FAZER LOGIN COM O FACEBOOK ESQUECI MINHA SENHA SOU UM NOVO USUÁRIO

Drawback: um dilema em números

POR SYLVIA SAES

E BRUNO VARELLA MIRANDA

BRUNO VARELLA MIRANDA

EM 31/05/2010

10
0
Nossos últimos dois artigos discutiram a questão do drawback e sua conveniência para a sociedade brasileira. Prática voltada a garantir uma melhor inserção das empresas no mercado internacional, já faz parte do cotidiano de diversos setores econômicos da nação e, no caso do café, é usado por muitos concorrentes.

Como não poderia deixar de ser, um consenso parece distante. Ao menos é notório o potencial para um debate maduro, capaz de pesar os prós e contras dessa iniciativa. Acreditamos que os principais argumentos pertinentes ao debate já foram apresentados, tanto em nossos textos quanto nas contribuições dos leitores.

Provavelmente voltaremos a discutir o tema no futuro. Seja por seu caráter polêmico, seja por sua importância para um elo do setor cafeeiro nacional, é impossível ignorar o drawback. Antes de partir para um novo tema, porém, gostaríamos de apresentar alguns números que demonstram de forma sintética a urgência de uma ação.

Comecemos por um dado importante: a participação brasileira no mercado internacional de café solúvel.

- Em 2005 o Brasil exportou 4.010.000 sacas de café solúvel. Em 2009, as exportações foram de 2.808.800 sacas.
- Entre 2005 e 2009, a participação brasileira no mercado mundial de café solúvel caiu de 14% para 9%.
- No mesmo período, o mercado mundial cresceu cerca de 6%.

Não é necessário ir muito além para constatarmos que a indústria brasileira de café solúvel perdeu terreno na última década. Afinal, não apenas perdemos a oportunidade de acompanhar o crescimento do mercado mundial como outros países abocanharam uma parcela que nos pertencia. Trata-se, portanto, do pior dos mundos.

De onde vem o café solúvel que ocupou parte da participação brasileira? Uma rápida observação nos dados referentes à expansão da indústria ao redor do mundo parece fornecer a resposta.

- Quinze países ganharam novas fábricas de café solúvel nos últimos tempos, alguns deles mercados importantes para o produto brasileiro, como a Rússia.
- Outros países, como o Equador e a Índia, beneficiam-se do regime de drawback a fim de processar quantidades crescentes de café e reexportarem para outros países.

A instalação de novas fábricas em um número crescente de países reflete, em primeiro lugar, o "efeito Vietnã": matéria-prima extremamente competitiva disponível no mercado. Além disso, obedece a incentivos concedidos por governos, como no caso do Equador e da Índia. Finalmente, responde a facilidades logísticas, sempre consideradas pelas empresas transnacionais em suas decisões de investimento.

Em resumo, temos um problema grave a ser enfrentado. Para aqueles que enxergam o drawback como uma ameaça, é fundamental salientarmos que a situação atual oferece razões suficientes para preocupação. Antes mesmo de autorizarmos a prática, já são inúmeros os pontos que merecem atenção: a sobrevivência da nossa indústria, a competitividade da produção brasileira de café robusta, a reação diante da estratégia empregada pelos concorrentes. O que se espera, no futuro, é uma decisão voltada para o mercado, e não para o mero assistencialismo governamental.

Leia mais sobre o assunto:

Camex cria grupo de trabalho para avaliar drawback

Ticoulat defende internacionalização de comercialização

Olha o drawback aí de novo...

Drawback: Isso ainda vai dar muito o que falar

Sylvia Saes: o produtor precisa unir tecnologia e qualidade

Renato Fernandes sugere estratégias para o drawback

SYLVIA SAES

Professora do Departamento de Administração da USP e coordenadora do Center for Organization Studies (CORS)

BRUNO VARELLA MIRANDA

Professor Assistente do Insper e Doutor em Economia Aplicada pela Universidade de Missouri

10

DEIXE SUA OPINIÃO SOBRE ESSE ARTIGO! SEGUIR COMENTÁRIOS

5000 caracteres restantes
ANEXAR IMAGEM
ANEXAR IMAGEM

Selecione a imagem

INSERIR VÍDEO
INSERIR VÍDEO

Copie o endereço (URL) do vídeo, direto da barra de endereços de seu navegador, e cole-a abaixo:

Todos os comentários são moderados pela equipe CaféPoint, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração. Obrigado.

SEU COMENTÁRIO FOI ENVIADO COM SUCESSO!

Você pode fazer mais comentários se desejar. Eles serão publicados após a analise da nossa equipe.

RENATO H. FERNANDES

TEIXEIRA DE FREITAS - BAHIA - COMÉRCIO DE CAFÉ (B2B)

EM 10/06/2010

Caros Sylvia e Bruno,

Em primeiro lugar, dou-lhes os parabéns por reacender a discussão.

Os números começam a aparecer, no seu artigo, nas colocações de Roberto...

Tomara que o tal grupo da Camex discuta mesmo a questão e a coloque em bases concretas, não em banho-maria.

Já se perdeu muito tempo sem evolução no tema. Quanto dos possíveis efeitos positivos do drawback não estariam já maduros se o processo tivesse avançado desde seu início, em 2005/06? Quem sabe até a atual situação de preços do conilon fosse diferente, ou não?

Abraços,

Renato
CARLOS ALBERTO DE CARVALHO COSTA

MUQUI - ESPÍRITO SANTO - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 02/06/2010

Os grupos que estão brigando pelo Drawback aqui no nosso estado,Espirito Santo, são os mesmos que estão no comando da Operação BROCA. Dra. Maria Sylvia e Dr. Bruno Varella o que seria de nós simples mortais produtores, se esta operação fosse autorizada?

Carlos Alberto/produtor de conilon


Obs: Os senhores já procuraram saber sobre a operação Patrícia?
WAGNER PIMENTEL

MANHUAÇU - MINAS GERAIS - TRADER

EM 02/06/2010

Prezado , Bruno
Nao escondo que sou radicalmente contra o drawback e acredito que as divergencias sao salutares como tambem o debate .
Um dos motivos de ser contra é que nao conseguiremos ter uma barreira fitossanitaria a altura para nos defender, onde no passado importamos doenças a muito conhecidas pelos cafeiculturos como a Broca e a ferrugem , doenças estas que nao existia em nosso territorio, e que poderemos importar do Vietnan de onde se quer trazer cafe para ser industrializado no Brasil, a intençao nao seria de importar cafes mais caros pois este o temos a preços mais baratos haja visto o mercado dos cafes dos paises centrais e os preços dos nossos cafes.
A importaçao de uma doença destas traria prejuizos imensuraveis e esta conta ficaria para o produtor brasileiro como no caso da broca e da ferrugem enquanto o governo nao faria nada neste sentido e a industria colocaria seu lucro no bolso e ficaria rindo do produtor brasileiro.
Quanto a polemica dos numeros vamos a eles.
Os senhores que sao pesquisadores se fizer uma media simples das exportaçoes dos cafes soluveis e separar estas exportaçoes por decadas uma começando em em 1.990 e terminando em 1.999a outra decada começando em 2.000 e terminando em 2.009 voces que sao pesquisadores chegarao a uma conclusao que nossa participaçao no mercado esta amentando ao inves de estar diminuindo como voces referem no artigo postado.
O ano de 2.005 em especial houve uma negociaçao por parte de algumas empresas brasileiras de exportaçao , que nao acho necessario expo las, que conseguiu uma negociaçao grande com a Russia e apos o termino do contrato as partes prefiriram nao refaze-lo.
A colocaçao de voces de um ano especifico nao me parece ser o mais correto de se fazer ainda mais em se tratar de pesquisadores que deveriam estar trabalhando com medias simples pelo menos como fonte de dados para nao aprofundar muito o debate.
atenciosamente
Wagner Pimentel
HUMBERTO SOARES

AIMORÉS - MINAS GERAIS - ESTUDANTE

EM 02/06/2010

Dados utilizados em minha informação de 20 anos de exportação de solúvel : MDIC(Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior), MAPA(Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) e CECAFÉ(Conselho dos Exportadores de Café do Brasil) de 06 de maio de 2010(que já repetiam os mesmos dados na publicação de abril de 2010 e também de março de 2010, fevereiro de 2010 e anteriores e bem anteriores).
Quanto aos dados declarados por vocês, informando que obtiveram da empresa de consultoria "J. Ganes Consulting LLC" de propriedade da senhora Judith Ganes, posso lhe informar que foram retirados de um "Exercício estimativo", que se fez na "época" sobre exportação de café solúvel. Se o seu estudo é de maio/2010 e esta baseado em "Exercício estimativo" de 2005 e não em dado consolidado consistente, é fato que no mínimo para desarmar totalmente os espíritos, vocês foram imprudentes em sua coleta de dados.
Vocês utilizaram o maior volume de exportação de café solúvel de um "Exercício estimativo antigo", para se contrapor aos dados mais recentes de fontes "Oficiais brasileiras" e "organização brasileira" consistentes. Em 20 anos de dados vocês utilizaram por pura coincidência aleatória a maior quantidade exportada no período, método utilizado no mínimo para novamente desarmar totalmente os espíritos estranho, imprudente e não cientifico. As diferenças que na opinião de vocês não alteram o estudo, não estão de acordo com as regras cientificas o que outra vez para desarmar os espíritos é estranho devido ao conhecimento dos professores/pesquisadores sobre os
temas: "Estatística", "Desvio Padrão" e "Matemática".
A respeito da insinuação da encomenda, ela em minha primeira conclusão o era, agora em vista do exposto por vocês não mais tenho duvida infelizmente, pois com o conhecimento de vocês e com o tempo disponível para dedicação ao tema isso não é mais uma mera desconfiança é uma certeza.
A Tentativa de formar opinião positiva na implantação do drawback, não pode ser fabricada utilizando-se métodos não científicos por pesquisadores de nome como vocês, se este artigo tivesse sido escrito por mim um mero aprendiz não me causaria espanto algum, mas por vocês, desculpe, é inaceitável.
O Drawback do café para solúvel e torrado/moído é prementemente necessário para o Brasil já passou da hora, pois já perdemos inúmeras plantas industriais nos ultimos anos para o México, Rússia, países do Leste Europeu e Vietnam, alem de inegavelmente agregar valor e gerar empregos, é um fator consolidador de nosso parque cafeeiro de Conilon, permitindo perspectiva de crescimento futuro sem causar problemas econômicos para o cafeicultor.
O cafeicultor tem que SABER que o consumidor brasileiro tem a sua disposição cafés de diversas origens "industrializado", entram aqui atrás do nosso mercado interno, proíba então a importação de café industrializado, este sim extremamente nocivo quando não temos a contrapartida de importar o café in natura para aqui ser industrializado e em iguais condições ir buscar outros mercados consumidores.

Humberto Soares - estudante brasileiro
BRUNO VARELLA MIRANDA

SÃO PAULO - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 01/06/2010

Prezado Humberto,

Agradecemos o comentário. Em relação ao depoimento, é importante frisar:

1) Nossa coluna no CaféPoint constitui um espaço para o debate entre os leitores, e não para a defesa de segmentos específicos da cadeia. No geral, não acreditamos na existência de verdades absolutas, tampouco que nossas posições são as melhores existentes. Logo, no plano das idéias, nossos argumentos são plenamente refutáveis, especialmente quando isso é feito com idéias.

2) Você usa a expressão "dados oficiais", o que não equivale a "dado exato". Quando falamos sobre estatísticas cafeeiras, a discrepância entre cada fonte utilizada pode ser considerável! Vale comparar, por exemplo, os dados históricos apresentados pelo IBGE e Conab , pela FAO e OIC. Os dados de exportação brasileira, embora sejam relativamente mais consistentes quando comparados com os de outros países, podem variar dependendo do momento da publicação.

3) Isso nos leva a uma observação: mais importante que a exatidão do dado é o seu comportamento. De fato, entre as duas fontes, os números não batem para o ano de 2005. Isso, porém, não modifica a tendência, que fornece a base do argumento: o mercado mundial de café solúvel está crescendo, enquanto a participação brasileira não tem acompanhado esse ritmo.

4) Você não cita qual é a sua fonte. O dado usado em nosso texto foi retirado de um estudo da Consultoria J. Ganes. Má fé ocorreria caso os dados tivessem sido inventados ou distorcidos de propósito. Não é o caso.

5) Nossa defesa do drawback não se baseia em argumentos pró-indústria, e sim em uma interpretação das tendências do mercado internacional de café. Caso tenha lido outros artigos sobre o mesmo tema verá que, em nossa opinião, quem mais perde com o eventual desmantelamento da indústria é o produtor, que terá uma opção a menos para comercializar o seu café. Sendo assim, nos parece injusta a insinuação de que o artigo é encomendado, ainda mais quando se tem em conta nosso histórico de publicações nesse mesmo espaço.

6) Críticas são sempre bem-vindas, especialmente quando centradas no texto. Acusações contra a trajetória dos colunistas não contribui para a resolução de dilema algum da cafeicultura.

Atenciosamente,
CARLOS ALBERTO DE CARVALHO COSTA

MUQUI - ESPÍRITO SANTO - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 01/06/2010

Pela nossa tecnologia em produzir conilon aqui no Espirito Santo, em um prazo máximo de 4 anos, poderemos com uma pequena ajuda do Governo e um pouco de boa vontade de todos os senhores, dobrarmos a nossa produção, inclusive até superarmos o proprio Vietnã. Desculpe-me pergunta-los, os senhores trabalham ou prestaram algum serviço para a ABICS, pois para mim e os outros produtores que irão produzir mais de 10 milhões de sacas de robusta este ano, Drawback já é um assunto morto e fora do tempo.
Carlos Alberto



Em tempo: procurem se informarem sobre algo que na época foi denominado de operação PATRÍCIA.
ARTUR QUEIROZ DE SOUSA

CAMBUQUIRA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 01/06/2010

Sylvia, parabéns pelo seu artigo. Contudo, permita-me discordar de que estejamos falando de drawback de 600.000 sacas. Estamos falando do risco de que o Ministéria da Agricultura, estaria nos colocando, nós produtores, da entrada de doenças e pragas de outros países, nossos concorrentes. Estamos falando de uma perda de mercado em função de cambio, e ineficiência e falta de investimentos na industria de solúvel. Sinto que estão querendo que o produtores paguem a conta e o risco de uma industria pouco eficiente.
WAGNER PIMENTEL

MANHUAÇU - MINAS GERAIS - TRADER

EM 01/06/2010

preazada mestre silvia,
eu a admiro pelo seu trabalho ,mas gostaria que a professora revisasse os numeros ,pois nao gostaria de postar os numeros oficias que tenho a minha disposiçao.
A minha divergencia continua ,pois para mim o drawback continua sendo um downcafeicultura.
Nao temos a mesma ideia sobre o assunto pois eu nao fico em uma sala com ar condicionado olhando a numeros.
A cafeicultura nao pode ser apunhalada pelo governo e seus participantes que nao tem a realidade de viver do agronegocio
ROBERTO TICOULAT

SÃO PAULO - SÃO PAULO

EM 31/05/2010

Sylvia,

Mais uma vez parabéns pelas suas colocações.

O incrível de toda esta discussão é que estamos falando de drawback de 600.000 sacas no máximo, fora do período da safra, correspondente a menos de 1.2% safra nacional, ou menos de 5% da safra de Conilon.

Não estararíamos falando de muito pouco risco para podermos aferir os resultados que esta abertura poderia trazer de benefícios à toda a cadeia ?

Roberto Ticoulat
HUMBERTO SOARES

AIMORÉS - MINAS GERAIS - ESTUDANTE

EM 31/05/2010

Estes são os números oficiais de exportação de solúvel brasileiro de 1990 até abril de 2010.
1990 2.415.548
1991 1.569.222
1992 2.399.114
1993 2.700.101
1994 2.690.558
1995 2.614.661
1996 2.518.395
1997 2.333.874
1998 1.661.836
1999 1.960.691
2000 2.066.216
2001 2.493.891
2002 2.546.537
2003 2.847.626
2004 3.183.957
2005 3.525.168
2006 2.963.664
2007 3.372.845
2008 3.364.931
2009 2.881.003
2010 991.425(até abril)

Sem entrar no mérito da questão, sou até a favor do drawback, mas fico chateado quando vejo uma professora de um departamento da mais prestigiada universidade brasileira e pesquisadora do PENSA, que é paga com o dinheiro publico e fica o tempo todo por conta de pesquisar e arranjar soluções que melhorem a vida do conjunto da sociedade brasileira, utilizar-se de dados incorretos. Isso me da o direito de pensar infelizmente que o pais talvez tenha um corpo de pesquisadores despreparados ou pior ainda fazendo pesquisa encomendada para atender interesses de determinados setores. Se isso acontece na USP é de entristecer e me faz lembrar o baixo nível cientifico brasileiro quando fazemos as contas dos royalties recebidos pela capacidade inventiva de nossos pesquisadores versus a quantidade de recursos aplicado.

Humberto Soares - estudante