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Drawback: Isso ainda vai dar muito o que falar

POR SYLVIA SAES

E BRUNO VARELLA MIRANDA

BRUNO VARELLA MIRANDA

EM 14/05/2010

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Tema polêmico, a autorização do drawback para o café segue longe de um consenso. Com tamanha diferença entre os pontos de vista, nada melhor do que comentar cada uma das opiniões que chegaram até nós na última quinzena. Dessa forma, pretendemos contribuir para a estruturação de um debate, expressando também aquilo que acreditamos estar em jogo no momento.

Relações Indústria X Produtores

Gostaríamos de iniciar com algo que consideramos óbvio, mas que talvez gere discordâncias: a indústria e os produtores não são inimigos íntimos, sendo necessário que ambos os elos estejam bem para que o setor prospere. Evidentemente, há questões que merecem melhor debate, como, por exemplo, possibilidades de maior apropriação de valor por parte dos cafeicultores. Tais pontos, no entanto, deverão ser resolvidos com diálogo, e não com a criação de um clima de animosidade, conforme ressalta Roberto Ticoulat.

Mais especificamente, se a indústria de café solúvel defende o drawback, não é porque se desinteresse pelo futuro dos cafeicultores brasileiros; pelo contrário, o que a preocupa é sua competitividade no mercado mundial. Nesse sentido, ambos os elos compartilham o temor de que, em um futuro próximo, sua posição possa estar ameaçada.

Conforme dissemos em nosso último artigo, pior do que chorar as sacas importadas seria lamentar o encolhimento de nossa indústria de café solúvel. No longo prazo, perderiam os acionistas dessas empresas, por motivos óbvios, e os produtores, que teriam uma opção a menos para comercializar o seu café. Portanto, um pouco de compreensão no momento talvez seja a melhor saída para todos.

Custos X Drawback

Nesse tópico, pedimos licença para usar um exemplo exposto na carta de um leitor, publicada em nosso último artigo. O depoimento do produtor Carlos Alberto de Carvalho Costa é fundamental, pois demonstra a delicada situação de milhares de cafeicultores brasileiros. Tal condição, entretanto, precede a autorização do drawback para o café, o que nos leva a seguinte conclusão: a sobrevivência desses produtores independe da importação de café.

Em outras palavras, havendo ou não drawback, temos um problema grave, que é a existência de milhares de produtores cujos custos são superiores ao preço de mercado do café. A fim de resolver essa situação, é vital: (i) determinar o porquê isso ocorre em cada caso; (ii) corrigir as falhas daqueles que poderiam ser mais competitivos; (iii) decidir se, do ponto de vista social, é conveniente manter no mercado os produtores que não se enquadram nas exigências contemporâneas.

É sempre bom deixar claro que, especialmente no caso "iii", a decisão não deve ser baseada em critérios estritamente econômicos. O que se espera, porém, é alguma coerência nas políticas públicas, além de uma contrapartida social equivalente aos seus gastos.

Qual o preço de abrirmos o mercado dos outros?

A luta pela redução das tarifas de importação aplicadas ao café solúvel brasileiro envolve um complexo jogo de concessões recíprocas. É improvável que consigamos aquilo que desejamos sem dar nada em troca. Igualmente, eventuais sacrifícios em um setor podem beneficiar outros segmentos de nossa economia. Daí a razão pela qual é necessária a interação contínua entre os negociadores brasileiros e cada um dos grupos de interesse baseados em nosso país.

Conforme o leitor Ruy Barreto Filho bem lembra, a autorização do drawback pode abrir o mercado vietnamita a uma série de produtos brasileiros, beneficiando não apenas a indústria nacional como a sociedade. Dado que nosso país não se resume a uma única atividade econômica, tampouco possui um governo preso a segmentos específicos, esse dado merece entrar na conta.

Obviamente, a troca de concessões com o Vietnã não resolve o problema do protecionismo europeu. A concessão do drawback, no entanto, não está relacionada à resolução desse problema. Provavelmente, as barreiras na Europa seguirão por longo tempo ainda, afetando a competitividade de nossa indústria. Não oferecer ao setor os poucos benefícios viáveis no atual quadro só contribui para piorar as coisas.

SYLVIA SAES

Professora do Departamento de Administração da USP e coordenadora do Center for Organization Studies (CORS)

BRUNO VARELLA MIRANDA

Professor Assistente do Insper e Doutor em Economia Aplicada pela Universidade de Missouri

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LUIZ MARCOS SUPLICY HAFERS

SÃO PAULO - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 02/06/2010

A questão virou emoção. Mau terreno para a solução. Tenho sido a favor do drawback com todas as salvaguardas necessarias para que seja boa para a industria e não ruim para a lavoura. Os produtores estão desesperados ,com razão ,pela situação.
Ha uma serie de desacertos e ausencias do governo. Na Sociedade Rural Brasileira temos discutido e sugerido sem nenhum resultado. A lavoura então se desepera com supostas ameaças como o drawback.Não tem bala de prata mas uma primeira providencia seria um amplo financiamento ao café e não ao detentor. Warrant como garantia e quem tivesse café seria financiado , seja lavrador ,exportador torrador ou sonhador. Atrelado a opçao de venda/compra seria pequeno risco e aliviaria a terrivel fragilidade financeira de todo o setor.
Em assim sendo o drawback é uma questão de circunstancia para aumentar nossa venda de café com valor agregado e não uma ameça `a lavoura.A discussão deve ser no minimo educada. Acusar de quem discordamos de desonestidade ,seja ela intelectual ou financeira é falta de argumento.

Atenciosamente
Luiz Hafers
RENATO H. FERNANDES

TEIXEIRA DE FREITAS - BAHIA - COMÉRCIO DE CAFÉ (B2B)

EM 26/05/2010

Caro Roberto,

Nos relatório ao CIC a que tive acesso, não há explicitação de parâmetros e normas para drawback de café visando abastercer a indústria de solúvel. Talvez a discussão tenha existido mas, quem sabe por questões políticas, seu resultado não foi devidamente divulgado. Caso você tenha esse material, peço-lhe a gentileza de me enviar por e-mail.

Quanto à sugestão que fiz, o que pretendo é trazer a discussão para o plano concreto. Acredito que argumentos mais práticos, de ambas as partes, possam destravar o processo. Se o drawback é uma boa, que se mostre como, quando e em que quantidade. Se é ruim, que se quantifique o possível impacto negativo. Simples assim.

Forte abraço,

Renato
ROBERTO TICOULAT

SÃO PAULO - SÃO PAULO

EM 21/05/2010

Prezados amigos e leitores,

Tenho sempre defendido a internacionalização de nossas práticas de comercialização de forma a ampliarmos as oportunidades e procurarmos resolver os problemas que atingem todo o setor cafeeiro.

Especificamente, com relação ao drawback, e me permita corrigir o leitor mais acima que falou em importação de café, não existe impacto ao produtor, pois estamos falando em trazer um café ou que tenha preço mais competitivo no mercado exterior (mesmo agregando os altíssimos custos para trazê-los ao nosso país) ou qualidades que de alguma forma não estão sendo produzidas no Brasil, ou melhor, que ainda não foram descobertas as demandas para estes cafés afim de dar a oportunidade o nossos produtores de produzí-las no Brasil.

Tenho refletido muito sobre o aumento de demanda de cafés brasileiros, em substituição aos cafés produzidos na Colombia e América Central. Me recordo de insistir que o grande benefício da vinda do Starbucks ao Brasil seria a descoberta de nossos blends e de nossa capacidade de adaptação às necessidades de mercado. Hoje, além deles estarem comercializando cafés no Brasil, passaram a ser grandes compradores de nossos cafés, antes praticamente proibidos de serem utilizados em seus blends.

A demanda estimada para compras por parte da Starbucks este ano será de mais de 1 milhão de sacas de café brasileiro. Portanto nos internacionalizar somente poderá trazer grandes benefícios a todos os elos da cadeia. Cabe ressaltar que é café de qualidade superior e com prêmio. Basta dizer que se nosso produtor reclama dos nosos diferenciais na venda de arábico não lavado, poderiam facilmente estar vendendo cafés lavados brasileiros, hoje cotados de 2 a 5 centavos acima de NY.

Renato, no caso do drawback preconizado pelo solúvel o assunto já foi exaurido no CIC. A proposta é para importação de no máximo 20% das exportações do ano anterior, pagamento a vista e de café de boa qualidade.

O mais importante a ser destacado é que a indústria de soluvel exportou em 2.006 mais de 4.000 milhoes de sacos e hoje devido a todos os problemas este volume caiu para 2,8 milhoes, apesar do consumo mundial estar subindo 3% aa. Fica portanto evidende, como destacou o Bruno: a- o drawback não é responsável pela situação de nossa cafeicultura e b- não houve nenhum beneficio a nossos produtores com relação a perda de competitividade do setor de solúvel. Devido a crise do setor poderemos ter empresas fechando se nada for feito, ao contário do que está ocorrendo no resto do mundo, onde a comercialização entre produtores já atinge quase 5 milhoes de sacos/ano. Há anos atrás tinhamos 11 industrias no Brasil reduzidas a 7 hoje.

A maior ameaça aos nossos produtores hoje é a entrada de cafés importados prontos para consumo, que já atinge, segundo dados da ABIC, mais de 60 marcas distintas, muitas vezes de paladar inferior ao expresso produzido no Brasil mas que não param de prosperar.

Espero de alguma for poder ter colaborado.
WAGNER PIMENTEL

MANHUAÇU - MINAS GERAIS - TRADER

EM 17/05/2010

Prezado Bruno
Com certeza os problemass da cafeicultura nao tem nada a haver com o Drawback
já que os problemas existem eo drawback ainda é so um tema e nao uma realidade, concordo com isso, concordo tambem que uma grande parcela da culpa do endividamento da cafeicultura se deve pelo fato que as economias mundias estao vivendo uma epoca onde a alavancagem e a quantidade de credito e o mal uso deste credito é que fez esta divida, mas tambem concordo que o drawback nao trará nada para acrescentar para os produtores a nao ser a possibilidade da entrada de doenças que ainda nao existem em nossos cafezais
BRUNO VARELLA MIRANDA

SÃO PAULO - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 17/05/2010

Prezados leitores,

Agradecemos os comentários. Acho que os depoimentos refletem a natureza do debate que temos diante de nós:

1) Concordamos plenamente quando o Renato argumenta que um planejamento com base em cenários menos nebulosos é necessário. Há estudos isolados sobre aspectos relacionados ao tema, como artigo recente publicado pela prof. Sylvia Saes e pela prof. Marislei Nishijima, discutindo as barreiras enfrentadas pelo café solúvel ao redor do mundo.

Até pelo espaço reduzido, textos como os que publicamos no CaféPoint buscam mais propor temas para debates do que apresentar cenários aprofundados. Assim, nossa defesa do drawback se fundamenta, primeiramente, na necessidade de rompermos preconceitos e discutirmos o tema de forma madura e aprofundada.

2) Essa coluna se dedica a apontar, quinzenalmente, desafios e problemas para a cadeia do café. Obviamente, não dá pra discutir tudo em apenas um texto, mas muitos dos tópicos aqui citados como gargalos do setor foram aqui discutidos em outros textos. Assim, concordamos com a necessidade de revisão de uma série de pontos que poderiam tornar a atividade mais competitiva, no espírito da sugestão do Fernando.

3) Em relação ao depoimento do Carlos Alberto da Costa, não apenas sabemos da existência do café conilon como repetimos o argumento: nos preocupamos com o problema dos custos de produção tanto quando os cafeicultores. Tanto isso é verdade que defendemos que este tema receba olhar atento independente do desfecho de discussões sobre o drawback. Agora, o que não podemos é olhar para a cafeicultura como se ela fosse uma atividade isolada da sociedade, ou com uma visão simplista do mercado.

4) Respeitamos a opinião do Wagner Pimentel, mas acreditamos que contrapor o drawback à cafeicultura nacional não ajuda em nada o setor. É sempre bom lembrar: a maioria dos problemas enfrentados pela cafeicultura na atualidade não têm relação com o drawback, de modo que este é um péssimo "bode expiatório". Mais produtivo seria discutirmos soluções globais, contando com a participação e a colaboração de cada um dos elos da cadeia: tal passo seria o reconhecimento de que boa parte dos desafios enfrentados pela cafeicultura são sistêmicos.

Abraços,

Bruno Miranda
CARLOS ALBERTO DE CARVALHO COSTA

MUQUI - ESPÍRITO SANTO - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 15/05/2010

Para elucidar melhor sobre os custos de produção do conilon, em 2008 a SOBER no XLVI Congresso Brasileiro de Economia, Administração e Sociologia Rural fez uma excelente apresentação de pesquisa feita sobre a produtividade dos cafés arábica e conilon. A pesquisa do conilon foi no município de Jaguaré - ES, em uma área de 20 hectares de lavoura com colheita 100% manual. Com produtividade de 50 sacas/ha o custo da saca saía a R$127,43. Considerando o aumento do valor e da quantidade dos tratos culturais de 2008 para 2010 esse custo para produzir uma saca aumentou muito coincidindo com meu comentário anterior.

Carlos Alberto
WAGNER PIMENTEL

MANHUAÇU - MINAS GERAIS - TRADER

EM 15/05/2010

Bom eu acho ridiculo pensar na hipotese de se importar cafe.
Somos os maiores produtores do mundo e o segundo maiores consumidores do mundo.
A questao toda fica em que isto ajudaria ao produtor.
Vai diminuir o custo de produçao.
Vai nos trazer sustentabilidade.
Vai agregar preço na economia do produtor.
Vai aumentar a renda do produtor e ajudara pagar sua divida.
Vai ser criado algum fundo para ajuda dos produtores.
O drawback so vai dar lucro para industria de cafe que hoje se restringe a menos 10 torradores no mundo e inclusive as duas maiores industrias nacionais nao sao nacionais.
Continuo com minha tese drawbackXdowncafeicultura nacional
CARLOS ALBERTO DE CARVALHO COSTA

MUQUI - ESPÍRITO SANTO - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 15/05/2010

Quem sou eu para discutir qualquer assunto com tão capazes professores da USP, um pequeno produtor de robusta no Espirito Santo.Desconfio, mas me desculpe dizer, que os digníssimos professores nunca viram ou ouviram falar de café CONILON. A produção média do robusta no ES espera atingir, segundo a Conab, 28,07 sacas beneficiadas por hectare, as minhas lavouras, superarão em muito os 30 sacas por hectare, mas mesmo assim, devido aos tratos culturais que dou às minhas lavoura: uma poda drástica depois de cada colheita, 2 ou 3 desbrotas com serrinhas(mão de obra especializadas e altíssimas), 3 limpas anuais( roçadeiras e roundup), calagem quando necessário, 3 adubações com N,P,K e micro nutrientes, adubações folheares e fungicidas de solo caríssimos(Verdadeiro, Premier Plus,Zoom ou Impact ) quando necessários, colheita manual com custo aproximado de R$36,00 por saca de 60 kilos,secagem em terreiros ou secadores com custo também bem alto (R$ 9,50 por saca pilada), pilação à R$ 4,00/saca pilada, sacaria de juta a aproximadamente R$ 2,50 a saca usada e depois pagar um carreto até Vitória(170 Km) para vender o nosso produto à R$ 146,00 a saca de 61 Kilos(não é 60,5 Kilos),isso tudo sem considerarmos o preço da irrigação. Se formos seguir a risca o item (iii) todos nos produtores de robusta do estado do Espirito Santo (produção prevista para 2010 pela Conab 8.144.000 sacas de café pilado) devemos nos retirar da atividade cafeeira, sem considerarmos os produtores de Rôndonia cujo transporte é muito mais caro.
Em tempo, nessa mesma época em 2009, vendemos o nosso produto a R$220,00 a cada saca pilada.

Desculpem-me o desabafo, mas precisamos é de ajuda e não correção e ensinamentos de como produzir café a custos mais baixos aqui em nosso estado, vejam só os custos de produção do Arábica, são quase o dobro do robusta e os senhores não falam para êles sairem da atividade ?

Carlos Alberto
FERNANDO DE SOUZA BARROS JR.

SÃO PAULO - SÃO PAULO - TRADER

EM 15/05/2010

Prezados Companheiros Sivia e Bruno

Como bem disse nosso amigo Renato fica díficil sentar para se discutir o drawback,sem antes resolvermos alguns absurdos que ocorrem na cadeia do café
principalmente com relação ao nosso cafecultor,que há mais de 13 anos é refem de um sistema do qual não consegue sair.Vendeu seu produto a uma média de U$40 por saca mais barato do que nossos concorrentes de Café Arábica,por falta de Gestão,Planejamento e controle do fluxo da oferta por parte do Governo.Em 13 anos exportamos 280 milhões de sacas a uma difereça de algo em torno de R$100,00 por saca e deixamos de arrecadar 28 bilhões de reais. Portanto meus amigos Exportamos aumento de dívida do Cafecultor e Imposto(Pis e Cofins) -9,25% um autentico subsidio onde as Cooperativas não recolhem e repassam ao Exportador que recupera este valor na Torrefação ou em outros mecanismos ou ainda joga na Gaveta para receber do Governo que hoje já tem um contas a pagar de mais de 1 Bilhão de reais. Isto meus caros tendo 50% do mercado de café arábica do mundo e eu não conheço nenhuma Empresa Globalizada que tendo 50% do mercado não impõe seu preço.

Se não bastasse isto, não sabemos o nosso estoque de passagem,ninguem quer por o dedo na FERIDA(falta de inventário de estoque por qulidade) e muito menos o tamanho de nossa safra cujos numeros nunca batem com o que é consumido e exportado. E a dívida do produtor? Tambem não sabemos!! estimamos, e este ponto é muito interessante,pois fazemos dumping no Mercado Intenacional,deixamos de internar algo em torno de 28 bilhões de reais e estamos com uma dívida estimada de 8/10 ou 12 bilhòes de reais.É CRECENTE!! O motivo desta situação tem um nome OBSCURIDADE!! quanto mais complicado e confuso mais facíl de enganar o produtor.

A prova disto é estarmos abuletados numa Bolsa a de N.YORK aonde,não tem transparencia nas cotaçõe,pois os cafés que lá estão e dizem ser certificados estão velhos,renovados quando vencem sem deságio!! (aqui na BM&F há um controle rígido com relaçào a isto) e o pior de um CAFÉ que não é o nosso é o COLOMBIANO arábica lavado que precisa ser consumido rapidamente senão fica BRANCO e perde as qualidades, sabor etc...Pois é!! A Colombia vendendo a U$86 (R$155,00) por saca acima da COTAÇÃO da BOLSA de N.YORK e nós como vamos ter uma safra boa entregamos a U$33 abaixo(R$60,00) por saca abaixo.

Por isto estão desesperados atráz de nosso CEREJA DESCASCADO para ACOBERTAR esta sítuação. NÃO podemos ERRAR,temos que cotar o nosso café aqui na BM&F e na CME(Chicago),aliás que é sócia da BM&F e ficarmos totalmente fora de N.YORK e com total transparencia para o nosso café que é o MELHOR do
do mundo (temos todos os tipos,bebida etc), e podemos armazená-lo.

Não podemos perder o foco, vamos primeiro arrumar casa para depois resolvermos aquestão do DRAWBACK.

F.Barros











RENATO H. FERNANDES

TEIXEIRA DE FREITAS - BAHIA - COMÉRCIO DE CAFÉ (B2B)

EM 14/05/2010

Caros Sylvia e Bruno,

Concordo quando dizem que muito mais danoso para os cafeicultores brasileiros (de conilon, mas também de arábica) do que a abertura da possibilidade de drawback é o desmantelamento da indústria nacional de solúvel e a limitada competitividade internacional de nossa indústria de torrado e moído. O drawback não seria a panacéia que resolveria seus problemas, mas, inegavelmente, haveria aspectos positivos na sua implementação, os quais necessitam ser contrapostos aos ônus que poderiam ser gerados.

No entanto, nas discussões (ou falta de discussões) sobre o drawback, que se arrastam há mais de cinco anos, nunca houve nenhum estudo concreto sobre os volumes de produto que seriam importados e re-exportados, nem sobre os potenciais de recuperação da indústria brasileira de solúvel e de crescimento da indústria de torrado e moído, muito menos sobre que volume adicional de café brasileiro estas poderiam vir a demandar. Vale ressaltar que nessa conta entrariam variáveis exógenas como taxa de câmbio e taxação do café industrializado brasileiro na Europa, dentre outras.

Até hoje, não houve nada de concreto nesse sentido. Por um lado, aqueles que defendem o drawback citam seus potenciais benefícios sem dimensioná-los e os que o rechaçam simplesmente fecham as portas ao diálogo.

Sugiro que se monte uma equipe de especialistas para conceber possíveis cenários advindos da liberação do drawback, traduzindo a questão em números concretos e analisando tanto os aspectos positivos como os negativos, principlamente num quadro de assimetria no acesso à informação de mercado e de poder econômico entre produtores e compradores de café.

Concebidos tais cenários, se poderia estabelecer uma estratégia gradual de liberação do drawback condicionada a indicadores concretos de desempenho tanto do mercado brasileiro de café verde como do setor indústrial de solúvel e também de torrado e moído. Desta forma, os impactos tanto positivos como negativos seriam ponderados, antes de se tomar os passos seguintes no processo.

Tal estratégia também teria, necessariamente, que enfrentar os outros gargalos existentes na cadeia e que não estão diretamente ligados à disponibilidade de matéria-prima. A cafeicultura brasileira é muito facilmente reconhecida como a mais competitiva do mundo do ponto de vista agronômico. Minorar os fatores que prejudicam a competitividade de nossa cadeia do café é muito mais crucial, a longo prazo, do que apenas importar a competitividade de outros países que administraram melhor fatores semelhantes.

Essa minha sugestão pode parecer simples de falar e difícil de implementar, mas, sinceramente, me parece ter o potencial de tirar essa discussão do plano da simples retórica, trazendo-a para a realidade da cadeia produtiva do café. O que não tenho o menor receio de afirmar é que da forma como a discussão vem sendo conduzida até hoje, dificilmente se chegará a algo proveitoso.

Abraços,

Renato