verdade, existe a possibilidade de que esse tal relato minimamente coerente inexista no Palácio do Planalto. As evidências colhidas em 2015 reforçam tal hipótese. Nesse caso, dependeremos de boas notícias do exterior para ganhar algum oxigênio. Não precisamos voltar mais do que alguns parágrafos no tempo, porém, para vermos que o alívio dificilmente virá de fora. Em resumo, o ano que começa promete fortes emoções. 

BRUNO VARELLA MIRANDA

Professor Assistente do Insper e Doutor em Economia Aplicada pela Universidade de Missouri

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NISIO JOSE SOARES

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS

EM 01/02/2016

O Brasil foi a última colonizacao a acabar com a escravatura, mas ainda tem muita gente que teima em não aceitar este fato. Hoje no mundo 62 pessoas tem posse de 50% da riqueza mundial, enquanto os outros 50% fica com 3,5 bilhões de pessoas. A crise atual e a crise do Capitalismo  com excesso de producao (veja o caso do petróleo, minério, produtos manufaturados e até do açúcar e café) ao lado do crescente desemprego pelo avanço da tecnologia. Nos Estados Unidos, a população de míseraveis e sem teto cresceram absurdamente a partir da crise de 2008 e assim aconteceu nas principais economias mundiais, as quais também estão com monstruosas dívidas e crescentes déficits. A China hoje tem um parque siderúrgico com capacidade pra abastecer mais que o planeta consome. Assistimos também que os governos não governam, uma vez que o protagonismo passou para o chamado deus mercado, que movimentam diariamente trilhões de dólares na grobalizacao dos mercados. Assim caminhamos na marcha da insensatez sem prumo e rumo, vivendo na complexidade e na contradicao da economia, onde temos fartura e desemprego crescente.






CLAUDIO FERRI

VARGINHA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 31/01/2016

  O Brasil do PT e a Rússia do Putin,  sairam do grupo de países potenciais (BRICS), agora é TICKS, lamentável!

  Eu gostaria de ver os professores das  Universidades Públicas defendendo o livre mercado, o empreendedorismo, o incentivo para quem quer trabalhar e crescer, a desburocratização,  uma melhora no nível do ensino fundamental, um Estado enxuto, as privatizações tão necessárias.  Essa mudança atingiria justamente os jovens que 'pensam' e teoricamente participarão da administração do país.  

  Como bem disse nosso colega José Hess, o Brasil do amanhã está nas mãos dos jovens, porém, parece-me que uma parte está fortemente influenciada pelas idéias de esquerda que não leva a NADA.
ESTEVAO

GUAÇUÍ - ESPÍRITO SANTO - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 30/01/2016

Viu vcs foram votar na imconpetencia do pt
JOSE ALBERTO BOSSOLANE

NUPORANGA - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 29/01/2016

Falar é fácil! Mesmo não entendendo de política nem de economia, acho que o que está faltando é PATRIOTISMO por parte de todos EDUCAÇÃO MORAL E CÍVICA, para que o Brasil do futuro seja melhor.Não devemos copiar os EUA, pois o mundo não suportaria dois EUAs, ou suportaria?Na minha opinião, os EUA são como a casa do amigo rico, lá tem de tudo, comida boa, piscina, carrões, gente bonita etc...mas não é nossa.Seja sincero, jamais seremos como eles, no dia em que estivermos no nível deles, a NASA já terá descoberto e colonizado outro planeta, contudo não devemos desanimar e continuar lutando para melhorar nossa casa, O BRASIL.   
JOSÉ HESS

CURITIBA - PARANÁ

EM 29/01/2016

Os custos já estão considerados com o governo atual quebrando o Brasil nada mais que se fizer terá tantos custos quanto o que eles estão nos causando. A época agora dizem do debate  eu sou da gestão faça e cumpra-se, se for esperarmos por debates vamos ficar mais mil anos. O Brasil não pode esperar mais. Olha as maiores obras do Brasil exemplo de Itaipu, veja se seria possível construí-la agora? Muito debate, muito leigo dando palpite, muita ingerência externa, até o próximo século não teríamos concluído a obra. E veja que obra sem licitação, sem desvios, sem corrupção sem ambientalista enchendo o saco e índios se achando o dono de tudo. Essa é a diferença. Você mora e estuda nos EUA, veja se existe estas besteiras por lá, compare . Eu morei quatro anos lá e sei do que estou falando. Veja a ação das leis e a força da engenharia nos EUA e aqui é o paraíso das leis tudo para não se fazer nada. E veja estou tentando mudar o país para os jovens, pois o meu eu e minha faixa etária já fizemos. Está nas mãos dos jovens o Brasil de amanhã, que sinto que vai ser só debate e muito protesto mas desenvolvimento que é bom, NADA.
BRUNO VARELLA MIRANDA

SÃO PAULO - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 29/01/2016

Prezado José Roberto,



Obrigado pelo comentário. Concordo plenamente contigo: temos que pensar mais! Indo além, temos que debater mais, o que torna fundamental este e qualquer outro espaço em que pessoas estejam dispostas a debater suas ideias.



Aproveito o comentário para fazer um convite a todos que queiram se juntar à conversa.



Feliz ano novo!



Bruno
BRUNO VARELLA MIRANDA

SÃO PAULO - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 29/01/2016

Prezado José Hess,



Agradeço a leitura atenta e o comentário deixado. São várias as questões abordadas em seu texto, mas gostaria de focar em duas:



(i) Recomeçar do "zero" traria custos consideráveis para o país. Instabilidade institucional costuma custar caro para qualquer sociedade. Para citar o exemplo dos Estados Unidos, sua constituição existe há séculos. Minha visão é a de que, em grande medida, o problema do Brasil não é tanto sua lei fundamental, mas o "jeitinho" que distorce o sistema de incentivos do país;



(ii) A mudança cultural independe do presidente que nos lidere, dado que ele é resultado da eleição de milhões de pessoas. Ou seja, ele representa as preferências - equivocadas, corretas, isso dependerá do intérprete - de uma dada maioria. Concordo que há muito a ser mudado no Brasil, e também acho que a sua população poderia dar um passo adiante e lutar pela transformação de uma série de práticas. Isso não ocorrerá, porém, de "Brasília para baixo", mas em cada rua, bairro e município do país. Partindo daí, talvez consigamos oferecer algo novo que fatalmente terminará influenciando os rumos no topo.



Feliz ano novo!



Bruno
JOSÉ ROBERTO AMARAL VIEIRA

SÃO PEDRO - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 29/01/2016

Concordo, o Brasil tem a obrigação de se reinventar! Durante 516 anos ocilamos entre um País fracassado e um País do futuro. Chegamos a beira de uma decolagem, o pais estava crescendo sólidamente no final do governo FHC, mas infelizmente nos ultimos 13 anos regredimos 50, errando novamente na escolha politica! A incompetência  se apoderou do Brasil! Pobre da nossa agricultura que sempre segurou as pontas e alimentou muito bem os brasileiros. Pobre em razão de ser tão pouco prestigiada pelo governo! Temos sim , todos os brasileiros a obrigação de reinventar este país, temos que pensar mais, e achar uma saída para este país!!!
JOSÉ HESS

CURITIBA - PARANÁ

EM 29/01/2016

Bom dia, a todos. Com todo respeito entre os doutores. Mas os que tem experiência nos meus 65 anos e com uma visão global e histórica de Brasil e mundo, tenho que expor meu ponto de vista. O FMI não tem burocratas pois não contém em suas nomeações políticos de esquerda como no Brasil, onde os técnicos e experientes são trocados pelos filiados do governo. Quanto a competência da Dilma, meu Deus, até os mais próximos do partido dela sabiam que ela era incompetente, mas a estratégia era apenas alguém que segurasse a vaga para o chefe voltar, e se fosse competente poderia ser que o chefe perdesse a cadeira. Quanto a questão de oportunidades para os mais fortes, é conversa de socialista comunista, pois o modelo que devemos copiar é o dos EUA, que todos criticam e vivem estudando por lá. O Brasil é o irmão gêmeo dos EUA ele é o quarto maior do mundo em extenso nós somos o quinto. eles começaram colonizados em 1492 e nós em 1500, tem estados e várias raças como nós, mais a sua maioria é de mais fortes e eles se orgulham disso, e nós ainda não nos percebemos disso, e sempre gostamos de ser pequenos e pobres, socialistas e levar tudo na alegria do carnaval, futebol e novelas.   O famoso jeitinho impera em tudo. Um pais que é o maior produtor de café do mundo e seu governo insiste em importar café da África e outros para beneficiar alguns. Somos um dos maiores produtores de cacau e a Suíça é a maior no chocolate, vocês acham que se fôssemos americanos isso estaria acontecendo? Isso que temos de mudar é algo cultural e exige um presidente com essa visão de reconhecer o Brasil como uma potencia, e exigir o respeito de todos. Precisamos um gerente firme e com uma  uma estratégia de sermos um povo líder, rico e forte, grande exportador e produtor, e não comparar-nos com alguma ilhota do caribe com viés politico de ditadura da esquerda, um lugar falido e controlado por uma família e os daqui acham mil maravilhas, pois o que ele pensam é apenas ficar no PODER. A questão de Brasil é complexa demais exige que o país recomece do zero, incluindo sua constituinte.